Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Os extremos, a classe média e as saudades de Angela Merkel

Cancro do Pulmão – de que morrem os portugueses

Ideias

2018-12-06 às 06h00

José Manuel Fernandes

Aextrema direita e a extrema esquerda aliaram-se e foram para a rua nos violentos protestos que ocorreram recentemente em França, aproveitando-se de um movimento social espontâneo. Esta “aliança” de polos extremistas não me surpreende. No Parlamen- to Europeu, o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista Português e a extrema direita de Marine Le Pen votam no mesmo sentido em mais de 90% dos assuntos!
Os extremos são contra a União Europeia e contra a moeda “euro”, são populistas e nacionalistas, defendem o “orgulhosamente sós”. Até nas causas opostas que defendem, os extremos alimentam-se mutuamente! O crescimento dos extremos enfraquece a União Europeia e favorece Rússia, China e Estados Unidos.
O Mundo está a resvalar e a cair num perigoso caminho que se dirige para o autoritarismo. Mais do que nunca, a UE precisa de estar unida e liderar a defesa dos valores, da democracia, e da defesa intransigente da liberdade e da promoção da dignidade humana.
Não temos a perceção das vantagens da UE. Não sabemos que a UE é a maior economia do planeta e que acedemos a 50% das despesas sociais do planeta, ainda que sejamos menos de 7% da população mundial. Não temos consciência que temos os maiores índices de igualdade.
Mas isto não significa que tudo esteja bem! Os “moderados” estão a perder terreno e têm de dar respostas para desafios como natalidade, emprego jovem, migrações, alterações climáticas e globalização. A resposta será eficaz se existir uma ação conjunta, partilhada e solidária.
Na UE, a denominada classe média está a ser asfixiada. Os governos não têm coragem para tomar as medidas que modernizem a economia, melhorem a nossa produtividade e competitividade. Os governos fazem o mais fácil para aumentarem as receitas: aumentam os impostos. As famílias e as pequenas e médias empresas já estão no limite! O voto nos extremos é um sinal de desespero, tal como acontece com as manifestações de Paris, num movimento social espontâneo de protesto contra a taxação de combustíveis e que mobilizou simultaneamente jovens e moradores das periferias urbanas sem acesso a habitação condigna e revoltados com a especulação imobiliária nas grandes cidades.
É evidente que há quem se aproveite de movimentos que se pretendiam pacíficos para semear o caos e a violência.
As receitas dos orçamentos nacionais podem aumentar, sem que os contribuintes sejam penalizados. Note-se que, na UE, todos os anos se perdem mais de um bilião de euros em fraude, evasão e elisão fiscal! Este montante astronómico equivale ao atual Quadro Financeiro Plurianual 2014/2020, ou seja, a sete orçamentos da UE! Há que avançar para a troca automática de informações fiscais, há que - no mínimo - harmonizar definições. Cada Estado-Membro não pode ter uma definição diferente de “Paraíso Fiscal”, nem uma lista negra diferente de paraísos fiscais. Este é mais um exemplo onde a partilha de soberania acaba por reforçar a soberania nacional.
É necessário que o resultado das próximas eleições para o Parlamento Europeu, que ocorrem no dia 26 de maio, permita uma maioria dos moderados. Não podemos adicionar mais imprevisibilidade aos momentos que vivemos. O Brexit será mais um desafio a vencer.
A anunciada saída de Angela Merkel não é uma boa notícia. Macron não tem força para suprir esta saída. Angela Merkel é a única líder - digna desse nome - na União Europeia. Já sinto a sua saída. O ministro das finanças da Alemanha, o socialista Olaf Scholz tem sido intransigente nas negociações, em que participo, para o orçamento da UE de 2019. Também sinto a saída de Angela Merkel na negociação dos próximos fundos. Angela Merkel é uma europeísta que perdeu força e isso é mau para a UE e para Portugal. Vamos ter saudades de Angela Merkel.

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