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Ideias

2019-10-13 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

É natural que o senhor Silva tenha alguns amigos, assim como se pode prever que passeie rancores e traga inimizades apertadas num cubículo do coração. Balanço banal, dir-se-á, visto que todos nós temos predilecções e, se uns apoucamos com as parcialidades a que possamos deitar mão, já outros exoneramos de pecados, libertando-os sem penitência ou exigências de nojo dilatado.
Entre as afeições do senhor Silva não se contará um certo cavalheiro, saído por baixo em recente eleição de parlamentares. Penso que a osga do senhor Silva ao cavalheiro Rio seja de molde a beneficiar o segundo, por paradoxo de reacções, como quem adormece e sonha, angelicamente, em cima de xícara de café bem carregado.
Escusamos de nos interrogar sobre como correu o pleito eleitoral ao cavalheiro Rio – a dimensão da derrota será sempre discutível, sendo que os maiores detractores do homem batalharão, até ao Juízo Final, insistindo que o Costa era derrotável, e que só por má estratégia e manifesta falta de jeito é que o peralvilho da Invicta não deu conta do recado.
Na cédula de inaptidão do social-democrata, outros, dos sofisticados, inscrevem a falha clamorosa no biscate de federar as direitas – termo a que recorro por mera convenção e uso corrente. Há quem o inculpe pelo aventureirismo suicida da senhora-dona Cristas, pelo enterramento in vivo de um Lopes, modesto aprendiz de um Sebastião de todos os tempos, pela alforria dos génios do liberalismo e do populismo de extrema-direita. Há lá Hércules que aguente com tanto fardo!

Quão retumbante é uma diferença percentual de 9%? Ou de 4,5%, na minha pacata contabilidade, que é quanto basta que um perca e o outro ganhe, para que fiquem a par. Continuará o PS em rota de crescimento? Sim, se governar com acerto. Não, se der em asneirar com afinco. E o PS é dado à asneira? Não, segundo um Sócrates de boa memória.
Rio não colhe, de acordo com o senhor Silva, não agrega, não galvaniza, não catapulta o beatífico PSD às glórias de outrora, cujas, muito justamente, o jubilado Silva a si inscreve. Rio não serve para herdeiro, já a Luisinha é outra loiça – corajosa, assertiva, resoluta. Deus me livre!
O senhor Silva, que nunca foi político, no seu transparente ver, porque isso das políticas é peçonha, presenteou-nos com uma lúcida imagem do que diz que não é, mas é, vale dizer do trocotintismo que alça o português aos arames. Gorjeia, o melro, em gaiolão de marquise, e logo um corvídeo lustroso desembesta dos baldios do olvido, crocitando disponibilidades honrosas para todo o serviço, desde que o servido seja ele, mais os da súcia aventaleira. É ver quem morde o isco.
Com as esquerdas vergadas ao PS, salmodiam, as carpideiras, que o PSD só se safa se emulsionar energicamente as direitas, à força do turbilhão de vergastadas que distribua à esquerda. Que a ideia de disputar o centro-esquerda ao PS é esdrúxula, visto que os do Rato já lá estão, e de lá não saem. Ora, tudo verdades por demonstrar e eivadas de falácia, e se o cavalheiro Rio, no seu séquito, não tem quem as desmonte e lhe faça revisões diárias de dialéctica, então o melhor é meter viola ao saco.
Rio nunca ganharia, Montenegro nem adubado ganhará. A direita que alguns ficcionam não tem votos para eclipsar a esquerda sociológica. Em Portugal não há base nem razão para uma transferência de votos à francesa. Rio sabe que é ao centro que tem que se afirmar e, não sendo dado a blefes eleitoraleiros, só no esmiuçar meticuloso das costices é que vai lá. Se não tem equipe, que a arranje.

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