Correio do Minho

Braga, quarta-feira

- +

O melhor Verão dos últimos anos

As zonas rurais, os desafios do presente para preparar o futuro

Escreve quem sabe

2015-09-04 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

A atividade comercial em Braga registou nos meses de julho e agosto um crescimento significativo, alcançando valores que já não eram atingidos há vários anos, de tal forma que terá sido um dos melhores verões para o nosso comércio, turismo e serviços.
As projeções da Associação Comercial de Braga indicam que durante o mês de julho o crescimento global da atividade económica gerada nestes setores se cifrou nos 11%, face a igual período do ano transato, tendo o aumento no mês de agosto superado os 15%. Refira-se a título informativo, que estas projeções têm por base as transações realizadas com cartões de crédito e débito nos estabelecimentos comerciais de todo o concelho, o que atesta a fiabilidade dos números.

Quer isto dizer que vivemos num oásis? Que a crise já passou? Claro que não. Mas é uma boa notícia que vem confirmar a trajetória verificada nos primeiros dois trimestres do ano, em que se verificou um crescimento 4,5% no 1º trimestre e de 13,7% no 2º trimestre.
Mas toda a gente cresceu em média esta percentagem? Obviamente que não. Uns cresceram acima desta taxa, outros abaixo e muitos, infelizmente, não registaram crescimento ou obtiveram até decréscimo no volume de negócios.

Mas então como se justifica este desempenho? Justifica-se, na minha opinião, por quatro ordens de razão:
1) O fluxo de turistas ao concelho e à região de Braga tem crescido de forma impressionante nos últimos anos, dando mesmo origem a um novo segmento de clientes e, em muitos casos, a negócios desenhados especificamente para este público-alvo. O aumento do tráfego é visível a olho nu e comprovado pelos números apresentados pela Entidade Regional de Turismo Porto e Norte de Portugal e do Banco de Portugal. Tem-se crescido sistematicamente acima dos 10% quer em números de turistas, quer em termos de receitas turísticas, nos últimos 4 anos.
2) Braga tem sabido construir uma imagem positiva junto dos consumidores, sendo hoje comummente reconhecida como uma cidade jovem, dinâmica, empreendedora e cosmopolita.
Claro está que este reconhecimento existe, sobretudo, porque estes atributos são verdadeiros e não apenas uma mera construção do marketing. Para esta projeção e notoriedade muito tem contribuído o esforço coletivo que envolve entidade públicas e privadas, mas o mérito é sobretudo dos empresários. Inconformados com o declínio da atividade económica durante o período mais intenso das políticas da austeridade, adquiriram conhecimento, usaram a sua capacidade criativa e empreendedora e ousaram arriscar.
Hoje, Braga beneficia de uma notoriedade positiva que facilita a atração de consumidores mas também de novos empresários, o que permite continuar sempre a inovar e a imprimir novas dinâmicas. Quem vem a Braga de forma mais ocasional, de ano para ano, é surpreendido constantemente pelo aparecimento de novos conceitos comerciais na área da restauração e do comércio. E a partir de Braga, muitos deles saem à procura de ser bem-sucedidos noutras regiões.

3) O número de estabelecimentos ativos tem vindo a crescer o que, consequentemente, aumenta a capacidade comercial e a capacidade de gerar mais atividade económica. Nos últimos 2 anos assistimos a mais aberturas do que encerramentos. Continuam a encerrar estabelecimento, é verdade que sim, mas, neste momento, estão abertos mais estabelecimentos do que estavam há um ou dois anos. Segundo o Barómetro Informa de agosto de 2015, nos últimos 12 meses foram constituídas cerca de 24 mil novas sociedades e foram extintas menos de 8 mil, o que revela um sentimento mais otimista entre a comunidade empresarial. Sem surpresa, cerca de 2/3 destas novas empresas dedicam-se aos setores do comércio, turismo e serviços.

4) O fenómeno dos emigrantes tem também um impacto significativo no volume de negócios da região durante os meses de verão, sobretudo no mês de agosto. Tem-se assistido a mudança substancial dos hábitos de consumo da nossa comunidade emigrante. Se no passado o perfil de consumo assentava sobretudo nos hipermercados, nas feiras e nos centros comerciais, hoje denota-se um interesse crescente pelo centro das cidades e vilas, a preferência pelo comércio de rua e dos seus estabelecimentos mais distintivos, pela restauração e estabelecimentos de bebidas. Vivem mais a cidade. E esta mudança comportamental sente-se no comércio de rua.
Sem entrar em qualquer tipo de euforia, porque estamos a iniciar um processo de recuperação da atividade económica após um período de retração imposto pela austeridade a que estivemos sujeitos e à diminuição flagrante do poder de compra da generalidade dos consumidores, é naturalmente sempre muito estimulante para a região perceber que os dados da atividade económica já indicam mais do que sinais de melhoria, percebendo-se que se trata de uma tendência que se espera duradoura e crescente.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.