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Braga, quinta-feira

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O Cinema e o Plano Nacional de Cinema (PNC)

Costa e os ratos

O Cinema e o Plano Nacional de Cinema (PNC)

Voz às Escolas

2019-11-04 às 06h00

Hortense Lopes dos Santos Hortense Lopes dos Santos

O cinema é a arte de contar histórias através de imagens em movimento e do som. Num mundo em que a oferta de conteúdos ultrapassa em muito os limites da percepção humana, em que a voracidade do consumo impede a reflexão, é urgente ter ferramentas que permitam conseguir ver para além daquilo que a globalização oferece indiscriminadamente.
Como “arte total” o cinema é capaz de assimilar, re-problematizar estéticas, práticas e poéticas de outras artes. A sua importância é inegável. O cinema tem um efeito sobre nós, faz-nos sentir e reflectir sobre a nossa própria vida. É uma fonte de emoções, de pensamentos, de experiências. Os filmes não mudam o mundo, não o podem fazer, mas nós podemos e há filmes que nos podem encorajar a fazê-lo.
O Plano Nacional de Cinema (PNC) é uma iniciativa conjunta da Presidência do Conselho de Ministros, através do Gabinete do Secretário de Estado da Cultura, e do Ministério da Educação, pelo Gabinete do Secretário de Estado, conforme despacho nº 15377/2013, publicado no Diário da República, de 26 de Novembro de 2013, e operacionalizado pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual, pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e pela Direção-Geral da Educação.

O PNC está previsto como um programa de literacia para o cinema e de divulgação de obras cinematográficas junto do público escolar, garantindo instrumentos essenciais de leitura e interpretação de obras nacionais ou internacionais, de modo a que os alunos abrangidos pelo mesmo vejam e valorizem o cinema como arte e património cultural.
O Agrupamento de Escolas Carlos Amarante integra o PNC, praticamente desde o início, com várias iniciativas, assim diversificando o nosso Plano Anual de Atividades.
A participação do PNC nos projetos do Agrupamento passa pela cedência dos filmes que são apresentados. Neste âmbito, tivemos sessões de cinema para os nossos alunos, em sala de aula ou auditório, com a presença de atores e/ou realizadores dos filmes visionados, levando a reflexões sobre os filmes e partilha de experiências. Também tivemos sessões de cinema no Theatro Circo com a presença de alunos do segundo e terceiro ciclo até ao ensino secundário. As visitas de estudo também aprofundaram os temas tratados.

Este ano, a coordenadora do projeto no Agrupamento, Fátima Brandão, propôs complementar o plano de atividades com mais iniciativas e levar o cinema para fora da escola. Há que realçar que estas iniciativas só são possíveis com apoio e a participação de outras entidades e mecenas como parceiros culturais e educativos.
Assim, teremos em Braga uma extensão do Porto /Post/Doc: Film & Media Festival, evento com grande implementação na cidade do Porto. Esta extensão, possível com a disponibilidade do programador Dario Oliveira, é um festival de cinema, organizado em parceria pela nossa equipa do PNC, em colaboração com o Espaço Vita e o patrocínio da DST.

Estas sinergias tornaram possível o DOBRA, Festival de Cinema Documental de Braga, a decorrer no Espaço Vita, nos dias 25 e 26 de Novembro. O DOBRA consiste na realização de nove sessões de cinema, sendo oito para o público escolar, desde o jardim de infância até ao ensino secundário e uma para o público adulto. O Dobra não pretende apresentar o cinema apenas como uma "ferramenta educativa", mas sim como uma necessidade. Todos nós precisamos de cinema. Independentemente  da idade, todos retiramos algo das experiências de outros, que alteram a nossa vida e a nossa percepção da realidade.

Como tal, o Dobra irá partilhar com o público das escolas várias histórias: desde a “Viagem a Cabo Verde” de José Miguel Ribeiro, até uma história de amor e amizade em "Transnistra", onde a bandeira ainda inclui a foice e martelo da antiga URSS; terminando com o filme sobre a vida de um grupo de jovens num campo de refugiados no Sahara em "Hamada", de Eloy Domínguez Serén (Filme vencedor do Prémio Companhia das Culturas/Fundação Pereira Monteiro para o melhor realizador da Competição Internacional entre autores emergentes do Porto/Post/Doc 2018). Esta sessão, para o público em geral, contará com a presença do realizador.
Durante dois dias, o Dobra vai fazer sonhar, viajar, contemplar, gravar imagens de gestos, de movimentos, de silêncios, de espantos. Será também um exercício de atenção, de reflexão que, posteriormente, será filtrado pela mente de cada espetador e transformado noutro “filme”.
Espera-se que toda a comunidade educativa abrace esta iniciativa comparecendo nas sessões marcadas.
A todos os envolvidos, a direção do Agrupamento agradece o patrocínio, o empenho, a dedicação que permitiram levar para diante o DOBRA.

Texto com a colaboração da prof. Fátima Brandão Sá

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