Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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Paleio de chacha

Dia do Diploma 2019

Ideias

2010-04-09 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

1 . Pinto Monteiro, o palavroso PGR, disse em Guimarães que “a mistura da política com a justiça é péssima para a Justiça e para a política. Mas é um vício muito antigo” (Correio do Minho, 17.3.10). Uma afirmação com um especial significado e valência nos tempos que correm, mas que, de certo modo, não pode deixar de ser considerado como um curioso e insofismável testemunho de uma vivência experimental de quem, no nosso entender, já ultrapassou há muito o prazo de validade.

Aliás «garantiu (!? ) que “se for recuar no tempo da procuradoria” encontra, nos últimos 30 anos, “sempre uma aproximação entre política e justiça que não é saudável para ninguém”», mais asseverando «que “não há contaminação política” da justiça, mas sim “uma proximidade grande que seria de evitar”».

Com tal testemunho ficámos de todo elucidados !...
Para quem esteve mais de 30 anos fora do MP (aliás em 1974 era Juiz em Ponta do Sol e depois sempre esteve na judicatura), “finge” saber muito e aprender depressa o que lhe ensinam pois de modo nenhum terá partilhado quaisquer particulares e especiais experiências e vivências funcionais do MP com outros PGRs que, com mais estofo e inteligência, sempre respeitaram essa magistratura, prestigiando-a e cultivando, em independência, um saudável distanciamento da política.

Aliás, é de todos sabido quem tem vindo a ter esconsas vivências de conúbio e compromisso com a política, com o facto insólito, significativo e de leitura fácil, de ter sido conduzido pelo próprio ministro da Justiça Alberto Costa à PGR onde ia assumir o cargo. Uma suspeitosa proximidade com a política que ainda se vislumbra no facto de, sendo Juiz em Ponta do Sol, ter deixado a comarca e vindo ao continente festejar (!?!) o 1.º de Maio de 1974, com o significado que isso envolve. Aliás nos actos oficiais, como o mostra a TV, toda uma proximidade de mesuras e sorrisos com Sócrates, de quem é avalista profissional, vai muito além do comportamento formal e institucional.

Uma proximidade que permite contaminação, alimenta suspeições em casos como Freeport e Face Oculta e dá azo a extrapolações e esconsos juízos. Mistura e proximidade política que parece gostar de cultivar, sendo que as “explicações” de Guimarães, aliás mero sussurro de virgem ofendida, não passam de paleio de chacha.

2 . “E agora vai usar da palavra o primeiro ministro José Trocas-te”!
Foi desta forma insólita que na cerimónia de apresentação da Estratégia Nacional de Energia Sócrates foi anunciado como o orador seguinte (Global, 17.3.10), o que não deixou de causar certo embaraço e de capitalizar disfarçados sorrisos e calados aplausos de gozo. Até porque como tal é referenciado no programa humorístico da RTP “Contra-Informação”, um retrato “desenhado” pela apetência do visado para a mentira, personalizado como mais um trocas-tintas da política.

Não se embarcando em temores reverenciais, é-nos impossível também disfarçar um sorriso de gozo, tão só nos interrogando se tal se ficou a dever a mero lapso ou a um incontrolável arroto dum subsconsciente de desilusões e enganos. E não se venha dizer que isto foi mais uma cabala da oposição, farta das trocas-baldrocas dum primeiro ministro que, tendo trocado o PSD pelo PS, se desdiz facilmente, não cumpre promessas solenes ou programáticas e bem sinaliza e enforma um tão televisivo “José Trocas-te”.

3 . No Congresso do PSD, para além de certos pormenores como o da lei da rolha que incomodou tanto uns socialistas esquecidos de “rolhas” idênticas no PS, impressionou-nos sobretudo os falares do presidente da Câmara das Caldas da Rainha e lider do PSD em Leiria dizendo “não quero água, tragam-me um copo de vinho”, “ganhar ao Vital Moreira até eu ganhava” e “se não fosse mentiroso, também não era presidente da câmara” (JN, 15.3.10).

Desconhecendo-se se tal intervenção se processou de manhã ou depois do almoço ou jantar, estamos com o orador quanto à mais valia de um bom copo de vinho às refeições, mas não ignoramos as vantagens da água para toda uma boa higiene, inclusive a oral. Mas não nos pronunciando sobre vitórias eleitorais em concreto, já assinamos por baixo quanto aos efeitos e vantagens da mentira, aliás por demais óbvios e habituais nos políticos, de todo recorrentes à mentira e ao “paleio de chacha”.

4 . “Sócrates e Vara falavam em código”, assim titulava o “SoL” de 26.3.10.
E isso teria passado a acontecer desde 6.8.09 (os arguidos teriam sido avisados das escutas em finais de Junho), como evola de certas transcrições em que é manifesta e incontornável toda uma preocupação em falar em código e numa linguagem cifrada à boa maneira dos gangues e mafias criminosas. O que, diga-se, alimenta suspeições, causa estranheza e indicia algo de obscuro e de ardiloso, naturalmente escondendo o atentado contra o Estado de Direito, com a tentativa de controlo dos media, como o entenderam os magistrados de Aveiro.

Aliás as estreitas relações e amizades entre um certo número de personalidades transmontanas com ligações e interferências em alguns cargos e lugares públicos, tido como o “grupo transmontano do PS” (id.), revelam-nos bem as valências e os jogos do compadrio. Na verdade em certas origens telúricas, amizades e laços familiares se referenciam e enrodilham personalidades como uns Fernando Lopes Barreira, Armando Vara, José Penedos (arguidos no Face Oculta com raízes em Vimioso, Vinhais, Campo de Víboras), e ainda Costa Andrade e Antero Luís ( director do SIS, primo do Vara e da mesma aldeia), para já não se falar em Sócrates e seus liames a Vilar de Maçada. Tudo boa gente, como se vê, mas a sinalizar que “estreitas relações por via da amizade cimentada por motivos de vizinhança”( Sol, 26.3.10) são relevantes para uma percepção do que é a partidocracia e o compadrio. E mesmo o “companheirismo” em ilicitudes.

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