Correio do Minho

Braga,

- +

O cartão vermelho é para os infractores

O amor nos tempos da cibernética

Ideias

2014-03-20 às 06h00

José Manuel Fernandes José Manuel Fernandes

O fogo da dívida ateado por José Sócrates e seus acólitos alastrava. Havia danos claríssimos, mas o Governo em estado de negação insistia que estava tudo bem. Até que ficou claro que já não havia dinheiro para pagar salários, nem pensões, e que os juros a que nos tínhamos de financiar eram incomportáveis.
Chamámos de emergência os bombeiros, a Troika.
O fogo neste momento está apagado e na fase de rescaldo, mas fez vítimas. Como sempre, não foram os bombeiros os culpados. O culpado foi quem podia ter apagado a fogueira, arrepiado caminho, mas não o fez. A culpa principal tem um rosto: o Partido Socialista liderado pelo Engenheiro Sócrates, com a sua irresponsabilidade, o seu desgoverno e as promessas fáceis, como as scuts, as parcerias público-privadas, as escolas de 25 milhões que podiam ter sido feitas por 5...
O pedido da ajuda externa foi feito à última da hora e após um ano de alertas consecutivos por parte de Bruxelas, dando origem a um memorando de entendimento que foi criticado pelas metas e objectivos irrealistas, baseado em dados estatísticos que não estavam correctos.
Os portugueses estão a fazer um esforço enorme e, neste momento, o mínimo que podemos pedir é que não haja reacendimentos.
Começamos a sair do buraco. Os sinais são claros: as taxas de juro das obrigações públicas a 10 anos desceram pela primeira vez desde Abril de 2010 para valores inferiores a 4,5%, as metas de crescimento têm sido surpreendentes e revistas em alta consecutivamente (espera-se para 2015 um crescimento de 1,2%, e não 0,8% como estava previsto inicialmente, e o crescimento do último trimestre de 2014 surpreendeu registando um aumento de 1,7% em relação ao trimestre homólogo). O desemprego desce de forma consistente desde Janeiro de 2013, tendo ficado nos 15,3% em Janeiro de 2014. E as exportações, um dos grandes motores do nosso crescimento, subiram 5% em 2013, tendo tido o sexto melhor desempenho entre os países da União Europeia.
O Caminho é ainda longo mas já se vê a luz ao fundo do túnel.
Graças à credibilidade do nosso Governo e ao esforço indiscutível dos portugueses, o memorando desenhado pelo Partido Socialista foi revisto. Na verdade, renegociámos as taxas de juro que inicialmente eram de 4,7% para 3,4%, o que permitiu uma poupança de 5,4 mil milhões de euros. Para além disso, conseguimos a extensão das maturidades da dívida e a redução do peso da dívida pública. O esforço dos portugueses não pode ser agora deitado fora.
Por isso, é evidente que o Governo nunca poderia subscrever ou apoiar o ‘Manifesto dos 70’ que defende a reestruturação da dívida. Se o Governo tivesse embarcado neste discurso, tinha sido o desastre! As taxas de juro, que desceram significativamente, disparariam de imediato. Tal corresponderia a actuar contra o interesse de Portugal e a brincar com os esforços que os Portugueses fizeram.
Portugal continua a precisar de financiamento externo e, a dois meses do fim do programa, nunca se poderia passar a mensagem de que, afinal, não conseguimos pagar a nossa dívida!
Estou convicto, e sempre aqui o afirmei, que precisamos de mais partilha e solidariedade na União Europeia. Por isso, defendo os Eurobonds, soluções de partilha e responsabilidade da dívida de cada Estado-Membro da Zona Euro. A solidariedade deve ser útil a todos e sê-lo-á quando aplicada de forma plena e empenhada. É evidente que haverá viabilidade nos Eurobonds quando tal implicar ganho para todos, em vez de algum prejuízo para alguns. Mas, para traçar este caminho, tem de haver vontade de todos os Estados interessados.
O caminho da responsabilidade que se está a trilhar ao nível da Governação Económica vai tornar possível que a partilha da dívida seja uma realidade.
Portugal precisa de crescimento económico, aumentar o emprego, apoiar os mais pobres. Todos os partidos deviam estar implicados neste objectivo e no caminho a seguir para concretizá-lo. Todos somos importantes para que Portugal utilize bem os 11 milhões de euros que vai receber por dia até 2020.
Mas os grandes responsáveis pela situação a que chegamos não apresentam soluções alternativas, não querem consensos e limitam-se à retórica. Uns defendem a reestruturação da dívida e associam-se ao Manifesta dos 70. Outros, como António José Seguro, utilizam o termo renegociação. Só que, afinal, a renegociação foi aquilo que o Governo já fez e quer continuar a fazer!
São os mesmos que diziam que teríamos uma espiral recessiva, quando temos crescimento. E que teríamos desemprego elevado, quando está a baixar. Estão desapontados porque, afinal, se enganaram.
Também são os mesmos que pedem ao povo para dar um cartão amarelo ou vermelho ao Governo numas eleições que são para elegermos deputados ao Parlamento Europeu. Os mesmos que se recusam a consensualizar o futuro do país e não apresentam propostas alternativas.
Não podemos premiar quem nos colocou no buraco e foi a causa dos sacrifícios. O cartão vermelho dá-se a quem faz a falta, não a quem a sofre e a está a remediar!
Os portugueses têm memória e não vão beneficiar os culpados, que já estão a tentar o regresso. O Eng Sócrates vai participar na campanha das europeias e os seus acólitos estão incluídos nas listas.
Os pirómanos fazem tudo para regressar ao local do crime.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

12 Agosto 2019

Penso logo opino

02 Agosto 2019

Privilégios docentes

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.