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Ideias

2017-05-11 às 06h00

José Manuel Fernandes José Manuel Fernandes

Emmanuelle Macron ganhou as eleições presidenciais francesas. É motivo de satisfação para os que defendem uma União livre e solidária, aberta, multicultural e tolerante. É motivo de tristeza para os radicais de direita e de esquerda que defendem o protecionismo, o fim do euro e da União Europeia.
Macron, o mais jovem Presidente de França, obteve 66,10% de votos, contra 33,90% da candidata da extrema direita Marine Le Pen.
O resultado não nos pode iludir. Mais de metade dos votos em Macron foram contra Marine Le Pen. A maioria dos votos em Macron não foi de adesão, mas sincera rejeição a Le Pen. Estas eleições registaram a maior taxa de abstenção de sempre (25,44 %) e o maior número de votos em branco e nulos (11,47%). Numa França com a tradição do voto branco de protesto, estes valores são bastante relevantes.

É também importante refletir sobre o facto de os dois maiores partidos franceses terem ficado de fora da segunda volta, a que acresce uma observação: os partidos socialistas na Europa estão a perder força. Temos visto eleições atrás de eleições em que os partidos socialistas, que costumavam fazer parte da governação, têm dos piores resultados eleitorais da história: vimos isso na Grécia, na Holanda e agora em França. Naturalmente que, em França, a governação fracassada de François Hollande nos últimos anos não ajudou ao partido socialista, que não só teve o pior resultado da sua história como vê agora o seu ex-primeiro ministro, Manuel Valls, ser candidato nas legislativas pelo novo movimento de Macron, afirmando que o partido socialista em França está morto. São claramente sinais dos tempos.

Ainda assim, face ao resultado, Macron tem uma fortíssima legitimidade. Mas a sua governação começa já com um grande desafio: as eleições legislativas a 11 e 18 de junho. O seu recente partido, ‘En Marche’, dificilmente conseguirá uma maioria. Governará em coligação com os republicanos ou socialistas? Ou teremos uma situação de coabitação? Sabemos que, na história da França, governações em coabitação duraram pouco tempo e foram muito instáveis. Portanto, Macron terá que fazer um esforço extra para conseguir liderar a França com força nos próximos anos.

A UE só sobreviverá se tivermos uma França forte. A economia francesa está a definhar e os líderes franceses não têm tido a coragem nem a força suficiente para a retomar. É fácil culpar Bruxelas… e a tentação é enorme.
O discurso nacionalista vende bem em todo o lado. Os slogans são decalcados: os EUA Primeiro, a Rússia Primeiro, a França Primeiro. Claro que sabe bem e dá jeito dizer: Portugal Primeiro.
Também dá jeito utilizar o orgulho nacional em discursos inflamados: os verdadeiros americanos, os verdadeiros russos, os verdadeiros finlandeses, os verdadeiros portugueses.

Infelizmente, há quem não perceba que a melhor forma de defender o interesse nacional é estando na UE, partilhando soluções e assumindo os problemas e fracassos em conjunto. Há quem não entenda que a diversidade é uma força e que as nossas raízes, as nossas tradições, são reforçadas num projeto comum como o da União Europeia.
Para já, vamos suspirando de alívio. As eleições na Europa têm corrido relativamente bem e não colocam em causa a União. Veremos até quando.

A UE precisa de responder coletivamente aos desafios que enfrenta. Cada líder nacional tem de assumir as suas responsabilidades, e não pode acordar uma coisa em Bruxelas e não o assumir quando chega à respetiva capital. O costume é nacionalizarem-se os sucessos e europeizarem-se os insucessos, mas se continuarmos com estes hábitos vamos aos poucos destruir o nosso projeto europeu, e prejudicar os nossos países. Ao pequeníssimo orçamento da UE - cerca de 1% do PIB da EU - tudo se exige. Os europeus querem respostas para o emprego ou para a segurança, mas esquecem-se que essas são competências nacionais! Querem a diminuição da evasão fiscal e da corrupção, mas essas são também matérias nacionais.

Se queremos fazer mais, temos que ter mais. Sou claramente a favor de um orçamento maior para a União Europeia. Entendo que o combate ao terrorismo, à corrupção e à evasão fiscal devia fazer-se à escala da União Europeia. Considero que a União Europeia devia ter uma força militar comum. Esta partilha traria mais eficiência e exigiria menos recursos, o que significava melhores ações e respostas e menos impostos para os contribuintes.

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