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O Turismo e a marca Minho

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Ideias

2013-11-14 às 06h00

José Manuel Fernandes José Manuel Fernandes

A União Europeia é, em termos de chegadas internacionais, o primeiro destino turístico do mundo. Aqui, o sector do turismo é constituído sobretudo por micro e pequenas e médias empresas (PME) e representa cerca de 10% do PIB e 12% do emprego.
O turismo ajuda a criar riqueza e emprego, contribui para a coesão social e territorial e, em simultâneo, promove e garante a autenticidade das regiões. Para além disso, promove valores e contribui para o respeito pela diversidade cultural e o enriquecimento humano.

Em Portugal, o turismo representa 10% do PIB e 8% do emprego. Segundo dados do Banco de Portugal relativos a 2012, é ainda o principal sector exportador de bens e serviços de Portugal, representando cerca de 14% das exportações e somando receitas externas de 8,6 mil milhões de euros.
Na UE e em Portugal, há um enorme espaço de crescimento para o turismo, o que ajudaria a relançar a economia. Para tal, temos de ser mais competitivos face à atractividade de outros destinos turísticos fora da UE.

A UE tem de tirar partido da paz e segurança, da sua riqueza cultural, histórica, religiosa, ambiental e paisagística, criando rotas e itinerários temáticos que, em simultâneo, valorizem as suas raízes culturais e históricas. A diversidade e o carácter multifacetado e pluricultural da UE permitem o crescimento de todos os modelos do turismo temático.

O Tratado de Lisboa (artigo 195.º) atribuiu à UE uma competência específica em matéria de turismo, o que lhe permite apoiar e complementar as acções dos Estados-Membros. Espera-se, por isso, uma nova atitude por parte das instituições da UE, ou seja, uma estratégia turística a nível da UE que implique coordenação e cooperação entre os Estados-Membros, em concertação com as autoridades competentes a nível nacional, regional ou local, dada a necessidade de uma abordagem transversal ao nível das políticas.

Podemos ter uma emissão de vistos mais coordenada e simplificada, a criação de um 'cartão europeu de turista', com o objectivo de fidelizar os turistas de países da UE ou de países terceiros e que proporcione informação sobre os direitos dos turistas, descontos e serviços específicos. Defendo ainda a harmonização progressiva dos sistemas de classificação das infra-estruturas de alojamentos através da identificação de critérios mínimos comuns. Temos de tirar partido do'turismo de compras'. Note-se que são da UE as empresas e marcas que são líderes mundiais de produtos de luxo.

O turismo tem de ser competitivo, sustentável, inclusivo e inteligente.
Tem de ser inteligente e fomentar a inovação e o desenvolvimento tecnológico das microempresas e das PME, de forma a tornar mais eficaz a comercialização dos produtos e a promoção dos destinos.

Tem de ser sustentável e inclusivo e, por isso, defendo o apoio ao turismo de natureza, ao turismo rural e ao agro-turismo. Esta aposta melhora a qualidade de vida das populações locais, diversifica a economia e as fontes de rendimento das zonas rurais, cria empregos e fixa a população no território. Daí, a necessidade destes territórios serem acessíveis, exigindo-se uma boa rede de transportes e acesso à internet. O turismo de natureza é outra riqueza nem sempre explorada. Os parques naturais e as áreas protegidas têm de ser preservados no respeito pelo património ambiental e pela biodiversidade local, mas em simultâneo têm de ser acessíveis aos turistas.

A marca ‘Europa’ é compatível com a marca ‘Portugal’, e com as marcas ‘Porto e Norte de Portugal’ e ‘Minho’.
O Minho tem uma identidade e um espaço próprio. Aliás, o Minho tem das maiores diversidades concentradas do mundo e forças da natureza ainda por explorar. Temos o mar, as suas ondas e os seus ventos para a prática desportivo, os rios, as nossas paisagens, a gastronomia, as nossas tradições e o Parque Nacional da Peneda-Gerês, que é o único em Portugal e, em termos mundiais, está no ‘Top Ten’ dos mais valiosos.

É tempo de tirarmos mais partido do clima, termas, paisagens, biodiversidade, património arquitectónico e religioso, artesanato e tradições, da nossa excelente gastronomia e do nosso saber bem receber. Temos todas as condições para termos um turismo de excelência.
O Minho tem todas as condições naturais, culturais, patrimoniais e recursos humanos para criar emprego na área do turismo e tirar partido dos desafios, oportunidades e problemas resultantes da globalização, do combate às alterações climáticas, da escassez de recursos e do envelhecimento da população.

Temos a obrigação de estruturar e melhorar a oferta turística e a qualificação dos recursos humanos, fomentar a complementaridade e a programação temática de acções e eventos entre 'regiões', realizar eventos partilhados entre municípios e, no mínimo, programar uma agenda coordenada e não sobreposta. Na ausência de regiões administrativas, precisamos de uma estratégia nacional para o turismo onde as entidades de turismo e as autarquias (por exemplo através das comunidades intermunicipais) possam intervir e assumir um novo papel.

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