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O país dos Berardos

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O país dos Berardos

Escreve quem sabe

2019-05-24 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Sempre me perguntei porque é que o país, depois de tanto dinheiro que desaguou em Lisboa da venda das especiarias, já estava falido em meados do século XVl; e porque depois de tanto ouro vindo do Brasil, estava exausto financeiramente nos finais do século XVlll. No passado, como no presente, alguns lucraram, mas nada produziram. E Portugal ficou o deserto.
Berardo representa bem a maneira de ser português. E, porque foi sincero no Parlamento, todos o querem cruxificar. A elite portuguesa não é capaz de se ver ao espelho. Não percebo porque lhe querem tirar as comendas. Segundo o jornal ‘O Público’, em 45 anos, cinco presidentes entregaram 9.477 comendas. Fará sentido tirar as medalhas a um pobre diabo, se muitos desses 9.477 são pobres diabos também. Este pobre diabo tem, pelo menos, a lata de gozar com a situação. Além disso, amontoou um conjunto de obras, a que chamam coleção de arte moderna, a qual está instalada no edifício mais emblemático do presente regime republicano.
Entretanto há uns tantos que se passeiam pelo país e invadem as televisões a pedinchar que os deixem ir para o Parlamento Europeu; eu também gostava de ir; ganha-se bem, não se trabalha assim tanto e pode-se dar emprego a alguns amigos.

A campanha é uma autêntica seca e não passa de uma peixeirada e idas às feiras para alguns, da sujeira para outros e da falta de carisma (é uma lástima) de outros. Nada se diz sobre a Europa, sobre a encruzilhada em que se encontra sobretudo depois da crise. Existem questões que se impõe sejam discutidas: a reforma do euro, a compensação das receitas depois da saída do Reino Unido, a imigração, a regressão económica da Europa face aos EUA e à China e a viragem política à direita. A Comissão apresentou um relatório em 2017 em que enuncia vários cenários. Mas nenhum dos candidatos demonstrou ter refletido sobre o assunto. O único problema que preocupa os partidos concorrentes são os fundos comunitários, os quais serão necessariamente reduzidos devido à adesão dos países do leste europeu e à saída do Reino Unido.

Finalmente, esta crónica não podia de fazer referência às praxes e queima das fitas. Sobretudo no Porto, constituiu um espetáculo de degradação huma- na. Compreendo que as elites gostem desta juventude boçal, respeitadora das hierarquias e inculta. Mas já não compreendo que as autoridades académicas assistam embebecidas do palanque a esta palhaçada e continuem a colaborar, dando uma semana de férias para complemento da “formação”escolar.
São Berardos e, por isso, não tirem as medalhas ao verdadeiro e genuíno Joe Berardo. De outro modo têm que tirá-las a muita boa gente.

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