Correio do Minho

Braga, terça-feira

O desgaste dos sindicatos

Estádio de sítio

Escreve quem sabe

2019-01-18 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha

Afirmei, no começo do ano, neste jornal que o governo estava acossado pelas greves e pela agressividade sindical. Tudo indicava que os sindicatos estavam a aproveitar as boas notícias na frente económica, bem assim como o ciclo político para aumentar as reivindicações salariais. Parecia ser, sob o ponto de vista sindical, uma estratégia adequada a confrontar o governo, ansioso por uma maioria absoluta que lhe permitisse governar sem os constrangimentos dos parceiros parlamentares. Também não é de excluir o apoio do PC e do BE, bem assim como da direita, já que muitos sindicatos que se afirmam independentes são na realidade de direita; basta lembrar a luta dos enfermeiros, a qual é liderada pela bastonária, quadro político importante do PSD.

Porém, a última sondagem do Expresso demonstra que António Costa não perderá eleitorado neste braço de ferro com os sindicatos. Assim, e no que especificamente respeita aos professores, 42.5% dos inquiridos concorda com a proposta do governo; 25% é de opinião que não se deve dar nada; e só 16.9% concorda com as reivindicações dos professores. Isto é, Mário Nogueira e os restantes sindicatos dos professores ( 23 neste momento ) estão a perder, de forma progressiva, a batalha da opinião pública, pese embora o apoio dos meios de comunicação social.
E se examinarmos outras greves, como as da área da saúde, transportes, justiça, verifica-se que só têm o apoio de 22.3% dos inquiridos, o mesmo é dizer da população. Mas também a contestação inorgânica dos coletes amarelos tem a oposição de 75.6% dos portugueses.

O que concluir? A primeira constatação é que os sindicatos escolheram uma estratégia errada e se não querem desgastar-se mais, como aconteceu em outros países, têm que reciclar-se. Por outro lado, a estratégia do governo parece resultar. Apesar disso, o PS vê afastar-se a maioria absoluta e a oposição desce nas intenções de voto.
Como explicar este fenómeno político? Os clássicos da Teoria do Processo Político (Ver Cobb e Elder, 1983) defendem que quando um governo se vê confrontado com fatos políticos reivindicativos que ocupam a agenda, ou ataca, denegrindo o conteúdo das reivindicações e dos seus líderes, ou aceita, negociando.

Uma terceira estratégia, que me parece ser a seguida, consiste na cooptação dos símbolos, isto é, em dar razão, mas mostrar-se impossibilitado de o concretizar, ou ainda adiar o processo de decisão.
Esta estratégia desarma as reivindicações, pese embora o apoio e abertura da comunicação social que se tem manifestado contra o governo, mas não traz dividendos eleitorais de imediato. Parece-me que é o que está acontecer no sistema político português.

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