Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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Os ‘conglomerados’ e outros materiais de construção

Dia do Diploma 2019

Ideias

2016-03-04 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Como é sabido são muitos e variados os “materiais”, “ideias”, “princípios”, elementos e figurantes que têm vindo a “construir”, a “alimentar” e a “formatar” o luxuoso, imponente, lauto e muito rentável “edifício” da política neste país e ao longo dos últimos anos, emergindo o dinheiro, a ambição pelo poder, a vaidade e o desejo de projecção económico-social como factores determinantes no comportamento e acção de muitas personalidades, afectando-as em suas personalidade, carácter, seriedade, honestidade, isenção e moralidade.

Figuras que, mal emergem do “limbo” do quase anonimato em que viviam, aliás num desenrolar normal e em sequência das suas próprias qualidades, nulidades, virtudes e defeitos, e avançam pelos caminhos da política, governação e administração públicas, se transformam e transmudam em figurantes de proa, de apenachado prestígio e falação que logo se desdobram em vénias, sorrisos e mesuras esmolando simpatia e acenos de respeito. No entanto a realidade vem-nos mostrando que, por deficiências de berço, cultura, carácter, personalidade, sensatez e formação moral algumas logo se transfiguram e passam a assumir e a vivenciar discutíveis e desviantes atitudes e actos, transformando-se num duvidoso, censurável e até perigoso “material” na “construção” da realidade sócio-económico-política do país. Por via de regra formando e integrando “conglomerados” de dúbias natureza, estrutura, configuração, de síntese indefinida e textura molecular maleável, não fiável e muito questionável no seu tecido final e “cimentação”.

Tal como o contraplacado e outros aglomerados cuja natureza, rigidez, textura granular, agregação, interligação e durabilidade muito variam, embora utilizados em trabalhos, obras de construção e artefactos de carpintaria e marcenaria, estes novos “conglomerados” orgânicos gerados na área (e pela) política não passam de uns “agregados” de circunstância assentes em casualismos de conveniência, de momento, de interesses partidários ou outros e de cor indefinida.

E as suas tonalidades rosa, laranja, vermelha, verde ou azul, etc., em si mesmas nada de sério e seguro deixam perceber porquanto nunca se conhecem profunda e intimamente, na sua natureza e essência, os concretos “materiais”, elementos e factores químicos, físicos ou de outro jaez que integram o real tecido orgânico de tais “aglomerados” que, pela sua perversidade, muitas vezes descambam e passam a ser objecto de divulgação e desagradável notoriedade através de títulos, notícias e manchetes nos media, como no ‘Correio da Manhã’, formatando-se em “escândalo” local e nacional, como vem acontecendo.

Aliás, um diário que não pode nem deve ser tido como um mero “tablóide” popularucho e controverso de escândalos, boatos e notícias de espavento porquanto, embora não agrade a certas “classes” e “franjas” da comunidade sócio-política por aflorar, divulgar e investigar alguns casos de melindre e fricção, se torna útil e importante para se conhecer o país real, com ou sem “folclore”, mormente quando figuras de estatuto social e político estão envolvidas em matérias controversas de interesse público, e por isso mesmo sujeitas a constante sindicância da comunidade. Como no momento presente

Em que, devido a certas detenções e audições judiciais, se tem vindo a explanar títulos, dados, comentários e observações atinentes à recente descoberta e propalada existência de uma “rosada” corrupção atingindo alguns antigos ou actuais quadros autárquicos. Aliás, num “conglomerado” difuso e muito confuso que, como vem sendo referido, é suspeito de ter sido peça fundamental e parte interveniente e integrante num quadro de “congeminação”, “origem”, ”concretização” e “fabrico” de certos factos e obras e na “realização” de “negócios” questionáveis e discutíveis como nos casos das Carmelitas e prédios contíguos para instalação da Pousada de Juventude, autocarros dos TUB, piscina olímpica, fábrica dos Sabonetes, Túnel da Avenida, estacionamentos e concessão, apoios ao Sporting de Braga, certos subsídios e PPP’s “formatadas” para os relvados sintéticos e polidesportivos dispersos por várias freguesias, etc..

Em que as suspeitas, os boatos, as interrogações, as dúvidas e os rumores se amontoam e até têm vindo a reclamar e a justificar, e desde há tempos, a intervenção do poder judicial. Aliás, uma intervenção que se tornou já habitual no país quando o poder autárquico muda de cor, com todo um enxamear de queixas e um alastrar de suspeitas, e qualquer que seja a localidade ou força política “reinante”.

Como ocorre hoje em Braga onde, como se diz e escreve, tudo se despoletou com a detenção de alguns elementos da antiga administração dos TUB, sendo marcantes e significativas certas frases, títulos e notícias como as de que “disparam queixas de corrupção em Braga”, a “prisão de ‘vice’ acaba com a sensação de impunidade e faz aumentar denúncias”, a “Judiciária investiga diversas situações onde o erário público foi fortemente lesado” (estando) “em causa, milhões de euros” e ainda que “denúncias contra Mesquita chegam à PJ após detenção do ‘vice’”.

Aliás, se os arguidos gozam de presunção de inocência, que pelos mesmos já teria sido alegada, a realidade é que tais elementos seriam amigos e pessoas de confiança do antigo Presidente e ocuparam cargos de relevo na gestão dos TUB, empresa municipal, pelo que suas detenção e audição causaram naturalmente alarido, perturbação e comentários, originando como que um cataclismo. Designadamente quando se escreveu que recebiam luvas em cheque e que o dinheiro “era sacado das contas da empresa corruptora”, isto é “da empresa MAN ou do dono da MAN Braga”, o que teria ocorrido aquando da compra de pelo menos 23 autocarros para os TUB, sendo que cada autocarro geraria luvas de 10 mil euros, além de outras benesses e favores.

Mas se tais detenção e audição perturbaram e as declarações de inocência e justificação de situações patrimoniais valem o que valem, a verdade é que situações “adormecidas”, e “esquecidas”, voltaram a ser evocadas e investigadas, como as já referenciadas, tendo-se dado especial destaque à polémica expropriação dos prédios contíguos às Carmelitas para a “criação da nova centralidade da cidade”, referindo-se temporalidades, beneficiários, curiosidades do processamento como urgência, votações, presenças e voto de qualidade, aliás num “embrulho” suspeito e “mal cheiroso” (C.M. 16.2.16).

E se as ditas detenção e audição, com todas as suas sequelas, emergiram como um catastrófico “abalo sísmico”, adivinha-se que tal cataclismo não deixará de provocar múltiplas “réplicas” e estragos. Até porque não serão poucos os que, vestindo “roupagem” de isenção, independência, seriedade e inocência, mas já “amarrotada” como se diz, se sentirão de momento perturbados, preocupados e temerosos, porquanto há “chapeladas”, “jantaradas”, “convívios”, “amizades” e “jogatainas” marcantes e nada recomendáveis dado muitas vezes alaparem “conúbios”, “compadrios”, “favores” e esconsos interesses. Mas a procissão ainda vai no adro e muita tinta ainda irá correr a não surgir entretanto um qualquer Dr. Araújo a “calar” a liberdade da imprensa, como no caso de Sócrates.

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