Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Investir em ações, sim ou não?

Uma carruagem de aprendizagens

Escreve quem sabe

2018-12-01 às 06h00

Fernando Viana

Colocam-se atualmente aos investidores decisões difíceis relativamente ao tipo de investimentos a fazer e à melhor forma de aplicar as poupanças, considerando, entre outros, o atual momento da economia, o risco, o prazo de disponibilidade dos ativos financeiros alocados. Estamos a pensar claro nos pequenos aforradores, naqueles que ao longo de um ano conseguem poupar entre €1.000 a €20.000 e pretendem investir esse valor.
Existem diversas possibilidades, desde os vulgares depósitos a prazo, passando por obrigações, ações e outros instrumentos financeiros mais ou menos complexos.
Consideremos hoje a possibilidade de investir em ações. Uma ação é um título que representa uma fração do capital social de uma empresa. Quando compramos ações tornamo-nos acionistas e o que se espera é que por um lado a cotação da ação suba, o que significa um aumento do valor da empresa no mercado e, por outro, que regularmente distribua dividendos pelos acionistas. Os dividendos correspondem à parte dos lucros da empresa que se destina a remunerar os acionistas.
Se tudo correr bem, o título aumenta de cotação, e ao fim de algum tempo, caso decidamos vender as ações, obtemos uma mais-valia (diferença entre o valor pago inicialmente na compra e o obtido com a venda) e durante o período em que tivemos as ações na nossa posse fomos recebendo dividendos.
Se tudo correr mal, passa-se exatamente o inverso, as ações perdem valor, no limite o acionista pode perder o capital investido se a empresa abrir falência (veja-se o que aconteceu entre nós recentemente com os acionistas do BES) e /ou não receber quaisquer dividendos, caso a empresa registe prejuízos em vez de lucros ou decida não distribuir lucros.
Pessoalmente, considero o investimento em ações extremamente complexo e que só deve ser considerado em função da resposta que dê às seguintes questões:
• Conhece bem o mercado acionista e a empresa em causa?
• Tem tempo disponível para acompanhar a evolução dos mercados acionistas?
• Está disposto a abdicar do dinheiro investido durante um período de tempo mais ou menos longo?
• Esté disposto para suportar perdas, no limite, a totalidade do capital investido?
Se não conhece bem os mercados acionistas e também não conhece em profundidade a empresa em que pretende investir, provavelmente deve pensar noutro tipo de investimentos, já que se arrisca a investir de forma ruinosa. De igual forma, senão tiver tempo para acompanhar a evolução das cotações, para ler e analisar com detalhe os mercados de ações, corre o risco de comprar quando deveria vender e vice-versa. Por outro lado, o investimento em ações é normalmente um investimento de longo prazo, sendo necessário possuir resiliência durante o período de tempo em que tiver o seu dinheiro empatado em ações (5, 10 anos, por exemplo) para acompanhar a subida e descida das cotações. Finalmente, deve verificar se está disponível para suportar perdas. Se a resposta for negativa não compre ações.
Durante algum tempo no nosso país foi passada a ideia de um certo “capitalismo popular” em que todos poderiam investir em ações e ser felizes. Os resultados foram bastante penosos para os que foram no engodo. Não se esqueça também dos encargos associados à compra e venda das ações e que abrangem diversas comissões (de transação, por guarda dos títulos nos Bancos ou a comissão por transferência de valores mobiliários entre contas) e impostos. De facto, se houver mais-valias com a venda das ações, vai ter que repartir a mais-valia com o Estado, o mesmo acontecendo com os dividendos que for recebendo. Mas, se tiver prejuízo com este investimento, vai ter que o suportar sózinho, o Estado não o irá ajudar a suportar esse prejuízo.
Por todas estas e mais razões que o espaço disponível não permite desenvolver, considero que os mercados acionistas devem ficar reservados para investidores experimentados, responsáveis e conhecedores de todas as variáveis, designadamente para os chamados investidores institucionais. Para o vulgar cidadão é apenas um “tiro no escuro”. Raramente se acerta.

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