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O juiz que condena políticos!

Perdidos e achados

O juiz que condena políticos!

Escreve quem sabe

2019-05-24 às 06h00

Carlos Alberto Cardoso Carlos Alberto Cardoso

Estou cansado e farto de campanhas eleitorais. Queria dizer “chega” ou “basta” mas posso ser mal interpretado, pois já não suporto populismos, eurocéticos e iliberais. As campanhas para as Europeias desde sempre tiveram fracas prestações e grandes abstenções. O desinteresse por este ato eleitoral esteve sempre na mente do eleitor como pouco significativo e sem importância. Mas a verdade é que a Europa está cada vez mais a interferir nas nossas vidas, e os que votam decidem cada vez mais por nós.

Nas últimas semanas desafiei um grupo de 10 alunos a gravar um spot videográfico que persuadisse os eleitores jovens a votar e outro que persuadisse a não exercer o direito de voto. Os resultados foram esclarecedores: foi muito mais fácil e eficaz o apelo a Não ir Votar. A coerência com o seu pensamento dá-lhes todas as razões para convencer os outros a não votarem. Entrevistei-os a seguir e percebi que só dois alunos tinham claras intenções de ir votar e percebi ainda que há uma grande ignorância sobre o papel do Parlamento Europeu. E estamos a falar de jovens formados e letrados, que sabem tão pouco sobre quem decide as suas vidas. Tão novos e tão cansados! E depois ligo a televisão, ouço a rádio, leio os jornais e percebo porquê. Porque ninguém fala na sua língua, ninguém quer saber sobre o que verdadeiramente interessa a estas gerações, intoxicam-nos de tal forma que já ninguém ouve ou quer saber. As guerras das notícias falsas e da contra informação; a luta pelo domínio dos media; a ânsia de controlar os algoritmos das redes sociais, estes virtuais cafés de aldeia, onde ninguém precisa de dar a cara, dizer bom dia ou apertar a mão, onde a ignorância e a iliteracia se alimentam a toda a hora.

A aposta das campanhas é em quem vota sempre, esses sim é que decidem, são as Angela Merkel do eleitorado. Com papeizinhos a cheirar a maquilhagem americana e outros saídos da urgência do Serviço Nacional de Saúde, circulam por festas e corredores onde o mais conhecido pode falar mais alto sobre o adversário. Coitados de nós, que deparamo-nos com a caixa do correio repleta de caras deslavadas, com textos que não mudam intenções de voto, não trazem sentimento e só contribuem para a poluição que eles próprios prometem combater. Coitados de nós que não temos coragem nem vontade de mudar o mundo.
As campanhas deviam, em primeiro lugar, contribuir para levar mais pessoas a votarem e, só depois, a conquistarem preferências. Mas, na prática, a realidade não é esta. A rota dos diferentes políticos está em risco de colidir com os valores fundamentais da União, “do respeito pela dignidade humana, da liberdade, da democracia, da igualdade, do Estado de direito e do respeito pelos direitos das pessoas, incluindo os direitos daquelas que pertencem a minorias”.

Queremos uma assembleia plural e representativa da diversidade da própria União Europeia. Mas, está cada vez mais difícil, pois os que não votam não estão aí representados, e esses são a maioria.
O que será das nossas vidas quando as forças políticas eurocéticas, nalguns casos populistas e anti-sistema, dominarem o Parlamento? Penso que o Tratado de Lisboa nada diz sobre isto.
Eles, políticos de profissão, são culpados, porque o juiz os condena. E o juiz sou eu, é você, somos todos com direito ao voto.
É por isto tudo que vou votar no próximo domingo!

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