Correio do Minho

Braga, quarta-feira

- +

O Franchising como instrumento para a expansão do setor do comércio

As zonas rurais, os desafios do presente para preparar o futuro

Escreve quem sabe

2015-09-18 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

Durante as últimas duas décadas o Franchising em Portugal foi encarado, sobretudo, como uma alternativa muito interessante para quem queria iniciar um negócio, que, ao invés de trabalhar sozinho, preferia fazê-lo integrado numa rede.

Na atualidade este é a perspetiva de quem pensa pequeno. Agora, são cada vez mais os empresários a olharem para o Franchising como um instrumento que possibilita uma mais rápida cobertura do mercado com um menor custo de investimento. Em termos práticos, é deixar de olhar para o Franchising do ponto de vista do franchisado para a passar a ter a perspetiva do franchisador.

Em Braga temos hoje algumas concept stores criadas e desenvolvidas por bracarenses que podem encontrar neste formato de comércio a chave para a expansão e a internacionalização do seu negócio.

De uma forma simplista, o Franchising assenta numa parceria através da qual uma empresa, cum um formato de negócio já testado, concede a outra empresa o direito de utilizar a sua marca, explorar os seus produtos ou serviços, bem como o respetivo modelo de gestão, mediante uma contrapartida financeira.

O sucesso desta fórmula passa por associar a experiência e notoriedade de uma empresa instalada no mercado, e com sucesso comprovado, à motivação e ao capital de pessoas interessadas em ter o seu próprio negócio mas que não queiram começar um conceito do zero.

Iniciar uma rede de Franchising é um processo relativamente complexo, que, provavelmente, exigirá o apoio de especialistas externos, mas que pode ser sintetizado em 9 passos fundamentais1:
1 - Registar a marca
Deter uma marca registada é uma condição fundamental para se poder avançar para o Franchising. A marca deve estar registada no(s) país(es) em que se pretende atuar.
2 - Definir o conceito e testá-lo
O conceito é a fórmula de sucesso do negócio. Deve ser objetivo e estar bem identificado. A criação de uma unidade piloto é fundamental. É aí que que o franchisador deve testar o conceito, pelo menos durante um ano, antes de decidir franchisá-lo. Funcionará como um laboratório para testar e adaptar processos, testar o lançamento de novos produtos e avaliar a evolução do conceito.
3 - Estudar o mercado
A decisão de franchisar só deve ser tomada depois de uma exaustiva avaliação do mercado. Ao tornar-se franchisadora, a empresa assume um compromisso de longo prazo com os seus parceiros, logo tem que ter capacidade para garantir que o negócio em que apostou se vai rentabilizar.
4 - Transmitir o saber-fazer
O franchisador tem a obrigação de transmitir ao franchisado know how do seu negócio, nomeadamente a forma de o gerir. Só desta forma lhe pode garantir que, ao seguir as mesmas regras, poderá obter resultados idênticos. Os manuais devem ser o mais exaustivos possível e divididos em tantas secções e procedimentos quantos aqueles que compõem o negócio.
5 - Provar a rentabilidade do negócio
Outras das obrigações de quem franchisa passa por fazer prova da rentabilidade do negócio. Não se deve angariar franchisados só com promessas. Tem que se lhe mostrar dados reais, baseados em factos.
6 - Rever a estrutura da empresa
Ao avançar para criação de uma rede de Franchising, o franchisador deve estar ciente de que o franchisado é um parceiro e não um empregado. Para tal, vai ter que alterar a sua forma de pensar, de agir e a forma como está estruturada a empresa. Abrir uma unidade franchisada não é o mesmo que criar uma filial e o franchisado vai certamente - até porque é seu direito - exigir apoio permanente. A evolução da estrutura franchisadora pode e deve ser gradual: a empresa deve ir-se adaptando às necessidades que a própria rede for criando. O franchisador precisa de dispor de um budget que lhe permitam manter o conceito vivo e dinâmico.
7 - Analisar a viabilidade
Reunidos os requisitos base, é altura de avaliar a viabilidade do negócio. Esta análise tem como finalidade determinar, em detalhe, as caraterísticas do conceito, tendo em conta as condições de exploração da empresa e as particularidades do modelo de negócio a adoptar. É a chave que permite o desenho completo do projeto e a base indispensável ao desenvolvimento documental posterior.
8 - Formatar o negócio
Terminado o plano de viabilidade é tempo de passar tudo ao papel. A base documental deve conter os manuais: operacional; relacional; de gestão; técnico; de adequação aos locais; de identidade visual, bem como o contrato de Franchising - a peça final que deve espelhar com exatidão a relação entre franchisador e franchisado. Convém que seja elaborado por um advogado especialista, com base nas condições legais e relacionais que foram definidas no plano de viabilidade.
9 - Divulgar
Terminada a formatação, é tempo de apostar na divulgação do negócio.
1Fonte: http://www.pmelink.pt/

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.