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“Os lugares mais felizes na terra são os espaços entre nós”, diz Chris Peterson

Dar horas ao patrão

“Os lugares mais felizes na terra são os espaços entre nós”, diz Chris Peterson

Escreve quem sabe

2019-11-05 às 06h00

Cristina Palhares Cristina Palhares

Este foi um dos motes que em setembro percorreu a minha crónica. A ponte entre a Psicologia Positiva e a Paz Global, com um olhar para a sustentabilidade ecológica e os direitos humanos.
Por ocasião do Dia Mundial do Professor, em outubro, ressalvava a ideia de Georges Haddad “Uma sociedade que não gosta dos seus professores não gosta das suas crianças”. E de Alex Beard, do movimento Teach for All, que afirmava “Estamos a desperdiçar o nosso maior recurso: a inteligência humana”.
E se hoje está na ordem do dia a sustentabilidade ecológica, a sustentabilidade humana terá com certeza primazia: não podemos desperdiçar o nosso maior recurso que é a inteligência humana, nas suas múltiplas formas e feitios, mais académica ou mais prática, mais emocional ou mais sensorial, tanto faz, apenas isso: não ao desperdício. E por isso a atenção aos alunos com características de sobredotação necessita ser repensada.
Não pelas características em si, mas pelas necessidades que delas resultam.
Não pelos níveis que atingem nas escalas de medição, que pouco importam, mas antes no que são capazes de concretizar. E sabemos, tão bem quanto nos é possível quando temos interesse em querer saber mais, que a escola, os professores e os pares, nem sempre são o melhor lugar do mundo para estas crianças e jovens. Infelizmente, os mitos associados a este tema, as “fake news” que proliferam, e a reprodução de atitudes de incompreensão, às vezes hostis, não mais fazem que impedir o desenvolvimento de projetos de vida destas crianças e jovens. Tão válidos como quaisquer outros projetos de vida, de quaisquer outras crianças.
Assim, se os lugares mais felizes na terra são os espaços entre nós, então também estes são os lugares mais infelizes na terra. Porque o encontro não acontece. Porque o espaço entre nós se distancia. E aqui, sim, o professor perde. Porque perde a oportunidade de um dia ter sido uma pessoa importante no desenvolvimento de um projeto de vida de um aluno que lhe passou pelas mãos e que ele não cuidou, não olhou, não compreendeu. Pelo contrário, afastou, empurrou, negligenciou. Por ignorância, por despeito muitas vezes. E o encontro não aconteceu. Mas o aluno estava lá, compareceu ao encontro. Mas o professor não. Faltou. Virou costas… encolheu os ombros. Tem tantos alunos para olhar, tem tantos encontros marcados, que este, este… não foi.
E quando assim é, o aluno vai embora também. Apenas com uma diferença.
O professor não nota se tem mais um ou menos um aluno.
O aluno nota quando tem mais ou menos um professor.
O professor não tem memória deste desencontro.
O aluno leva na memória, para sempre. O aluno não foi importante na vida deste professor, mas o professor foi demasiado importante na vida deste aluno: não se esquece o desencontro.
Falamos de sustentabilidade (no não desperdício da inteligência humana) e nos lugares mais felizes na terra que são os espaços entre nós. Tão fácil: porque vamos querer ser e ter mentes abertas, adubadas de encontros de vida, que permitam educar para a Paz. Em Dezembro.

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