Correio do Minho

Braga, quinta-feira

O 5º Poder

Diplomas em tempo de 130.º aniversário

Ideias

2011-04-10 às 06h00

Carlos Pires

1. Com o advento da tecnologia dos tempos modernos, a Comunicação sofreu mudanças vertiginosas. A Internet criou um novo paradigma na forma de as pessoas comunicarem e se relacionarem. No “Twitter”, no “Facebook”, no “Hi5” e em tantas outras redes sociais desenvolvem-se novas formas de expressão de amizade, intimidade, comunidade e poder.
A capacidade das redes sociais de catapultarem um anónimo qualquer para os corredores da fama e de organizarem uma campanha ou um protesto num abrir e fechar de olhos (como, de resto, aconteceu recentemente em Portugal) trouxe alterações profundas à organização da resistência política.  Não fez Obama grande parte da sua campanha através das redes sociais, sendo eleito pela maioria dos votantes americanos? Vejamos o caso mais recente do ditador da Tunísia: este foi derrubado em menos de um mês, após ter estado no poder ao longo de 23 anos.  Para conseguirem derrubá-lo, os opositores não utilizaram granadas ou G3; recorreram, pois, às ferramentas virtuais à disposição, conseguindo, através do Facebook e Twitter, que os manifestantes se organizassem, tomassem as ruas, recrutassem novos apoiantes e que as forças policiais e militares capitulassem - tudo isto à distância de um “click” no conforto do sofá, de forma anónima, imediata e sem custos acrescidos.
Em pleno arranque do século XXI, vejo, pois, as redes sociais como um “quinto poder”, a par dos clássicos três poderes do Estado democrático ( HYPERLINK 'http://pt.wikipedia.org/wiki/Legislativo' \o 'Legislativo' Legislativo, HYPERLINK 'http://pt.wikipedia.org/wiki/Executivo' \o 'Executivo' Executivo e HYPERLINK 'http://pt.wikipedia.org/wiki/Judici%C3%A1rio' \o 'Judiciário' Judiciário) e do “quarto poder”, surgido no século passado, a que corresponde o poder do jornalismo.

2. Mas afinal a que nos referimos quando falamos de rede social? Basicamente, trata-se de um grupo ou comunidade virtual, porque assente em plataforma de internet. O que importa reter é que nesse “lugar” virtual todos podem construir o seu pequeno reino e todos têm a sua oportunidade - de promoverem a discussão de assuntos pessoais e/ou profissionais; exposição de pontos de vista; partilha de valores, sentimentos, atitudes, comportamentos, “links” ou ficheiros multimédia, vídeos e imagens. Em suma: é a livre entrega à exposição pública, com todas as consequências que tal opção acarreta. Como nas redes sociais “reais” (do mundo físico), qualquer um que utilize uma rede social “na internet” deixa o seu próprio cunho e personalidade, permitindo que outros “tracem o rosto” à pessoa sem a conhecerem fisicamente. E grandes amores e ódios se constroem e destroem neste espaço, onde tudo e todos estão em permanente reciclagem, num “big brother” à escala mundial.
Neste sentido, a internet e suas redes sociais revolucionam e ampliam, de um modo até aqui totalmente inovador, a nossa rede de contactos pessoais. Esta é a sua grande vantagem: a possibilidade de encontrarmos as pessoas que estão “escondidas” no mundo real, muitas delas com amigos em comum, potenciando (des)vantagens para as nossas vidas.

3. Gostava muito de poder escrever aqui que tudo isto é inofensivo e que não há consequências nem perigos na utilização de redes sociais virtuais; porém, se o fizesse, estaria a mentir. Tal como em todas as relações que estabelecemos na vida, somos nós que temos que assumir e pagar pelos erros que cometamos. Daí que a forma como nos expomos, a falta de privacidade, o uso indevido dos nossos dados pessoais (incluindo fotos, moradas, contactos) podem trazer-nos algumas amarguras. Por muito que nos pareça conhecermos o “perfil” de quem está do outro lado, não deixamos de estar a lidar com uma personalidade “virtual”, que pode induzir em erro e ser prejudicial. Por outro lado, o fascínio por este novo e amplo mundo está a criar em muitas pessoas um vício compulsivo. Muitos ficam dependentes das redes sociais e esquecem-se do mundo-mundo, o físico, minando em muito o seu real desenvolvimento social e intelectual. Trocar-se um encontro de amigos para se ficar conectado a entretenimentos (v.g. jogos) que o “Facebook” proporciona é algo de insólito e grave, que pode despoletar uma pulsão antissocial - ao invés do que era suposto acontecer no âmbito de uma “rede social” - o que, como tudo o que entra no âmbito da patologia, deve ser tratado.

4. O primordial, como em tudo o que nos rodeia, é manter-se uma relação de equilíbrio e evitar-se excessos. E é claro que a vida real é sempre a mais importante, não devendo nunca ser substituída pela virtual. Podemos concluir que as redes sociais “na internet”, se usadas na proporção certa e com os devidos cuidados, podem constituir uma poderosa ferramenta, a qualquer nível - pessoal ou profissional.
No meu caso, confesso que me sujeito aos riscos que acima mencionei. Confesso que gosto do “Facebook”; que me divirto bastante, recolho e partilho informações, dialogo com os meus amigos, o que me faz sentir muito próximo dos que estão geograficamente distantes. E crio novas “amizades” também. Se o “Facebook” trouxe um novo conceito de estabelecer e conceber relações, então porque é que havemos de ficar de fora?

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