Correio do Minho

Braga, terça-feira

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O sr. Cristóvão e o seu artigo

Sem paralelo

Conta o Leitor

2019-07-05 às 06h00

Escritor Escritor

Natália Silva

Era verão. A cidade estava quase despida! As únicas coisas que a alegravam eram os santos populares e os turistas. Quanto aos primeiros alegram-nos a alma, e os segundos fazem-nos pensar naquilo que é tipicamente nosso, do ser Português. As merecidas férias já se começavam a notar. Os pais, os filhos e o resto da família já começavam a fazer as malas, a juntar todas as coisas que fazem falta nas férias: um baldinho, uma pá, uma estrela-do-mar, uns calções e um triquíni, uma toalha com riscas, um bronzeador com protecção, um guarda-sol com as cores do arco-íris e um par de chinelos de meter o dedo. Ah, pois e não deve faltar o boné, o chapéu, para se protegerem do sol, assim como o livro, o jornal ou a revista. A mente necessita de alguma distracção cultural, de entretenimento ou até espiritual.
Eram estes os sentimentos e pensamentos que pairavam na cidade. O Sr. Cristóvão, que trabalhava no Jornal da cidade, estava sentado no Café da Brasileira, a beber o líquido habitual- o seu café, e estes pensamentos percorriam-lhe o ser. Estava incumbido de escrever um artigo sobre “A importância de ser Bracarense”, e já tinha chegado a muitas conclusões! Contudo revia o texto continuamente, sem chegar a um final. Deambulou pelas ruas da cidade, observou os transeuntes, reparou nas montras, nas crianças a correr, e nos cidadãos mais diversos que pintam a cidade de cultura e diversidade. O sol brilhava sem cessar. E decidiu passar pelo Jardim de Santa Bárbara que fica localizado no centro histórico da cidade de Braga, junto à ala medieval do Paço Episcopal Bracarense. Tomou um lugar junto à fonte e observou os turistas nas mais divertidas e engraçadas posições fotográficas para obterem a melhor fotografia da sua pessoa e do jardim! O tempo passou, o relógio da torre suou as 16:00h da tarde e dirigiu-se apressadamente para o seu escritório na cidade. As ideias acumulavam-se na sua mente e queria concretizá-las rapidamente no papel.
Encontrando-se já no escritório pediu para não ser incomodado. Sentou-se confortavelmente na sua poltrona e redigiu o texto com todas as características que definem “A importância de ser Bracarense”, isto é, o Bracarense pertence a Braga, vibra com a cidade, com tudo o que lhe diz respeito. Além de ser a cidade dos Arcebispos é uma cidade cultural, onde em cada espaço há um modo de ser Bracarense, há uma cultura subjacente. A cidade vive para o cidadão e o cidadão para a cidade. Há uma reciprocidade, uma dualidade de interesses e sintonias que se vão renovando em conjunto e continuamente. “A importância de ser Bracarense”, é acerca do orgulho e honra de ser um cidadão de pleno direito da cidade que o viu nascer, ou que o viu crescer e que já a toma como sua. Parece literatura…parece filosofia, mas é vida na cidade! Depois destes intensos pensamentos, o Sr. Cristóvão decidiu encerrar o seu artigo e recomeçar no dia seguinte, que era o último.
Nessa noite, não conseguia adormecer e sentou-se na sua varanda espaçosa e acolhedora que o convidava a sentar-se e a contemplar o luar. Tudo estava calmo. Havia poucos carros a circular na cidade, não havia muito ruído. As pessoas saíam do cinema e do teatro e comentavam entre si o que as tinha fascinado. Era a arte e a cultura ao serviço do cidadão. Não muito distante da sua casa, conseguia ouvir um pianista a tocar algumas peças de música clássica. Entretanto, e como a hora ia avançada, dirigiu-se aos seus aposentos e sonhou que o mundo era um espaço de beleza e harmonia onde era mais fácil rir que chorar.
Quando subitamente acordou, pensou, “ Estou a ficar muito sentimentalista!” Rapidamente se levantou, organizou e se dirigiu para o seu escritório, onde o sol, quando brilhava, era quase o dia inteiro. Normalmente deslocava-se a pé. Podia ter mais contacto com a própria cidade e as suas gentes. Pelo caminho encontrou algumas pessoas que conhecia e a todas cumprimentou com um sorriso, um aceno de mão ou um “Bom dia”. Esta faculdade que as pessoas têm de se cumprimentarem é bastante interessante, porque o seu efeito é imediato, não custa nada e há boas energias no ar. Talvez se pudesse nesta época do ano, onde é quase tudo azul clarinho como o céu e de diversas cores como as areias do mar, treinar esta leveza do cumprimento ao outro. Seria uma “lufada de ar fresco”.
Já no escritório, e rodeado de pensamentos e folhas de papel continuou a escrever sobre o tema que tinha em cima da mesa. Os colegas de trabalho perguntaram-lhe pelo seu texto, estavam muito interessados no mesmo, afinal pertenciam todos à mesma cidade. Esta relação da cidade com o cidadão e vice-versa, mas também com os restantes cidadãos cria uma empatia ainda maior com o gosto e o prazer de se ser cidadão da cidade. Há uma partilha de ideais, pensamentos a fluir em prol da cidade e do seu habitante. Por último, mas não menos interessante, temos estas pontes que se constroem quando se recebe cidadãos de fora da cidade. Estes vêm visitá-la, conhecê-la e no final também a amá-la, isto porque, a começam a conhecer. “A importância de ser Bracarense” está intimamente ligada à cidade, ao cidadão e ao modo como este consegue passar a mensagem espectacular da sua própria cidade.

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