Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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O império da intrujice e do folclore

Portugal de pernas para o ar!

Ideias

2016-11-18 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Há uns anos passou pelas nossas salas de cinema, e com fortes aplausos, o filme ‘O império do Sol’, testemunho de uma realidade grandiosa e magnificente de um passado nos confins dos tempos e da Ásia. Um filme que muitos dos leitores ainda evocarão nas suas cenas mais marcantes e no desenrolar de todo um enredo avassalador, mesclado de história e dominado pela grandiosidade majestática das personagens e multiplicidade flamejante e pormenorizada dos décors, paisagens e locais. Hoje, ante os nossos olhos e pelas “salas de cinema” das nossas vidas, tem-se vindo a desenvolver e a desenrolar, desdobrando-se num alargado estendal de factos, casos e personagens, um outro e muito perverso filme, o do ‘Império da intrujice e do folclore’.
Um filme, diga-se, que se tem vindo a estender no tempo e por várias “dinastias” de políticos, economistas, banqueiros e nefandos oportunistas, que aliás têm provocado efeitos bem perversos e nefastos no viver de todo um povo, abalando e destruindo os mais nobres e tradicionais sentimentos da honra, da honestidade, da verdade, do valor da palavra e dos bons costumes, afectando mesmo todo um mundo de tradições ancestrais, de vincado valor ético e de sadias morigeração e moralidade de vida em sociedade. Um filme que não é mais do que um testemunho vivo da triste e infeliz realidade dos nossos dias, e de todo um conjunto de actos, atitudes, posições, interpelações e interpretações de arrepiar, em que avultam os compadrios e as amizades, dominam os mais esconsos interesses, vingam os jogos do poder e pontificam as misérias dos malabarismos, dos truques e da mentira.
Uma mentira que se tem vindo a enraizar no tempo e até já ganhou contornos imperiais e majestáticos ao longo das várias dinastias de políticos que “desgovernaram” e se “serviram” do país, com a política, ou “pulhítica” como outros com muita propriedade dizem, a alargar-se, a estender-se e a imiscuir-se em tudo o que ainda mexe neste país de “cativos”, de que já falava Camões, e que o “literato” e “poeta” Centeno teve a gentileza de evocar (íamos escrever «inteligência» mas receamos qualquer convencimento...). Em que “cativos”, neste reinado de D. Gericonso I, o Sorrisos, somos todos nós, portugueses, estúpidos e crédulos, que temos vindo a ser, diga-se sem receio de contradita, intrujados e aldrabados pelos políticos que invadiram o poder ou “fazem” de oposição, todos eles, aliás, uma subespécie perigosa e irritante de ácaros que, invadindo e infestando tudo e todos, vêm determinando os mais insuportáveis e incómodos uredos e causando as maiores dores de cabeça. Curiosamente há dias, e nem de propósito, numa telenovela brasileira em que se discutia a personalidade, maneira de agir, estilo, poder de sedução, falsidade, manhosice e perigosidade de uma nova figura surgida na trama, a discussão acabou de imediato quando foi dito que era um “político”, enfaticamente se exclamando: «Político?... Ah!... Então é mesmo muito perigoso!...».
Mas concorde-se ou não com o remate conclusivo de tal converseta de telenovela, ou com a assertiva afirmação de que a política padece dos humores do vento, como também se ouviu, a grande verdade é que desde há uns tempos se radicou em Portugal todo um clima de mentira, intrujice, desonestidade e aldrabice, aliás tão visível e palpável que nem os media mais “arregimentados” e “de serviço” conseguem esconder ou alapar, avançando com nomes, situações, factos e dados concretos de figurões no activo, ou já a viverem da “reforma” da política, que passaram e vêm passando os dias desta “merdiocracia” de braço dado com a mentira, a falsidade, a aldrabice, a corrupção, o peculato e fazendo vingar e valer o compadrio e o amiguismo, partidários ou de facção. Umas vezes, diga-se, emoldurando a intrujice com alguns dourados e arrebiques, outras embrulhando-a num palavreado balofo, ardiloso, eleiçoeiro, caviloso, e cheio de truques, escamoteando-se a verdade e negando-se a realidade.
E tudo isto desde há anos e no decurso de muitos outros “reinados”, diga-se, sendo de recordar aqui, gratuitamente e sem qualquer enunciação concreta, até porque tal exigiria um iname esforço e incomensurável, o alongado rol das figuras e figurões imperdíveis e bem conhecidos que têm sido temas de badalação nos media, Jornais e TVs, e assunto e querela de painelistas e comentadores nos “Prós e Contras”, “Eixos do Mal”, “Quadraturas de Círculo” e programas quejandos, eles próprios já “arregimentados” para o mundo folclórico das vivências políticas e politiqueiras do país e resposta adequada e pronta a esconsos interesses, a certos lobys e a outras facções. Aliás, com pertinência a tal matéria, abstemo-nos de referir quaisquer nomes de políticos, governantes, economistas, banqueiros, magistrados, autarcas e muitas outras personalidades abastardadas e oportunistas, porquanto a lista seria tão extensa que era manifestamente inviável e impossível fazê-la. Do passado ou ainda no activo, com processos na justiça, à espera de decisão final e até de sua instauração, que se perfilam como cabal exemplo da intrujice e aldrabice com que se serviram do país, se “governaram” e vão “governando“, neste Império em que tão só campeiam e vingam sorrisos cínicos e de fachada, aplausos calculados, mentirosas simpatias e aldrabices pegadas, sempre rodeadas e acompanhadas por um folclore bem congeminado e de ocasião. Como no actual momento, com a CGD como figura de proa ante a “mentira” do Governo, o “empenho” do Centeno e a “feitura” de uma lei de conveniência para António Domingues (sabiam que, tal como Durão Barroso, andou pelo MRPP !?) e seus comparsas administradores, e com Costa, face à reacção geral e ao barulho vindo da esquerda e da direita, a querer lavar a face, com um “nem sou porta-voz nem advogado dos administradores da Caixa”, dizendo que não tem plano B para o caso de se demitirem e não acatarem o determinado pelo Tribunal Constitucional para apresentar declaração dos rendimentos, como é de lei, do bom senso, e reclamado por toda uma lisura de gestão de uma Caixa que “sustenta” e é “sustentada” pelos portugueses, que pagam impostos. E neste caso de puro folclore, de alteração do estatuto dos gestores e da não declaração dos rendimentos pelos administradores da Caixa, em que Centeno se empenhou e comprometeu, com mais ou menos sorrisos continua-se a assobiar para o lado, como aliás acontece quando os políticos são confrontados com problemas.
Um folclore que muito se enraizou com a presença do Marcelo, sempre “mergulhado” em afectos, selfies, sorrisos e em tudo o que, com os media por perto, lhe traga a popularidade populista que é a razão de sua existência, aliás um folclore que até já se programa, se trata e combina com os media, como no caso do foragido Pedro Dias, com entrevista prévia da Sandra Felgueiras ( já “experiente” e “vivida” com casos mediáticos) e a “esperteza saloia” e “atrevida” de advogados receando uma “chacina” pela polícia.

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