Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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Os activos tóxicos

Portugal de pernas para o ar!

Ideias

2016-01-08 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

A expressão está na ordem do dia face à polémica que se gerou à volta do nosso sistema bancário e financeiro, dando a perceber os muitos malefícios e prejuízos originados pela Banca, aliás a viver uma sistémica conjuntura de derrocada e descrédito, o que tem determinado desassossego, insegurança e perturbação em todos os cidadãos, sejam eles accionistas, obrigacionistas, depositantes, titulares de discutíveis e perversos direitos ou tão só contribuintes.

Que, como se depreende, acabam sempre por serem envolvidos nas loucuras dos banqueiros e nas medidas que o Estado tem vindo a adoptar em ordem a proteger a mesma Banca e em salvá-la, “obedecendo” a critérios ditos de sensatez e de responsabilidade, necessários ou ditados por Bruxelas, mas sem salvar ou proteger coisa nenhuma, e com Mário Draghi do BCE a apresentar-se como “supervisor único do sistema bancário e com poder para acionar a resolução de bancos de forma ordenada” (CM.3.1.16).

Mas a realidade mostra-nos que é nos desgraçados contribuintes que vêm desaguando os nefastos efeitos de todas as malfeitorias, encapotadas burlas, desvarios e loucuras de uma insólita “fauna”, a dos banqueiros, a quem o Estado tem vindo a acobertar, injectando dinheiro, assumindo posições e responsabilidades e tomando medidas. Aliás nos últimos 10 anos temos sido confrontados com imensos casos de falência bancária, com o BPN a ser nacionalizado, o BPP a ser liquidado e o BES e BANIF a serem objecto de intervenções das entidades governamentais, e com o Estado a posicionar-se sempre de uma forma duvidosa, não convincente, ineficaz e discutível e que tão só têm acarretado milhões de prejuízo e “assaltos” aos bolsos dos contribuintes, gerando naturalmente total insegurança face ao sistema bancário e uma desconfiança crescente perante as decisões que os vários governos, em conluio com o Costa do BdP, têm vindo a tomar. Operando nacionalizações, assumindo responsabilidades, seleccionando activos, créditos, valências e acções, distinguindo-os entre bancos bons e bancos maus, dividindo-os e qualificando-os de acordo com as suas reservas, toxicidade dos seus produtos, relevância e reflexos em parâmetros de solvência e sustentabilidade, e ainda “criando” e accionando apressadas “mutações”e fazendo recair sobre os obrigacionistas seniores toda uma problemática de garantia e solvabilidade, etc., etc..

E o mais curioso de tudo isto é que os banqueiros responsáveis saem sempre por cima, em regra continuando a usufruir loucos vencimentos, reformas, outras alcavalas e benesses das suas maléficas administração e gestão, sendo que os processos, inquéritos e acções punitivas que os visam, além de morosos no tempo, de modo algum dão resposta cabal a tanta malfeitoria e perversidade nem se perfilam com real eficácia perante os prejuízos havidos. Aliás se não nos perturbam nem comovem as perdas sofridas pelos usuais especuladores, pelos “gananciosos” e amantes do dinheiro fácil e graúdo e pelos que temerariamente se “atiram” à compra de acções e obrigações e “participam” em “negócios” sustentados por “artificiosos” jogos especulativos, já acompanhamos e sentimos o desespero dos que, muito poupando, depositaram na banca suas economias e esperanças para o amanhã, e que, face ao descalabro e insegurança, temem vê-las desaparecer, ser retidas ou diminuídas. Num louco desespero e numa aflição que “explicam” e “justificam” manifestações e protestos, e até a ideia de as guardar numa panela de ferro ou de as pôr debaixo do colchão, como antigamente.

Mas, falando-se em activos tóxicos, afigura-se-nos que a expressão tem outro alcance e uma abrangência maior, não se aplicando só aos produtos da banca de dúbia solvabilidade, segurança e fiabilidade, já que, activas e igualmente tóxicas pela insegurança, risco e nula credibilidade que patenteiam, há figuras e personalidades que vêm “deslizando” por altos cargos e posições responsáveis que de todo se configuram como uns reais “activos tóxicos”.

Na verdade neste caso de descalabro sistémico da Banca de modo nenhum se percebem as actuações concretas e profilácticas do Costa, o do BdP, do manda-chuva da CMVM nem do ministro das Finanças, o Centeno, que tão só sabe sorrir, desfazer-se em simpatia e apresenta como imagem de marca um permanente sorriso, aliás à semelhança do outro Costa que, sempre sorridente, com bonomia e “respirando”um ar nédio e de bem com a vida, tem politicamente vindo a governar “deslizando” e “patinando” em ziguezague, conforme as conveniências, mas cuja solução adoptada no caso do BANIF não é de todo compreensível.

Uns «activos tóxicos”, reconheça-se, pela insegurança, risco e pouca fiabilidade que em si mesmos acarretam mas com os quais o povo se tem de contentar e “entreter”, como de igual modo já se viu ou ainda é confrontado com muitos outros como os Salgados, Roques, Varas, Ulrichs, Cadilhes, Tomés, Constâncios, Salgueiros, Amados, Sobrinhos, Is. dos Santos, etc., e muitos mais figurões que, qualificados ou não para gerir a Banca, deram cabo do sistema e sua fiabilidade e continuam a ter chorudos réditos, vencimentos, reformas e boas vidas.

“Activos tóxicos”, que, como acima escrevemos, não respeitam só aos produtos bancários que não transitaram para o Novo Banco, ficando no BES, e aos outros “negócios”, “mutações” e obrigações que não integraram a venda do BANIF, mas a figuras que, pela sua presença e intervenção sócio-económico-política no país se personificam como tais, o que naturalmente abarca e compreende todos quantos, artificiosamente bolçando cidadania, democracia e liberdade, insistem e teimam numa perversa envolvência nas nossas vidas, perfidamente “camuflando” as suas mil e uma ânsias de poder e de projecção social e os seus esconsos desejos de tirar o maior proveito económico da “governação”.

Para quem os cargos públicos, diga-se, são o meio adequado para crescer em poder e dinheiro, favorecer amigos, engendrar fraudes e outras malfeitorias, que por vezes desaguam em processos na Justiça (v.g. casos Freeport, Vistos Gold, Furacão, Marquês, Face Oculta, etc.), mas que, quanto a “toxicidade” e “malefícios” não se diferenciam dos “banqueiros” ligados à derrocada da banca.

Aliás, não passando de “produtos” de manifesta “toxicidade”, e alguns mesmo com provas dadas de perniciosidade na nossa vida democrática, económico e política, tais figuras até têm vindo a proliferar no concreto processo das candidaturas às presidenciais, com marmita ou sem marmita mas com fervor religioso, ateísmo confesso, exacerbado bolçar de cidadania, expressiva empáfia e indisfarçável vaidade, sendo que, ouvindo-os e vendo-os, apenas se vislumbra a “mentira” estampada no papague-ado “papel” que julgam adequado para atingir o poder.

E se nesta área não se estranha nem perturba a candidatura de um ex-padre ou de um ex-calceteiro, deixam-nos de pé atrás as “névoas” e os “atavios” do Nóvoa, as “conversetas” da Maria de Belém e da Marisa, os “vapores” anti-corrupção do Morais, as “brincalhotices” chocarreiras do Marcelo e as “filosofias” balofas de alguns outros, aliás de manifesta “toxicidade” para a inteligência e sanidade mental de um povo. A quem, na realidade, tão só podem “pesar”, pela fiabilidade, a experiência de vida e idade do Henrique Neto.

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