Correio do Minho

Braga,

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O orgulho - honra imaginária

A economia da longevidade e o paradoxo do empreendedorismo social

O orgulho - honra imaginária

Escreve quem sabe

2019-12-01 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

Relacionamo-nos com pessoas e para pessoas. Inegavelmente, onde quer que esteja, acaba-se sempre, desejando ou não, por interagir com alguém. Quantas vezes, vai de regresso a casa no comboio, vai concentrado/a a ler o seu jornal, por exemplo, e de repente a pessoa que se encontra ao seu lado aborda-o/a, pedindo-lhe se no final da leitura o pode emprestar. Ou então, no trajeto a pé, alguém lhe questiona uma indicação de uma morada. Isto para salientar que muitas vezes, estamos em constante conexão, mesmo nestas situações pontuais quotidianas, que não causam transtorno ou mal-estar emocional. Todavia existem outras situações, no domínio profissional ou até social, das amizades, os quais somos obrigados a interagir, com regularidade e por imposição, com pessoas com feitios complicadíssimos, como por exemplo, pessoas com um caracter marcado, o do orgulho e da arrogância. Pessoas cuja abordagem verbal e comportamental é inflexível, fria e desprovida de quaisquer sentimento que não o do/a próprio/a. Uma pessoa orgulhosa é por norma insegura, com baixa auto estima. Há por outro lado outras situações que originam este tipo de comportamento, isto é o facto de terem existido bloqueios graves no desenvolvimento emocional. Vejamos em seguida algumas das cateterísticas mais evidentes.

A pessoa orgulhosa- arrogante, no que respeita a comportamentos sociais, tem uma postura altiva, tem uma atitude de denominação, no sentido, que se algo que lhe desagradar, “os olhos dizem tudo”, e por norma, considera que não deve falar com “qualquer pessoa”, seleciona portanto. Primazia o status e as influências do mesmo, mesmo que esses relacionamentos sociais sejam exclusivamente de aparência. Mostra um sentimento de superioridade face a outras pessoas, como um “ser excecional, incomparável e único” que deve ser tratado de forma especial, pois é “o/a melhor”. Frequentemente, ignoram e relativizam como “nada de importante” , desejos ou necessidades dos outros “ Isso não é comigo, é problema deles. Que se resolvam”. No que concerne, às características emocionais a pessoa orgulhosa é por natureza muitíssimo desconfiada, tem imensas dificuldades a assumir falhas, nem muito menos pede desculpas. Na verdade, tem tendência a culpabilizar terceiros pelos erros, “Eu não agi de forma incorreta e se agi por inevitável, tu fizeste isto primeiro…foi uma consequência.” Preferem perder alguma situação e até sofrer do que reconhecer. Entendem como humilhação o pedido de desculpas, todavia, exigem dos outros em caso de falha para consigo. A pessoa orgulhosa, entende que não precisa da ajuda de ninguém, percepciona-se como uma espécie de semi- Deus, tem-se a ele/a próprio/a e já é suficiente. Outra questão, a pessoa orgulhosa considera que tem sempre razão em tudo. Reagem impulsivamente a criticas e ofensas, tudo que atente à honra (mesmo que seja imaginária no sentido em que a ofensa não tenha existido) , e mesmo não tendo razão, diz (porque apenas diz, porque nem sempre é o que sente) que nunca se arrepende de nada. Como lidar? Por exemplo, distanciar-se apenas. De nada vale rebater ou dizer que está errado/a se o/a próprio/a não reconhecer. Se o contacto, é obrigatório, fale o menos possível.

Por detrás, do “máscara de defesa” ,intitulada de orgulho está o medo. Medo de não controlar as circunstâncias, medo de perder o controlo da situação, medo de “dar o braço a torcer” e de se arrepender, medo de falhar, entre outros. Mas este a pessoa orgulhosa, desconhece que ao ter estas atitudes, entram numa “estrada sem saída”. Porque há mais a perder com as atitudes presentes do que a ganhar. E chegam muitas vezes, a perder tudo sem necessidade e são profundamente infelizes…
Se é orgulhoso/a nunca é tarde para mudar. Faça um auto reflexão sincera de si e da sua vida. É com as falhas que se aprende, e assim como ninguém “nasce ensinado”, todas as experiências de vida boas ou más, trazem uma lição que nos permite evoluir e sermos melhores como pessoas. A vida são momentos que só vale a pena se for para ser feliz e fazer felizes também os que também fazem parte da nossa vida.

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