Correio do Minho

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Laboratórios Colaborativos: criação de emprego qualificado e de valor económico e social

Eu, Fausto.

Ideias

2018-10-27 às 06h00

Vasco Teixeira Vasco Teixeira

Écrucial, cada vez mais, estimular maiores laços de cooperação entre as universidades e centros tecnológicos com o tecido sócio-económico para assim fortalecer a base científico-tecnológica das empresas e contribuir para a promoção da competitividade e inovação através da especialização inteligen- te. O crescimento da economia portuguesa também dependerá muito da capacidade de se estimular a competitividade a nível regional. Portugal terá de continuar a reforçar a sua aposta no investimento no Conhecimento e na Inovação como alavanca para um crescimento socioeconómico e para o desenvolvimento de Portugal de uma forma sustentável. O inves- timento no desenvolvimento de competências-chave é também essencial para estimular o crescimento e a competitividade.
Um dos vetores estratégicos de ação da Estratégia de Inovação Tecnológica e Empresarial 2018-2030 é reforçar o apoio e a capacitação da rede de Centros Interface e de Laboratórios Colaborativos, promovendo maior financiamento, maior colaboração a nível nacional e internacionalização. Os Laboratórios Colaborativos (CoLAB) deverão dinamizar a “colaboração entre o SCTN e as empresas, promovendo atividades de Investigação, Desenvolvimento e Inovação, a valorização e o emprego de recursos humanos qualificados e o desenvolvimento de novas áreas de competências com forte potencial de exportação de bens e serviços de maior valor acrescentado”. Esses Laboratórios devem atuar em áreas como: i) floresta e fogos; ii) espaço, clima e oceanos; iii) transformação digital; iv) investigação e inovação em regiões de montanha; v) vinho e vinha na região do Douro e vi) valorização de algas no Algarve.
O processo de implementação dos CoLABs foi estruturado em 2 fases. A primeira fase corresponde à constituição de uma rede de instituições com o reconhecimento formal de CoLAB que, numa segunda fase, se poderão candidatar a programas de financiamento específicos. O Laboratório Colaborativo tem como objetivo principal criar, direta e indiretamente, emprego qualificado e emprego científico em Portugal através da definição e implementação de agendas de investigação e de inovação orientadas para a criação de valor económico e social. É da responsabilidade da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no âmbito do Programa Nacional de Reformas, do Programa Interface e da Agenda “Compromisso com a Ciência e Conhecimento”, em colaboração com a ANI - Agência Nacional de Inovação o processo de constituição e operacionalização da criação de Laboratórios Colaborativos.
FCT aprovou em agosto mais 14 projetos de Laboratórios Colaborativos, que têm um financiamento garantido nos próximos cinco anos. Será uma verba total de 50 milhões de euros para financiar os 20 Laboratórios colaborativos distribuídos pelo país nos próximos 5 anos. O que resulta na execução de projetos de investigação desenvolvidos em parceria entre empresas, autarquias e instituições de ensino superior. O projeto com maior apoio (7,4 milhões de euros) é o do “CemLAB - Tecnologias sustentáveis de cimentos para a construção” liderado pela Associação Técnica da Industria de Cimento. Outros aprovados, ligados às áreas definidas como estratégicas no concurso, são, por exemplo, “Vines&Wines - Agricultura de precisão no vinho e na vinha do Douro”, com sede em Vila Real, o “MORE - Investigação e Culturas de montanha” em Bragança, e o “GreenCoLAB - processamento de algas no Algarve”. O “CoLABOR - Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Proteção Social”, liderado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.
Um projeto com grande interesse industrial estratégico nacional é liderado pela Universidade do Minho. O Laboratório Colaborativo em Transformação Digital “DTx - Digital Transformation CoLab - Experiencing the Future”, centrado na transformação digital na indústria (Indústria 4.0) liderado pela UMinho tendo como parceiros, entre muitos outros, as empresas Bosch Car Multimedia, Embraer, IKEA, NOS, Celoplás, TMG Automotive, o Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEIIA), a Universidade de Évora e o INL (Laboratório Internacional Ibérico de Nanotecnologia).
Os projetos do DTx abordarão a digitalização no desenvolvimento de produtos, de sistemas e de soluções de fabricação, de acordo com os roteiros tecnológicos do laboratório colaborativo e com os desafios dos parceiros. O enfoque será dado ao projeto e o desenvolvimento de produtos-sistema ciber-físicos, bem como de sistemas evolutivos, integrando, por exemplo, materiais inteligentes, tecnologias de fabrico digital e soluções baseadas em inteligência artificial.
Alguns dos objetivos da Estratégia de Inovação e Empresarial 2018-2030:
1 - Alcançar um investimento global em I&D de 3% até 2030, com uma parcela relativa de 1/3 de despesa pública e 2/3 de despesa privada, correspondendo a um investimento global em I&D de 1,8% do PIB até 2020 (foi 1,3% em 2016).
2 - Alcançar um nível de 60% dos jovens com 20 anos que frequentem o ensino superior em 2030, com 40% dos graduados de educação terciária na faixa etária dos 30-34 anos até 2020 e 50% em 2030 (foi de 35% em 2016).
3 - Alcançar um nível de liderança europeia de competências digitais até 2030, em associação com acesso e uso da internet, bem como a procura pelos mercados, desenvolvimento de negócios e desenvolvimento de competências especializadas.
4 - Aumentar as exportações de bens e serviços, ambicionando-se atingir um volume de exportações equivalente a 50% do PIB na primeira metade da próxima década.

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