Correio do Minho

Braga,

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Nós Minhotos

A força do martelo

Ideias

2014-02-06 às 06h00

José Manuel Fernandes José Manuel Fernandes

O Minho, a nossa terra, é motivo de orgulho. É a região com a maior diversidade concentrada do Mundo, com uma identidade forte e uma vivência muito própria que a tornam única e a dotam de potencialidades e características ímpares. Nós, Minhotos, fomos abençoados pela natureza. O verde distingue-nos e somos presenteados com terras férteis, um clima único, a abundância de água, uma beleza inigualável. Temos o vinho verde - único no mundo - e o melhor alvarinho. Somos presenteados pelo Mar, rios de enorme beleza, paisagens paradisíacas. É aqui que podemos encontrar dos espaços naturais mais belos e ricos de Portugal, a que se junta a Peneda-Gerês, o único parque nacional que o país possui. O Minho tem uma enorme biodiversidade que, obrigatoriamente, devemos preservar.
Nesta imensa diversidade concentrada, a nossa alma minhota preserva as tradições, como provam as milhares de festas e romarias. As tradições são amarras, ligações ao passado, vivência do momento, segurança para o futuro.
Gostamos do despique e cantamos ao desafio. Dançamos com vigor e temos um folclore que nos distingue. Os lenços dos namorados são nossos e mostram a beleza do genuíno. São a prova de que o mais simples é não só o mais belo como o mais verdadeiro.
Às vezes, construímos demasiados muros à nossa volta, mas, quando o sino toca a rebate, somos solidários e generosos.
Nós, Minhotos, temos uma identidade própria. A nossa pronúncia é linda, temos expressões e palavras únicas, e o calão que usamos não tem maldade. O minhoto não se esconde, assume o seu ‘sotaque’, o seu gosto pelos pratos e doces regionais.
O Minhoto é trabalhador e nunca teve, nem tem, medo do desconhecido e de se aventurar pelo Mundo fora. A mulher minhota é decidida, bonita, inteligente, habilidosa, o pilar familiar. Ela é que decide, ainda que afirme que, lá em casa, “Não é o Lenço que manda mas o Chapéu!”
Temos espécies autóctones, carnes únicas e saborosas, uma excelente gastronomia.
O nosso património cultural, gastronómico, religioso arquitectónico é de uma grande valia.
Orgulhamo-nos do passado e temos provas dadas no presente, o que nos permite ter confiança no futuro.
Somos modernos, temos excelentes infra-estruturas, tecnologias de ponta, investigação de grande qualidade. Somos a região da tradição e do conhecimento.
Temos empresas de vanguarda que são líderes mundiais. Até mesmo em sectores tradicionais como o têxtil e o calçado, as nossas empresas dão o exemplo de como o nosso saber fazer pode vencer e ajudar-nos a ser mais fortes no mercado global.
E temos excelentes instituições de ensino superior, com reconhecimento internacional e qualidade comprovada pelos resultados de formação nas nossas 13 instituições de ensino superior que congregam 32 escolas e institutos que cobrem as diferentes áreas de formação, desde as Ciências, Saúde e Enfermagem, a Direito, Economia e Gestão, Engenharia, Arquitectura, Ciências Sociais, Educação, Letras e Ciências Humanas, Tecnologia, Filosofia e Teologia.
No nosso Minho, temos uma mão-de-obra cada vez mais qualificada. É de salientar as altas taxas de empregabilidade dos alunos que saem das nossas escolas profissionais, o que atesta a qualidade destas instituições - em 24 concelhos, temos 35 escolas profissionais e 12 escolas artísticas. Temos excelentes professores e escolas de grande nível, com distinções em diferentes con- cursos nacionais e internacionais, logo a partir do 1.º ciclo e com particular incidência nos 2.º e 3.º ciclos e secundárias, onde dispomos de 142 escolas de ensino oficial público e privado.
Em termos sociais, devemos relevar o trabalho das Instituições Particulares de Solidariedade Social (que no Minho ascendem a um total de 449 IPSS, que assistem 53.367 utentes e assumem uma insubstituível presença em todo o território).
Os nossos autarcas são de grande qualidade, com trabalho e mérito reconhecido. Os nossos jovens destacam-se aqui e fora de Portugal em todos os domínios.
Por isso, temos de fazer a pergunta: porque é que o nosso rendimento, o ganho médio mensal, o PIB por pessoa está abaixo da média nacional?
Temos de continuar a melhorar as nossas qualificações, a nossa produtividade e a competitividade.
Vamos lá fazer o nosso trabalho de casa, organizarmo-nos, trabalhar em rede. Ainda não descobrimos como podemos interligar as nossas mais valias e como podemos estruturar a variada oferta que possuímos.
Por outro lado, temos de nos unir, ter uma voz concertada e exigir justiça na repartição dos recursos financeiros, sejam eles do orçamento do Estado ou de fundos comunitários.
Somos humildes, pouco reivindicativos, e nem sempre valorizamos as nossas forças. E ainda não percebemos que representamos mais de 10% da população portuguesa. Na verdade, temos cerca de um milhão e cem mil pessoas repartidas pelos 24 concelhos dos distritos de Braga e Viana, com as 805 freguesias e as 505 juntas que resultaram da reforma administrativa.
Portugal precisa de um Minho Forte. Estou certo que, com as nossas raízes, a nossa alma minhota e a nossa modernidade, vamos conseguir.

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