Correio do Minho

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Não desperdiçar a retoma

Solidão

Ideias

2015-05-21 às 06h00

José Manuel Fernandes José Manuel Fernandes

As previsões económicas da Primavera de 2015 abrem horizontes positivos e geram boas expectativas. Há uma retoma da economia que se tem vindo a consolidar. As reformas estruturais e a promoção da responsabilidade orçamental começam a fazer efeito.
É evidente que também se está a beneficiar de uma conjuntura económica favorável, com os preços do petróleo a manterem-se em níveis relativamente baixos e o crescimento a nível mundial estável.
Mas insisto: há crescimento porque se reforçou a responsabilidade orçamental e se gerou confiança.
A acção do Banco Central Europeu tem sido muito importante. As medidas de flexibilização quantitativa que têm vindo a ser adoptadas originam um reflexo muito positivo nos mercados, contribuindo para a descida das taxas de juro e um aumento da oferta de crédito a particulares e especialmente às empresas.
Também a desvalorização do euro permite que as trocas comerciais entre a União Europeia e alguns dos seus principais mercados (China, Japão, Estados Unidos) continuem a aumentar, com a intensificação da procura dos produtos europeus nessas economias.
O emprego tem vindo a aumentar. Mas é necessário fazer mais. O actual crescimento é real, mas ainda relativamente modesto, não sendo previsível uma criação de postos de trabalho em grande escala no decorrer do corrente ano. Ainda assim, prevê-se que o desemprego na zona euro, bem como na restante UE, diminua ao longo do corrente ano, fixando-se numa média de 9,6% na Zona Euro e de 11% na UE, englobando assimetrias importantes entre alguns países que terão como expoente positivo a Áustria e negativo a Grécia.
No que toca à inflação, continuará a ser baixa ao longo de 2015, muito próxima do zero. Ainda assim, é expectável que durante o segundo semestre do corrente ano se assista a alguns aumentos dos preços no consumidor e que continuarão a fazer-se sentir ao longo de 2016.
Finalmente, é expectável que os défices orçamentais continuem a diminuir, fruto essencialmente de um maior dinamismo na actividade económica e também pelo efeito positivo da descida das taxas de juro sobre a dívida pública dos Estados-Membros.
Fruto de todos estes factores e condicionantes, prevê-se que para 2015 o PIB deva aumentar entre 1,8 e 2% na União Europeia e 1,5% na Zona Euro.
Tal significa um aumento relativamente às projecções anteriores, que apontavam para valores menos significativos.
Há, pois, boas notícias para a União Europeia face a um real crescimento económico já em curso.
Portugal fez uma recuperação notável. O aumento da procura interna e do consumo privado (2% em 2015),o aumento das exportações e a queda do desemprego que se deverá fixar nos 13,4% (12,6% em 2016) permitem prever que o PIB português, que em 2014 já crescera 0,9%, venha a crescer este ano cerca de 1,6% nas perspectivas mais moderadas e 1,8% em 2016.
Mas, infelizmente, nem todos convergem com a média da União Europeia. Em Portugal, fomos obrigados a fazer enormes sacrifícios, mas não desistimos e não desperdiçamos o esforço realizado. Hoje, crescemos e caminhamos pelo nosso próprio pé, vamos a mercados e pedimos empréstimos com taxas de juro que atingem mínimos históricos. A estabilidade política foi fundamental. Portugal “acertou”.
Na Grécia, estava previsto para este ano um excedente orçamental e um crescimento de 2,9%. Mas a instabilidade política trouxe umas eleições antecipadas que deram a vitória ao Syriza que, em poucos meses, desbaratou o trabalho e o esforço que os gregos tinham realizado. Em Março deste ano já a Grécia baixava as expectativas, prevendo um crescimento na ordem dos 1,4%, consideravelmente abaixo da anterior previsão (cerca de metade), denotando dificuldades que desde então se têm vindo a acentuar e que levam a que, na mais recente estimativa, os gregos já não se comprometam com um crescimento superior a 0,8% (sendo que a Comissão Europeia prevê que se fique pelos 0,5%). O Syriza prometeu o que não podia dar e com a sua actuação irresponsável está a afundar a Grécia. Já não haverá excedente orçamental e as taxas de juro voltaram a subir a pique. E a verdade é que a Grécia, depois de em 2014 ter conseguido aumentar o PIB (pela primeira vez desde 2007!) em 08%, está agora em recessão técnica e com o PIB outra vez em queda: -0,2% no primeiro trimestre de 2015. A Grécia “desacertou”.
As reformas estruturais e a responsabilidade orçamental devem prosseguir, para permitirem o reforço do investimento, o que trará mais crescimento e emprego. Os fundos europeus estão disponíveis, o denominado ‘Plano Juncker’ - que permitirá um investimento de 315 mil milhões de euros nos próximos 3 anos - estará pronto em breve. Precisamos de relançar o investimento, o que implica um reforço da confiança e a manutenção da estabilidade.
A retoma chegou. Não a podemos desperdiçar.

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