Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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O Distrito de Braga surpreendeu

As vivências da emigração portuguesa nos palcos do teatro

Ideias

2013-10-03 às 06h00

José Manuel Fernandes José Manuel Fernandes

É a primeira vez que, neste espaço de opinião, falo do Distrito de Braga no que diz respeito a eleições ou análise política com implicações partidárias. Considero que esta excepção se justifica. Procuro falar de factos, mas, ao escrever este texto, assumo-me potencialmente suspeito, uma vez que sou militante do PSD e estive envolvido e empenhado nas eleições autárquicas do passado domingo. Como é público, fui mandatário de Ricardo Rio, presidente da comissão de honra de António Vilela e participei num comício memorável de António Cardoso em Vieira do Minho.

As eleições autárquicas são aquelas que têm o maior número de candidatos, transformando-se sempre num hino à democracia, e geralmente traduzem-se numa maior participação e mobilização quando comparadas com as outras eleições.
Aproveito para saudar todos os vencedores e vencidos, pois todos contribuem para o reforço da democracia e para se fazer o melhor pela nossa terra.

Nestas eleições, não se registaram grandes surpresas em termos nacionais. Mas o Distrito de Braga surpreendeu, ao contrariar a tendência nacional de natural penalização do Governo. Na verdade, enquanto no país o PSD perdeu câmaras, no distrito de Braga o PSD somou as câmaras de Braga e de Vieira do Minho às de Vila Nova de Famalicão, Vila Verde, Póvoa de Lanhoso, Esposende e Celorico de Basto.
Note-se que, no distrito de Braga, o PSD e o CDS - partidos que estão no governo - tiveram cerca de 23.000 votos a mais que o PS!

Face à execução do memorando da Troika, aos níveis de desemprego, às dificuldades das empresas e problemas sociais, este resultado, no Distrito de Braga, é muito relevante e significa que tivemos excelentes candidatos.
No Distrito de Braga, os grandes vencedores são Ricardo Rio, Paulo Cunha e António Cardoso.
Ricardo Rio teve um excelente resultado ao conseguir a maioria de mandatos na Câmara Municipal e mais 13.245 votos que a lista do PS liderada por Vítor Sousa.

Os bracarenses validaram as propostas de Ricardo Rio e reconheceram a sua competência, seriedade, dedicação e persistência. Deixo aqui uma palavra de apreço e um abraço para o Vítor Sousa que, de uma forma elevada, deu o seu máximo. Estou certo que nenhum outro candidato que concorresse pelo PS teria melhor resultado. Nestas eleições, há um enorme mérito pessoal de Ricardo Rio que o tornava imbatível.

Mas há um outro grande vencedor: Paulo Cunha, em Vila Nova de Famalicão. As sucessões são ainda mais difíceis quando se substituem líderes carismáticos, como era o caso de Armindo Costa. Mas, na verdade, Paulo Cunha superou o resultado do PSD de 2009 ao obter 58,55% dos votos e mais cerca de 24.500 votos que o PS, num concelho que não é propriamente favorável ao PSD.

Ricardo Rio e Paulo Cunha são dois presidentes para 12 anos de governação à frente dos respectivos municípios. A região vai beneficiar das suas forças e competência. Estou certo que vão afirmar a nossa região do Minho. Portugal não é Lisboa e o Porto não é o Norte!
Registo ainda a vitória de António Cardoso em Vieira e a margem confortável com que reconquistou a Câmara ao PS.

É ainda de registar que as candidaturas independentes ameaçaram as câmaras lideradas pelo PS em Cabeceiras de Basto e em Fafe, onde o PS ganhou sem maioria, o que resultou de excelentes resultados das listas de independentes aí concorrentes. Note-se que em Fafe a vitória do PS foi por 20 votos sobre os independentes! Em Amares, os independentes perderam a Câmara para o PS, que ganhou sem maioria. Aqui, foram os independentes que viram a Câmara regressar ao PS.

Há quem considere as candidaturas independentes como uma ameaça, um perigo para os partidos. Eu considero-as uma lufada de ar fresco, uma válvula de escape, úteis à democracia e aos partidos, pois vai obrigá-los a olhar para além das suas paredes internas, a abrirem-se e a renovarem-se. Vão ajudar a combater o autismo político de candidatos e de direcções partidárias que não conseguem ver o óbvio. Em muitos concelhos e freguesias deste país, não se escolheram os melhores, mas aqueles que as máquinas partidárias impuseram. Não admira, por isso, o sucesso de algumas candidaturas independentes.

Em termos nacionais, o PSD perdeu. No entanto, o PS teve uma vitória de Pirro. Na verdade, o PS teve menos votos do que em 2009, tendo perdido mais de 270.000 votos. O CDS/PP, apesar de também ter perdido votos, passou a ter 5 câmaras. O Bloco de Esquerda, ao perder mais de 46.000 votos, a única câmara que tinha, Salvaterra de Magos, ao não eleger o seu líder para vereador em Lisboa e ao obter pouco mais de 120.000 votos, é o grande derrotado das eleições.

O grande vencedor em termos nacionais é o PCP, uma vez que foi o único partido a subir em termos de votos e de mandatos.
Termino afirmando que continuo um municipalista convicto e sei que a esmagadora maioria dos agora eleitos vão cumprir a sua missão e estar à altura dos sonhos e anseios das populações que representam.

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