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Larry e outras histórias

Dia do Diploma 2019

Ideias

2011-03-18 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Larry é mesmo nome de gato! De um bichano oriundo do abrigo londrino da organização Battersea Dogs & Cats Home que teria sido contratado pelo primeiro ministro britânico David Cameron para desratizar o número 10 da Downing Street. Um gato malhado de quatro anos, mas, diga-se, já com créditos firmados como predador.

A notícia, aliás surpreendente, interessante e inquestionavelmente deliciosa, assomou no J.N. de 17.2.11 sob o título «Gato no Governo», e, reconheça-se, apesar de inesperada e extravagante, mostra-nos todo o sentido prático, original e desenrascado dos ingleses, importando referir que Larry deverá ter o título de “Chief Mouser to the Cabinet Office - que significará algo como : Chefe dos Ratos para o gabinete do Governo”.

E porque é efectivamente deliciosa nos seus contornos e nas extrapolações e fabulações que alimenta e sustenta, não conseguimos resistir à tentação de dar nota e transcrever algumas das passagens, desde já se sublinhando que Larry é referenciado como “dono de um forte instinto predador” e foi a solução encontrada para se juntar “a Cameron e sua família no combate à praga, depois de um inconveniente roedor ter sido filmado, mais do que uma vez, na escadaria da mais famosa residência londrina”.

Uma solução insólita, engenhosa, extravagante mas prática que certamente teria dado azo a concurso público (ou apenas negociação directa ?!...), a debate nas Câmaras, intervenções da oposição, pareceres da AAA (Alta Autoridade para os Animais), discussão e análises sobre constitucionalidade e ocasionalmente comentários dos Marcelos, Marques Mendes e Pachecos Pereiras de lá. Na verdade a nossa já longa “experiência” política leva-nos a ter por seguro que cá, neste país de “avançada” e “excelsa” democracia, tal teria acontecido se porventura Sócrates tivesse pensado em levar um qualquer Larry ( ou mesmo um “siamês” com pedigree ) para S. Bento a fim de caçar ratos.

O que aliás, reconheça-se, redundaria numa impossibilidade de convivência pois Marcelo teria dito na TVI que “o primeiro-ministro é um daqueles cães que filam as canelas” (cit. no n.º 563 da Lux), e é de todos sabido que cães e gatos não se enxergam e que qualquer convivência seria contra natura.

Mas continuando, se na verdade parece ser de todo incontornável a praga de ratos no n.º 10 da Downing Street, é também incontornável e de todo certo o facto de o novo e felino ocupante já ter tido antececessores na casa, desde a gata Sybil ao Humphrey, um lendário gato da rua que lá “morou” com Margareth Thatcher e ainda com Tony Blair até este o “despedir”, referindo-se mesmo que o bichano “constava da folha de pagamento e recebia 100 libras (118) euros por ano, previstos no orçamento do Gabinete”. Desconhecendo-se se na altura houve ou não “manifestações” de rua e “acções” sindicais face a tal despedimento, a verdade é que Larry está mesmo no Governo (na casa!...) e pronto a não deixar os seus créditos por bocas e unhas alheias.

Aliás tão deliciosa e “profunda” história faz-nos pensar e admitir que isso de “ratos” não será sequer um exclusivo da Downing Street, pois não nos restam quaisquer dúvidas de que igual praga de “rataria” vem infestando, e de há anos a esta parte, alguns dos nossos locais e edifícios adstritos ou frequentados por governantes, políticos e afins, sendo inquestionável serem muitos os “ratos”, “ratazanas” e “ratões” apanhados e filmados pelas câmaras das televisões a passear pelas escadarias e alcatifas do poder, e poucos os caçados pela “ratoeira“ da justiça.

E são tantos que não bastaria um só “Larry”, ainda que predador experiente e prendado, para proceder a toda uma desratização do sistema, já que a “procriação” vem excedendo as expectativas devido às muitas “despensas”, “copas” e “armazéns” existentes corporizadas em fundações, institutos, direcções gerais, observatórios, altas autoridades, provedorias, governos civis, etc. etc.. Para mais, como é óbvio, com os partidos a “funcionar” como incontornáveis “ninhos de ratos”!...

E nem sequer ousamos falar dos governo e parlamento já que, para se pôr termo à praga de “rataria” que os infesta e obter uma profícua desratização, seria de todo necessário um número astronómico de “Larrys”, o que naturalmente acarretaria gravoso encargo para o erário público e aumento do défice, ainda que cada um apenas auferisse um “vencimento” igual ao de Humphrey, o antecessor do Larry na Downing Street.

Aliás, focalizando-nos no tema, afigura-se-nos que para se conseguir resultados, uma profunda desratização e também o saneamento do sistema, importaria começar por erradicar as incómodas “ratoeiras” e o “trigo roxo” que vêm inquinando toda uma constituição. Tendo já perdido força e eficácia face às actuais realidades e necessidades concretas do país, agora, muito pelo contrário, as suas existência e manutenção até vêm facilitando e propiciando o alastrar de tal praga .

Na verdade seria de todo útil, oportuno e razoável “limpar” e sanear do texto constitucional algumas normas e princípios gerados por estultas, teóricas e jacobinas cabeças, de momento já descontextualizados mas ainda deixando extravasar insensatos pensares, temores e fervores revolucionários de insanas juventude e imaturidade política, assim se purificando e simplificando o sistema.

Uma desratização que inquestionavelmente teria de provocar uma diminuição dos actuais e habituais enfoque e interferência dos partidos na vida do país e no desenrolar e concretizar da democracia, que aliás se deseja muito mais real, autêntica, verdadeira, natural e impoluta. Como !?...

Reduzindo-os a meras instituições ou associações privadas de análise e estudo dos exercício do poder e defesa de direitos, limitando-os na sua acção funcional e interventiva, relativizando-os nas suas força e importância, cortando-lhe os subsídios estatais de sobrevivência e de presença eleitoral, naturalmente pagos pelo povo, desmascarando-os e descaracterizando-os como “agências de emprego”. O que, como é de todo óbvio, reclamaria alteração e mudança nos sistema e leis eleitorais em ordem a obstar a hondticas “nevralgias”, neuroses malsãs, perversões e às contínuas e já cansativas lucubrações, brigas e conjuras do poder.




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