Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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O Petrónio de Vilar de Maçada

Portugal de pernas para o ar!

Ideias

2011-05-27 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

1 . “Oh Luís, fica melhor assim!?... Imprevista e inesperadamente, momentos antes da alocução ao país em que se ia anunciar o pedido de auxílio económico, foi visto a “ensaiar “ a pose para tal comunicação, revelando sobretudo toda uma preocupação com a imagem que se queria “vender” aos portugueses.

Uma inesperada “maldade” que acabou por nos mostrar um primeiro ministro em mangas de camisa (com as calças na mão anda ele há muito!...), “compondo” toda uma imagem, e depois perorando com o ar estudado das grandes ocasiões, sempre elegante, altivo e protocolar, ainda que com a postura do compungimento e sofrido das más notícias. Um imprevisto que embaraçou os “yess man” dos media, encabulados com o facto e a balbuciar apressada desculpa dada a ocorrência de algo de excepcional no habitual folclore de manipulação e controlo governamental das notícias e imagens.

No entanto, impõe-se-nos admitir, ele “emoldura-se” sempre numa figura inefável e imbatível da palavra, no que é hábil, aliando ao aprimorado vestir uma pose estudada, firme, segura e fotogénica sem que o mentiroso e oco da disquete “riscada” consigam alterar uma linha da sua fisionomia ou deixem escapar um esgar.

Até porque o teleponto lá está a não permitir hesitações, alterações no timbre da voz, trejeitos inoportunos e inestéticos sinais que possam macular toda uma arte oratória. Em que aliás é perito, admita-se, e onde as elegância, facilidade de expressão e riqueza de comunicação nem sequer “tremelicam” com mentiras e falsidades.

Sempre elegantérrimo, como diria qualquer Lili Caneças do nosso jet set, reconheça-se nele o orador nato, habilidoso e o mistificador de palavras e ideias que bolça com toda a segurança e desfaçatez não alimentando dúvidas ou laivos de ficção, como se tudo fosse verdade. E sempre com uma postura de manequim e modelo de elegância, bem ao gosto dos “cronistas” das revistas cor de rosa (a cor do partido).

Uma figura que nos faz evocar Gaio Petrónio, o magistrado e escritor romano que foi pretor e procônsul na Bitínia e a quem Nero apodava de “arbiter elegantiaram”, e que, por intrigas de Tigelino, foi envolvido na conspiração de Pisão e obrigado a suicidar-se (vide Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura), mas em quem enraizou o “pretonismo”, uma “maneira de agir, viver ou pensar digna de Petrónio ou à maneira de ser deste célebre gozador romano” (Grande Dicionário de José Pedro Machado).

Um “árbitro das elegâncias” também este, actual e nosso porque de Vilar de Maçada, cujas fama pública e projecção mediática têm vindo a “engrossar” apesar de todos os seus precalços, insucessos e desvarios mas em que é forçoso sublinhar e referenciar-lhe as habilidade, destreza e oportunismo com que se vem aproveitando das situações e “descalçando a bota”, aqui deixando entrever uma estudada emoção e a lágrimazinha ao canto do olho, mais além insistindo num palavreado de ficção, recorrente e irreal onde vêm vingando a parlapatice e o paleio típico dos vendedores da banha da cobra nas feiras (não é verdade Paulinho?!).

Entretanto, note-se, não deixam de o rodear uma corja de basbaques a babarem-se de prazer e gozo e outros mentecaptos de aguda encefaloidite a salivar benesses, a deglutir promesssas, a mascar fantasias e a engolir mentiras, mas sempre prestos a aplaudir a loucura da não verdade e a acolher o “vómito” da falsidade como se estivessem “pedrados” e vivendo noutros tempo e lugar.

E neste verdadeiro mundo de loucos, diga-se, não há como evitar o descalabro se o país continuar a ser dominado por partidocratas insensatos, aliás uns “emplastros” sem escrúpulos sempre a procurar as câmaras da TV, e deixar-se “anestesiar” por slogans de puro marketing, frases feitas e ideias “arrotadas” em golfadas de arrogância, apoiadas por militâncias de camioneta e jantar pagos e por carolas demagogos, uns senis e outros estúpidos, tão só preocupados com seus umbigos, cargos e o poder.

