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PEDIBUS - Pés para andar

Cimeira da Acção Climática: “ainda não é tarde”...

Escreve quem sabe

2016-09-24 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

Sabia que podem circular autocarros sem rodas? Trata-se dos PediBus e, tal como o nome indica, andam com pés, ou seja, os pés das pessoas, normalmente crianças. Têm um percurso predefinido, horários e locais de paragem para a recolha e entrega dos “passageiros”.
Este projecto deu os primeiros passos em Portugal, no ano 2007 quando o município lisboeta promoveu um projecto piloto em três escolas. A etapa seguinte foi ver crescer o número destes circuitos pedonais, naquelas e noutras escolas, bastando para isso um pouco de empenho e alguma mudança nas atitudes e hábitos.

O conceito de PediBus foi criado pelo australiano David Engwicht em 1991 tendo como objectivos a melhoria do ambiente e a segurança rodoviária. Já se pratica em muitos países, dentro e fora da Europa. Tendo em conta que cada família realiza entre 8 e 20 deslocações por semana entre a casa e a escola e que ao percorrer 1 Km, um automóvel em meio urbano emite cerca de 200g de CO2 e um autocarro 73g e, se andar a pé, as emissões poluentes são nulas, parece uma solução para uma fracção considerável das famílias!

Além disso a ida para a escola é uma das poucas oportunidades que as crianças têm para explorar terrenos desconhecidos. Se as questionar, muitas das crianças não conhecem grande parte da envolvente da sua escola, apesar de lá passarem quase todos os dias. Porquê? Porque vão de automóvel e passam rapidamente, sem prestar atenção.

O Pedibus consiste num “autocarro humano”, gratuito, em que as crianças, acompanhadas de um (só no início da fila) ou mais adultos (no início e no fim) sendo estes familiares, amigos ou vizinhos dos alunos (em sistema de rotatividade), seguem a pé para a escola, segundo um trajeto com paragens pré-definidas. Assim, depende do número de alunos envolvidos e do voluntarismo de pais e encarregados de educação para funcionarem como “condutores”.

As crianças podem usá-lo todos os dias, ou ocasionalmente, sendo uma organização dos pais e da comunidade escolar.
As crianças, equipadas com bonés e coletes que as identificam, acompanhadas pelo(s) adulto(s) apetrechado(s) com colete reflector, vão pelo caminho juntando outros colegas e todos fazem o percurso, não superior a 1 km (cerca de 20 minutos). À semelhança de um autocarro, percorrem um circuito definido, parando em locais pré-definidos, onde vão recolhendo mais crianças. Ao fim do dia o processo repete-se em sentido inverso, deixando todos em casa.

É um projecto que é saudável, divertido, económico e ecológico. As crianças adoram, pois fazem novos amigos, aprendem a andar na via pública e chegam à escola em segurança e sem atrasos. Entretanto, traz outras vantagens pois tornam-se mais responsáveis e autónomas, habituam-se a fazer parte de uma equipa e, claro, fazem exercício físico regular, com todos os benefícios para a saúde! Para os pais é também bem melhor pois, dando preferência a estas caminhadas em relação às pequenas deslocações de carro, evitam as filas de trânsito, gastam menos combustível e não começam o dia com o stress matinal das buzinadelas.

Outro desafio lançado às entidades ligadas ao ensino é a Serpente Papa-Léguas - Jogo da Mobilidade (http://www.trafficsnakegame.eu/portugal/) que é uma campanha criada para incentivar as viagens sustentáveis nas idas para a escola (a pé, de bicicleta ou de transportes públicos), e que tem as crianças e os seus pais como o principal público-alvo. A campanha consiste num jogo de fácil implementação e, além de participar no jogo, cada escola aderente é encorajada a organizar outras actividades e a proporcionar ações educativas sobre segurança rodoviária e mobilidade, questões ambientais e de saúde.

Cada novo ano lectivo apresenta-se como a oportunidade perfeita para definir novas formas de mobilidade. Aproveite e reorganize o seu dia a dia. Deixe o carro em casa e acompanhe os seus filhos a pé ou de bicicleta para a escola. É saudável e o ambiente agradece!

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