Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Investir mais, muito mais, em ciência e inovação

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Ideias

2016-11-05 às 06h00

Vasco Teixeira

No âmbito da Estratégia Europa 2020 Portugal subscreveu o compromisso, entre outros, de atingir a meta em 2020 de gastar (investir) 3% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em Investigação e Desenvolvimento.
No início de 2000 Portugal apresentava valores da ordem de 0,8% do PIB para ciência. A aposta entretanto feita levou a que o valor subisse até ao seu máximo de 1,64% (em 2009). Desde 2009 o valor gasto em ciência e tecnologia tem vindo sempre a diminuir (foi 1,28% do PIB em 2015).

Esta variação é preocupante e é urgente retomar o aumento dos valores gastos em ciência. Os 3%, objetivo da UE estão muito longe de se atingir. Será que em 2020 estaremos pelo menos nos 2%?
A evolução da percentagem do PIB para atividades de ciência e tecnologia de 2000 até 2015 foi esta: De 2000 a 2005, constante na ordem dos 0,78%. 2007 (1,17%), 2008 (1,5%), 2009 (1,64%), 2010 (1,6%), 2011 (1,5%), 2012 (1,41%), 2013 (1,34%), 2014 (1,29%) e 2015 (1,28%).

A relevância da investigação científica e tecnológica na Europa é hoje cada vez mais considerada como fator indispensável para garantir maior competitividade das empresas e gerar crescimento económico, como foi reconhecido por todos os Estados-Membros na Estratégia Europa 2020 para o emprego e o crescimento, ao adotarem o objetivo de afetar 3% do PIB na investigação e desenvolvimento (I&D), correspondendo a 1% proveniente de fundos públicos e 2% do setor privado. A despesa atual em I&D na Europa é cerca de 2 % do PIB, contra 2,6 % nos EUA e 3,4 % no Japão.

Segundo dados da Comissão Europeia, atingir até 2020 a meta de investimento de 3% do PIB da UE em I&D poderá criar 3,7 milhões de empregos, e no aumento do PIB anual em 795 mil milhões de euros, até 2025.
A percentagem do PIB para atividades de ciência e tecnologia corresponde também a um indicador do próprio desenvolvimento dos países.

Portugal necessita de reforçar a sua aposta no investimento no Conhecimento e na Inovação como alavanca para o crescimento socioeconómico e o desenvolvimento sustentável. A relevância da ciência e da tecnologia na sociedade do conhecimento e da inovação são hoje cada vez mais consideradas fatores indispensáveis para a competitividade das empresas sendo essencial para a criação de emprego. Também o investimento na Educação e na Formação para o desenvolvimento de competências-chave é essencial para estimular o crescimento e a competitividade: as competências determinam a capacidade do país e das suas empresas para desencadear inovação, crescimento e aumentar a produtividade. A criatividade e a inovação são fatores-chave para o desenvolvimento das empresas e para a competitividade.

O Conhecimento é essencial no Espaço Europeu da Investigação (EEI). O EEI é crucial para tornar mais eficazes as atividades de investigação e inovação e contribuir para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo. A Estratégia Europa 2020 procura tornar a UE numa economia inteligente, sustentável e inclusiva que proporcione níveis elevados de emprego, de produtividade e de coesão social, e para a qual a Educação, a Investigação e Inovação deverão contribuir de forma significativa. As universidades e os seus centros de investigação têm a importante responsabilidade de contribuírem para o desenvolvimento económico, afirmação e reconhecimento internacional da excelência científica e tecnológica.

A edição do Painel de Avaliação da União da Inovação 2015 da Comissão Europeia revela que o mercado europeu permanece fragmentado e insuficientemente aberto à inovação. Mas também que, com mais investimento e reformas estruturais, este é um fator crucial para gerar emprego e melhorar a competitividade da EU.

A Europa mantém um desempenho global em inovação estável, mas regista declínios no número de empresas inovadoras, no investimento em capital de risco, nos pedidos de patentes e nas exportações e vendas de produtos de alta tecnologia. O impacto da crise económica nas atividades de inovação do setor privado fez-se sentir em todos estes fatores e impediu um aumento do desempenho da Europa em 2014 mas, ainda assim, revelam-se melhorias a nível dos recursos humanos, dos investimentos das empresas em investigação e desenvolvimento e da qualidade da ciência.

A Europa gasta anualmente menos 0,8 % do PIB do que os EUA e menos 1,5 % do que o Japão em investigação e desenvolvimento. Além disso, por vezes, ocorre o efeito de fuga de cérebros, uma vez que muitas vezes os melhores investigadores e inovadores se mudam para países que oferecem melhores condições. Embora o mercado da UE seja o maior do mundo, permanece fragmentado e insuficientemente aberto à inovação.

Com vista a alterar esta tendência, a União Europeia desenvolveu o conceito de uma “União da Inovação” com os seguintes objetivos:

- transformar a Europa num polo científico de nível mundial;
- suprimir os obstáculos à inovação - tais como o oneroso registo de patentes, a fragmentação do mercado, a lentidão do processo de elaboração de normas e as carências de habilitações;
- revolucionar a forma como os setores público e privado trabalham em conjunto, designadamente através da criação de parcerias de inovação entre as instituições europeias, entidades e empresas nacionais e regionais

A União da Inovação é uma das sete iniciativas emblemáticas da Estratégia Europa 2020 para uma economia inteligente, sustentável e inclusiva. A União da Inovação visa criar um verdadeiro mercado único europeu para a inovação, que atrairá empresas e negócios inovadores.

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