Enquanto todo um povo vem suportando os achaques de uma corja de políticos videirinhos e despeitados, as usuais “cólicas” partidárias e os “espasmos” de lutas em “sacos de gatos”.

2 . O incontornável e impagável Marinho Pinto, em mais uma das suas boutades, veio agora aconselhar “greve à democracia”, assim convidando à abstenção nas próximas eleições.
Mas tal dislate, vindo de quem vem, nem sequer nos surpreende, sendo que as suas razões as apresentará em breve “se mais nenhum cretino se atravessar” no seu caminho (JN, 24.4.11), como escreveu e prometeu.

Não apenas surpreso mas de todo abismado e estupefacto, aliás só nos resta usar, com a devida vénia, o título da crónica “Um cretino é um cretino” e a ideia sublinhada de que “os medíocres só se sentem fortes quando humilham os que julgam mais fracos” (id.), ciente de que há palavras e ideias que extravasam suas materialidade e autoria em fortes e sonorosos ecos e com incontornáveis ricochetes. E com efeitos perversos dadas as verdade e realidade de sua profunda significação em extensão e compreensão.

Com efeito surpreendeu-nos o recurso ao insulto torpe e pessoal, à ofensa mesquinha, humilhante, medíocre, injuriosa e inqualificável com que se pretendeu “responder” (!?) a MAPina que, com correcção e sem cair no insulto ou numa análise verrinosa ou ofensiva, apenas comentara o seu convite à abstenção, pasmando-nos a sua educação(!?) ao finalizar com um “Trate-se! Vá para uma boa praia e ... Ioda-se!”.

Todo aquele chorrilho de insultos e a linguagem desbocada de tal “resposta”, para mais de quem representa toda uma classe que se tem vindo a afirmar pelas educação, tom cordato de intervenção, linguagem cortês e respeitoso comportamento, além de chocantes são inaceitáveis.

E se o despautério e a baixeza da “resposta” desde logo nos dão o alcance e a extensão do disparate do convite à abstenção, forçoso é concluir que tal se configura apenas como mais uma das suas usuais “tropelias” e “boutades”, esquecido do lugar que ocupa e sem trave na língua, quiçá devido a traumas, vivências e dificuldades do passado, a “vícios” de antigo escriba e a enraizados ódios de estimação. Mas com tal amargor, azia e fel, diga-se, não há “São Gonçalos”, “papos de anjo”, “foguetes” e mais doces de suas telúricas origens que o “adocem” e “amaciem”, ainda que não queiramos admitir, como MAPina (JN,25.4.11), que seja apenas uma falta de toma de medicação.

Aliás até nos interrogamos se o apelo à abstenção não alapará um qualquer esconso jogo político de interesses conotados com o governo demissionário, já que, ao que nos foi dado observar, tem tido um mandato de notória proximidade socialista e socrática.

Como muitas outras figuras conhecidas, aliás, tal como Basílio Horta, o da AICEP, fundador do CDS e antigo candidato à presidência da República, agora integrando as listas de deputados do PS, sendo certo que Freitas do Amaral, outra “personagem”, também já tivera antes um percurso de aproximação governamental.

Mas isto de “usar” antigos candidatos à Presidência da República já é mesmo moda porque à indicação do Nobre pelo PSD logo o PS respondeu com o Basílio Horta, só sendo estranho não se ter incluído o Coelho, que está até desempregado. E já agora, por que não “aproveitar” também os Eanes, os Soares e os Sampaio, reciclando-os ?!...

Tudo gente boa, claro, e sem responsabilidades (!?) no descalabro do país, sendo certo que a coisa pode ficar mesmo feia devido à troica e à invasão de novos “emplastros”!...
Aliás, segundo José Vítor Malheiro, colunista do “Público” citado por Bernardo d´ Olhão (TV 7 Dias, n.º 1259), “a 5 de Junho vamos optar por um bando de bananas liderado por um aldrabão ou por um bando de aldrabões liderado por um banana”. E como nós o compreendemos !...

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