Correio do Minho

Braga, terça-feira

Não há outro lugar como o cinema

Dar banho às virgens

Ideias

2018-10-11 às 06h00

Vítor Ribeiro

O Close-up fundou-se na Memória, razão primordial do Cinema, com apadrinhamento de Abbas Kiarostami. O segundo episódio fez-se da ampla Viagem que nos trouxe ao Lugar, como se o olhar projetado naquela estrada fílmica do cartaz da edição anterior adivinhasse no horizonte o mote desta nova edição do Observatório de Cinema: um povoado de lugares, objectos de transgressão, paisagens construídas e ampliadas pela lente do Cinema. Será um episódio, acompanhado de réplicas, habitadas de lugares, de todos os lugares, lugares ora fabricados, ora preservados, pelo Cinema.
Na abertura e encerramento, filmes-concerto, momentos singulares de dar a ver importantes edifícios do Cinema com suporte de novas bandas-sonoras: Paulo Furtado, o seu Legendary Tiger Man, apresenta uma encomenda do Close-up, Os Lobos de Rino Lupo, obra maior do mudo português, alvo de restauro digital recente pela Cinemateca Portuguesa; David Santos, aliás Noiserv, volta a dar movimento ao Pamplinas Buster Keaton, e apresenta para famílias Sherlock Jr.

Na secção mote do Observatório de Cinema – o Lugar, cruzamos produção contemporânea com curtas portuguesas, incluindo animação e documentário, um diálogo à procura de relações: sítios e edifícios que procuram resistir à imposição do progresso, ofícios que as imagens procuram conservar, a insularidade como motor de criação de fábulas, ou como impelir a luz para dentro do (inóspito) lugar, para o humanizar, para encontrar outras histórias geradoras de memória. A natureza do lugar e o lugar da natureza: conversas - uma exposição de Fotografia e Vídeo da autoria da dupla Virgílio Ferreira & Ana Guimarães, responde ao desafio da Casa das Artes para, ao abrigo do mote do Close-up, habitar e dialogar com o foyer do Teatro Municipal.

A América Latina é a protagonista do Cinema Mundo, panorama diverso de latitudes e olhares, do México à Argentina, com cinco das seis obras a exibir sem estreia comercial em Portugal, onde se espelham as convulsões sociais e políticas da região. As Histórias do Cinema apresentam o clássico nipónico Mizoguchi, o fulgor e o humanismo da sua filmografia interceptada por conexões com alguns cineastas portugueses, com destaque para Paulo Rocha e com paragens em filmes de Pedro Costa e João Pedro Rodrigues.
A população escolar ocupa o coração do Observatório do Cinema, com a apresentação de dez sessões de Cinema para Escolas, para todos os escalões etários, incluindo sessões comentadas e oficinas, propostas que podem enriquecer os currículos da escola, sendo que metade delas se projectarão nos Agrupamentos de Escolas, incluindo no itinerário o Instituto das Ciências Sociais da Universidade do Minho. O protagonismo atribuído à dicotomia Cinema e Educação, permitirá à Casa das Artes acolher, durante a vigência do Close-up, o arranque do ano quatro do CinEd, programa europeu de educação ao cinema dirigido a jovens entre os 6 e os 18 anos que reunirá durante quatro dias todos os parceiros dos nove países envolvidos.

Conversas e concertos através do Cinema é a proposta do Café Kiarostami, nova rubrica de sessões no Café-Concerto, com as presenças do músico e tudo mais Manuel João Vieira, do geógrafo Álvaro Domingues, do critico e realizador Ricardo Vieira Lisboa e com espaço para uma mesa redonda, um painel que discorrerá sobre os estados gerais do Cinema e Educação.
O panorama de produção portuguesa, Fantasia Lusitana, revela o percurso através da curta-metragem de dois realizadores: Diogo Costa Amarante (Urso de Ouro em Berlim em 2017), com uma rectrospectiva de documentários concebidos aquando da formação em Barcelona, centrados na população migrante da Roménia, incluindo uma carta branca (com Agnès Varda) e Mário Macedo, entre a Croácia e Portugal, deambulando pelo cinema, fotografia e vídeo-clips, que acaba de completar a trilogia dedicada ao seu Tio Rui, que exibiremos na integra, onde encontramos a privação de liberdade, o envelhecimento e o regresso ao “mundo dos vivos”, sendo a terceira parte uma estreia, uma produção do Close-up.

O Cinema é também um lugar de cosmogonias e experimentação de realidades: Famalicão será, então, uma Cidade Cinema durante oito dias, num diálogo renovado com a comunidade, onde se juntam gerações e cruzam disciplinas e linguagens, há quarenta sessões para participar, dispostas em secções que comunicam e dialogam na chegada aos lugares do Cinema, incluindo projecções especiais e singularizando sessões com introduções e comentários de realizadores, jornalistas, investigadores e programadores: não há outro lugar como o Cinema.
Mais informações em www.closeup.pt

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