Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Não basta comer bem, é fundamental que todos comam bem

A Casa de Chocolate

Ideias

2015-10-21 às 06h00

Marlene Ferraz

Sabemos muito da importância duma alimentação saudável para o bem-estar biológico (e até emocional) de todas as criaturas vivas, mas este dia de celebração deve ser também de reflexão sobre os desajustamentos ainda evidentes no nosso planeta, com 2,1 mil milhões de pessoas com excesso de peso, ainda 925 milhões com fome e 1, 3 mil milhões de toneladas de desperdício alimentar (por ano). É urgente nos implicarmos (ainda mais) por uma distribuição alimentar mais justa e para combater o desaproveitamento.

O movimento RE-FOOD, também a ser alinhavado em Viana do Castelo, declara uma missão neste sentido - conduzido por cidadãos voluntários, tem como propósito maior a recuperação de comida em boas condições para alimentar pessoas com necessidade. É muito simples: agir para que todos tenham as refeições que precisam através da gestão dos preciosos recursos comunitários e com a meta utópica (mas obrigatória) de transformar o mundo num lugar melhor (feito de comunidades solidárias e atentas).

Podemos ainda lembrar que o 16 de Outubro, declarado Dia Mundial da Alimentação, tem vindo a ser celebrado desde 1981 e assinala a fundação da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), em 1945. As mudanças continuadas na sociedade, pela urbanização, industrialização e globalização, têm influenciado o padrão alimentar dos tantos países mas também de cada um de nós.

E porque a alimentação tem sido tão apontada como determinante na qualidade de vida, a Organização Mundial de Saúde afirma ainda que muitos dos casos clínicos (com diagnósticos de cancro, diabetes e outros) poderiam ser evitados se vivêssemos com estilos de vida mais saudáveis, o que sugere a prática de exercício físico, um padrão alimentar variado e equilibrado e a cessação dos hábitos tabágicos (e doutras substâncias psicoactivas).

Apesar de Portugal não ser dos países com maior número de refeições consideradas fast-food (comparativamente aos países nórdicos e norte-americanos), há observações que indicam um consumo excessivo de alimentos com elevada densidade energética (ricos em gordura, colesterol, sódio e açúcar), o que não satisfaz as recomendações para a maioria dos grupos da Roda dos Alimentos nem para os principais micronutrientes - parece haver um predomínio de carnes, cereais e bolachas em detrimento dos produtos mais frescos, como os hortofrutícolas, os lacticínios e as leguminosas. Investigações mostram ainda que os estudantes do Ensino Superior fazem as suas escolhas de acordo com o tempo disponível, a conveniência, o custo e o sabor.

Davy et. al. (2006) vieram ainda reforçar que os hábitos alimentares tendem a piorar durante o período de formação superior, com omissão de refeições (como o pequeno-almoço), falta de variedade nos alimentos ingeridos, consumo de alimentos com elevada densidade energética (tantas vezes usados como refeição principal), refeições fora de casa e ingestão de alimentos considerados fast-food.

Neste alinhamento, também por terras vianesas, temos o projecto Garfo Verde, proposto pelo Gabinete Cidade Saudável da Câmara Municipal (com outros parceiros locais) e que incentiva a oferta diária de refeições nutricionalmente ajustadas nos restaurantes aderentes do concelho, num respeito maior pelos princípios orientadores para a promoção da saúde na comunidade (declarados pelo movimento das Cidades Saudáveis da Organização Mundial da Saúde). Também o IPVC tem cuidados maiores nas ementas das cantinas e bares das Escolas Superiores.

E, provavelmente, outras iniciativas haverá para que os cidadãos deste município, dedicadamente aconselhados, decidam por uma alimentação sadia para que a máquina corporal funcione harmoniosamente hoje e amanhã. Poder-se-ia anunciar que comer bem nunca terá sido tão descomplicado. Mas não basta comer bem. É fundamental que TODOS comam bem.

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