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Moda e Inovação: Têxteis Inteligentes e Nanotecnologia

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Ideias

2015-04-11 às 06h00

Vasco Teixeira Vasco Teixeira

O desenvolvimento de novos materiais têxteis inovadores (têxteis inteligentes) com variadas funcionalidades e alto desempenho, assim como a utilização de tecnologias de processamento eco-sustentáveis, são já uma realidade no setor da moda e da indústria têxtil portuguesa.
A importante fileira da Moda, constituída pelas indústrias de têxtil, vestuário, calçado e da joalharia e ourivesaria, assegura 14% das exportações nacionais, sendo responsável por 5,1% do emprego. São quase 17 mil empresas, que dão emprego a mais de 190 mil trabalhadores e que faturam mais de 7 mil milhões de euros ao ano.

A aposta na inovação, design, criatividade e qualidade deverá ser uma estratégia para que a indústria da moda portuguesa consiga tornar-se mais competitiva e aumentar o seu caráter exportador. Uma colaboração efetiva entre a indústria têxtil, os criadores, as universidades e os centros tecnológicos deverá ser prioritária para se atingir o objetivo de criar mais marcas fortes nacionais que possam competir no mercado internacional.

O desenvolvimento de fibras e fios técnicos tem contribuído para o estabelecimento de novas fronteiras de utilização dos produtos de moda sustentável associando também funcionalidade, segurança, bem-estar e conforto. A maioria dos têxteis inteligentes não chega ao vestuário do dia-a-dia, mantendo-se sobretudo em setores como a construção, a indústria automóvel, a saúde e o desporto.

Os têxteis inteligentes surgem como materiais aptos a sentir e a responder de maneira controlada ou prevista aos estímulos do meio ambiente, que podem ser de origem elétrica, térmica, química ou magnética. Como resposta a esses estímulos, estão as mudanças da forma, cor, volume e outras propriedades físicas visíveis. As inclusões de materiais termocromáticos e materiais que mudam de fase em estruturas têxteis resultam em novos conceitos de vestuário, que se têm usado para criar efeitos estéticos e funcionais em tecidos.

A nanotecnologia é uma área de investigação e desenvolvimento muito ampla e multidisciplinar que se baseia nos mais diversificados tipos de materiais (polímeros, cerâmicos, metais, semicondutores, compósitos e biomateriais), estruturados à escala nanométrica de modo a formar blocos de construção como clusters, nanopartículas, nanotubos e nanofibras, que por sua vez são formados a partir de átomos ou moléculas.

Através de nanomateriais, os fabricantes podem conferir novas propriedades aos têxteis dando-lhes, assim, uma nova funcionalidade. A nanotecnologia permite que os tecidos apresentem características especiais, como propriedades anti-bacterianas quando possuem nanopartículas ou nanofibras de prata, microcápsulas com agentes hidratantes, desodorizantes, repelentes de insetos, anti-humidade e anti-sujidade. O controlo de odores é, normalmente, conseguido através do uso de microcápsulas, que servem como recipientes minúsculos de substâncias. As substâncias, líquidas ou sólidas, são libertadas para a retenção de maus odores e/ou a libertação de fragâncias.

No mercado já se encontram casacos que monitorizam o batimento cardíaco, batas antimicrobianas, tecidos antialérgicos, edredões anti-ácaros e anti-odores, t-shirts com nanopartículas incorporadas, proteção UV, retardamento de chama, casacos térmicos e até blusões com telemóvel/ipod embebidos.

Na vanguarda dos têxteis inteligentes está o vestuário com eletrónica flexível embebida, por exemplo com integração de 'micro-chips”. As soluções baseadas em peças de vestuário com eletrónica, usualmente designadas como “wearables” constituem uma área em grande expansão e desenvolvimento. Têxteis com chips integrados podem medir os diferentes parâmetros de saúde da pessoa que o veste e transmite-os via telemóvel ou por GPS.

Um exemplo corresponde a um projeto financiado pelo programa COMPETE, “BIOSWIM - Sistema de Interface Corporal Integrada em Vestuário para Monitorização de Sinais”, para desenvolvimento de um fato sem fios que permite avaliar parâmetros biométricos e de desempenho dos nadadores de competição em tempo real.

O projeto pretende estudar a possibilidade de integrar sensores convencionais e sensores de base têxtil em materiais têxteis, tirando partido das suas propriedades para a realização de determinados fins como a monitorização de parâmetros do atleta. O fato é composto por diversos sensores colocados em zonas estratégicas para analisar parâmetros biomecânicos, fisiológicos e de desempenho do nadador, tais como: ritmo cardíaco, atividade muscular, acelerações dos membros, frequência respiratória e a posição do nadador.

Outro exemplo corresponde a cuecas que retêm urina e neutralizam odores, sendo a mais recente inovação da têxtil de Esposende “IMPETUS”, que já está a exportar aquelas peças para vários países. Designadas como “ProtechDry”, estas cuecas já estão certificadas como Dispositivo Médico. Foi o resultado do desenvolvimento e da implementação deste projeto em colaboração com a Universidade do Minho, apoiado pelo programa COMPETE, na sequência de candidatura ao QREN, a que correspondeu um investimento total de 4,8 milhões de euros.

A investigação, desenvolvimento e inovação em áreas da nanotecnologia podem contribuir para a realização de avanços na produção e utilização de nanomateriais em novos produtos e processos em várias áreas do tecido económico nacional. As novas soluções tecnológicas abrem, assim, novas perspetivas para a inovação e criação de novas oportunidades de negócios nas PME’s da indústria têxtil e no design da moda.

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