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Mobilidade: o desafio presente

A Sueca

Mobilidade: o desafio presente

Ideias Políticas

2019-04-02 às 06h00

Francisco Mota Francisco Mota

Na sequência do lançamento do Programa de Apoio à Redução Tarifária (PART), os Transportes Urbanos de Braga anunciaram uma redução das tarifas, a partir de 1 de abril, em 16%. Esta medida demonstra a aposta do município na mobilidade sustentável, amiga da família e promotora de um envelhecimento saudável para os seniores da nossa comunidade. Representa também o acordar, ainda que bastante estremunhado, talvez decorrente do toque das sonda- gens, do estado central para os problemas da mobilidade, considerando todo o território nacional. No entanto, assente numa tradição profundamente bipolar e num clima de tanta repentinidade, seria de esperar que a distribuição das verbas do PART fosse desequilibrada, redundando em alguma injustiça. Segundo os dados disponibilizados, mostram que: “um passageiro de Lisboa vale mais do triplo do que um utilizador de transporte público na nossa região: o primeiro tem uma ajuda de 157,17 euros, enquanto o segundo beneficiará de 44,40 euros. Embora sejamos a sexta região de Portugal Continental com maior número de passageiros, obterá o apoio direto do Estado por passageiro mais reduzido. O cliente da Área Metrpolitana do Porto conta com 84,93 euros de apoio direto do Governo”.
Sendo de louvar qualquer esforço no que concerne ao apoio à mobilidade coletiva na nossa região, este acto demonstra apenas o início do pequeno passo que ainda precisamos de dar. Tudo aponta para que a cidade de Braga tenha, ou se proponha a fazê-lo num curto espaço de tempo, ultrapassado os 220.000 habitantes. Os moradores da cidade têm sentido, de forma progressiva e consistente, um aumento do congestionamento do trânsito. O desenvolvimento económico, o crescimento do turismo e do número de residentes estrangeiros, que a todos os bracarenses orgulham, são sinónimo do cosmopolitismo que atravessa, de forma cada vez mais significativa, a capital do Minho. No entanto, tudo isto acarreta constrangimentos, o que reforça a necessidade de planeamento, nomeadamente ao nível da estrutura de mobilidade da cidade. À semelhança do que sucedeu em cidades europeias de igual dimensão, a cidade de Braga precisa de repensar toda a sua estrutura de transportes coletivos. A renovação da frota é um aspeto essencial, para o qual o executivo camarário já propôs um investimento de 10 Milhões de euros em 2019/2020, ainda assim, no entanto, não será suficiente para a solução integral do problema. É tempo de envolver toda a cidade num debate sério sobre o (re)surgimento de novas estruturas que facilitem a mobilidade interna e solucionem problemas, cada vez mais visíveis, como o bloqueio e a obstrução que existe no Nó de Infías e a conclusão da variante que estabelece a ligação entre o Nova Arcada e o El Lclerc. Mas para isso é necessário existir vontade política do estado central em concertar com a CIM (Comunidade Intermunicipal do Cávado) estas duas intervenções estruturais, bem como maior comparticipação do OE para a renovação das frotas de transportes colectivos como acontece para as áreas metropolitanas do Porto e Lisboa.
Os bracarenses desesperam pela apresentação de soluções concretas e sérias para todos estas questões, que decorram de uma visão integrada da mobilidade na cidade. Apenas desta forma poderemos manter a qualidade de vida que caracteriza a nossa cidade, que permite aos jovens estudar e desenvolver os seus projetos de vida com segurança e oportunidades estimulantes. O a mobilidade e todas as consequências que dela advém será o desafio da próxima década para a cidade e a região. É necessário assumir como prioridade novos mecanismos de transporte colectivo como é o caso do metro.
Tendo, o governo de apostar seriamente numa verdadeira democratização do acesso a uma rede de transportes integrada e eficaz. Acredito que tudo isto só será possível corrigindo a visão míope com que o Estado central, através do seu governo, encara o território nacional.

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