Correio do Minho

Braga, quarta-feira

- +

Os desafios do associativismo empresarial

O Sporting Clube de Braga e o Hino - Marcha op. 109 do Capitão Piedade (1884-1952)

Ideias

2016-06-10 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

No passado dia 26 de maio, a Associação Comercial de Braga comemorou o seu 153.º aniversário. Uma notável longevidade de uma associação empresarial antiga, mas que tem sabido manter-se jovem e atualizada, respeitada e interventiva.

Consciente de que é uma honra poder dar continuidade ao trabalho de muitos e prestigiados homens e mulheres que têm construído o passado e o presente da ACB, mas que é, igualmente, uma responsabilidade criar condições para que esta instituição possa perdurar no tempo, resolvi partilhar nesta crónica alguns dos desafios que, na minha opinião, esta e a maior parte das associações têm de superar para continuarem a ser relevantes para a economia portuguesa.

O associativismo vive no século XXI um dos períodos mais difíceis da sua história, decorrente do encerramento de milhares de micro e pequenas empresas com tradição e espirito associativo.
Apesar do saldo entre empresas encerradas e empresas criadas ser francamente positivo nos dados relativos a este século, a dura realidade é que os novos empresários não têm o hábito de se filiarem em qualquer associação empresarial. É uma geração de empresários mais individualista, que, paradoxalmente, é também a geração que mais necessita da cooperação empresarial e de outros fenómenos de união ou associação entre empresas para que os seus negócios sejam competitivos e viáveis.

Identifico quatro desafios que considero vitais para o futuro de qualquer associação empresarial e que implicam uma reinvenção do seu modelo de negócio e da sua forma de atuar.

1) Serem relevantes para os seus associados
Para poder ultrapassar a resistência aos fenómenos de associativismo, as associações têm de conseguir ser relevantes para os seus associados. Uma coisa tão fácil de dizer, mas tão difícil de pôr em prática.
Hoje as empresas ao filiar-se numa associação exigem que este vínculo acrescente valor ao seu negócio. Já não é suficiente o sentimento de pertença.
Para o conseguir as associações têm de prestar novos serviços em áreas que tradicionalmente não são habituais nestas organizações (a internacionalização e o empreendedorismo, são exemplos práticos destas novas necessidades) e, sobretudo, prestar serviços de excelência.
Durante muitos anos as associações viveram viradas para si próprias, aliás muitas ainda hoje assim fazem. O desafio que agora se coloca é estar próximo das empresas e, de algum modo, ajudá-las a vencer os seus problemas e desafios.

2) Tornarem-se sustentáveis
No passado as associações empresariais detinham quadros técnicos relativamente pequenos e as quotizações que recebiam constituíam a sua principal fonte de financiamento. Com a adesão de Portugal à comunidade europeia, surgiram oportunidades de desenvolver novos serviços, como o da formação profissional, com recursos a programas cofinanciados por fundos estruturais, que implicaram, em quase todas as associações, um crescimento significativo do número de pessoas contratadas. Os subsídios passaram a constituir a sua principal fonte de receita.
Hoje, quase todos os gestores das associações estão a tentar corrigir estes erros de sobredimensionamento das estruturas de recursos humanos face aquilo que é viável financeiramente suportar, bem como a tentar encontrar meios alternativos de obtenção de receita, para diminuir a dependência dos fundos comunitários.
Quem não o fizer, ficará, na minha opinião, numa situação de enorme fragilidade para ultrapassar os desafios que se avizinham dentro de alguns anos, com o fim, ou redução significativa, da concessão de fundos estruturais a Portugal.

3) Qualificarem pessoas e empresas
Este continua a ser um desafio estratégico para qualquer sociedade e para qualquer associação empresarial. É reconhecido que os níveis de qualificação de uma percentagem significativa dos empresários que gerem as micro e PME constituem fortes condicionantes ao aumento da produtividade e da competitividade das mesmas e, por conseguinte, do desenvolvimento da economia nacional.
A melhoria da competitividade das empresas depende, por isso, muito da capacitação dos seus recursos humanos e da melhoria dos seus processos de organização e gestão. Assim, a este nível, as associações empresariais desempenham e continuarão a desempenhar, cada vez mais, um papel crucial na articulação das políticas públicas de emprego e formação profissional.

4) Liderarem processos de inovação e cooperação empresarial
Se no passado, o papel de defesa e representação dos interesses da comunidade de associados era a missão mais relevante das associações empresariais, hoje, e no futuro, a principal missão das associações é assumirem-se como elementos aglutinadores de grupos de empresas com interesses comuns, procurando fomentar e liderar:
- processos conjuntos de inovação e modernização empresarial, atentos à evolução da tecnologia, aos modos de vidas dos consumidores e a outras alterações relevantes na sociedade, que signifiquem uma oportunidade para inovar e modernizar os produtos, serviços e os próprios negócios;
- processos conjuntos de cooperação empresarial, que possibilitem às empresas ganhar escala e tornar-se mais competitivas e eficientes na prossecução das suas atividades no mercado global.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

28 Janeiro 2020

Transportes públicos...

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.