Correio do Minho

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Pelo Mundo

O abandono e o adulto difícil

Ideias

2015-06-02 às 06h00

Analisa Candeias Analisa Candeias

Estamos espalhados pelo mundo. Somos muitos, os portugueses que se aventuram - ou aventuraram - pelos quatro cantos deste globo azul e verde que nos acolhe. Fomos impelidos pela vontade da mudança e pela curiosidade. Sentimos ainda o apelo a novas transformações, novas formas de viver, de ver as diferentes realidades. É quase uma tatuagem genética, esta luta por ir, por viajar, por manter diferentes e variadas relações. Afinal, com meia dúzia de gentes, há alguns anos atrás, atravessamos os mares e as terras, atravessamos culturas, trouxemos novas formas de estar.

São muitos os meus colegas de profissão, e portugueses, que neste momento se encontram a descobrir rumos noutros países. Como antigos navegantes, são atrevidos e ousaram cruzar as fronteiras. Foram, e ainda são, corajosos, afirmando-se pelas suas extraordinárias competências e sentido de pertença nas instituições que os acolheram. Somos um povo querido pelos outros que nos desejam lá, com eles, e a trabalhar para edificar algo melhor. Foram, os meus colegas, à procura das melhores condições, movidos pela vontade da experiência e pelo apelo de serem melhores. Nunca a nossa Enfermagem será a mesma depois de os receber de volta, ou de os mesmos contribuírem para esta profissão que nos vai escolhendo - e mantendo, pela beleza das ações que podemos desenvolver.

São diferentes as formas de trabalhar e ser Enfermagem nos países que os mantêm em comum connosco. Em terras de Vera Cruz assistimos a um desejo de uma Enfermagem mais espiritualizada, mais humanizada, menos técnica. Por lá, do outro lado do Atlântico, onde igualmente se fala um português meio cantado meio sambado, a Enfermagem constrói-se através dos intercâmbios, da interculturalidade, através da aceitação e do grande trabalho com e para a equipa.

A energia quase contagiante dos nossos irmãos da América do Sul dilui-se no papel da Enfermagem, sendo esta profissão muito caraterizada pela alegria e pelo fazer do bem. São menos normativos que os restantes colegas do norte do continente americano, que trabalham igualmente de acordo com a sua cultura - de forma contínua, ritmada, albergando a formalidade na sua relação - no entanto sem descuidar o grande interesse pelo avanço científico da profissão, que tanto ajuda à qualidade e à afirmação na academia.

Por cá, deste lado da Europa, a Enfermagem é vivida igualmente de acordo com a cultura de cada país, sendo o nosso Portugal - país de atrevidos e teimosos aventureiros - responsável por grandes avanços no que diz respeito ao desenvolvimento científico, inovação e ideias criativas neste campo da saúde. Somos, aqui, pioneiros, grandes trabalhadores e altamente habilitados no que diz respeito à Enfermagem. Todavia não é apenas aqui, no nosso retângulo, que damos cartas.

Afinal, estamos a enviar os nossos profissionais, de grande qualidade e com as tais excelentes competências, para os outros países do estado europeu - é óbvio que lá, os nossos colegas enfermeiros, continuam o seu bom trabalho, sendo responsáveis pelo avanço da Enfermagem em terras além lusas. É pena que não seja cá, este avanço que estamos a ajudar a construir.
Aproximam-se as decisões relativas ao próximo Bastonário da Ordem dos Enfermeiros. É necessário rejuvenescer, olhando para o passado. Pensar no que é urgente realizar a curto prazo - porque o longo ainda é muito longe, não nos ajuda à decisão que se quer imediata.

Pensar ainda no que se tem realizado por esse globo fora, naqueles que são nossos e que fariam a diferença cá. Esse novo Bastonário deverá ser ousado, atrevido e navegante. Reunir consensos e unir fações. Centrar-se no que é realmente importante, e distinguir-se das rotinas e hábitos que têm vindo a ser parte de uma Ordem que se quer mais organizada.

Não vale a pena somente olhar para o lado e pensar que a responsabilidade é do outro. Afinal, o Bastonário será eleito por nós, que queremos uma maior e melhor Enfermagem. A nossa nau terá de conter aquilo que nos representa e figura, com centro na população que carece dos nossos cuidados. Resta-nos apetrechar os barcos e as naus de forma a não andarmos à deriva. E mantermos a tatuagem do atrevimento e da determinação, com vista a mudanças e transformações.

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