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Pintos & Pintos

Portugal de pernas para o ar!

Ideias

2012-03-16 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Não se trata de pintos de aviário nem de capoeira, mas de um conjunto de personalidades que, pelas suas funções de “poleiro”, têm vindo a sinalizar a vida do país, paralelamente a outras figuras que, não sendo pintos de nome, se têm vindo a revelar autênticas “aves” no mundo profissional e político, sempre “voando” graças aos “chico-espertismo e ”videirismo” de intervenções no governo e política, e sua cobertura mediática. Mas hoje cingir-nos-emos tão só a alguns Pintos, de nome e nomeada.

O Marinho, o da Ordem dos Advogados, que já nos habituou a polémicas e a uma “falação”destravada, intervencionista e comicieira sobre a Justiça, que apoda de “corporativa e medieval”, nunca consegue ultrapassar uma crónica azia para com os magistrados dizendo que “a generalidade dos juízes estão mais preocupados em protegerem-se uns aos outros do que em defender o estado de direito e os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos” (JN, 13.2.12).

Com uma incontinência verbal onde predominam críticas populistas, cáusticas e comicieiras, “vê” na Justiça um esquema despótico e fascista minado por lobies e associativismos classicistas em que os magistrados figuram como autores e réus. Ignorando-se o porquê de tanto azedume, incontinência e agressividade, admite-se apenas que isso resulte das suas vivências como causídico, desaguizados com algum magistrado, dificuldades ou questões da vida pessoal ou jornalística, mas de todo se impõe que ponha nome aos bois e não caia na pecha de generalizar particularidades, tomando a nuvem por Juno, o que mina toda uma credibilidade.

Aliás já não há pachorra para tantos dislates e usuais diatribes nem para as palavras incendiárias e agressivas que continuadamente “bolça”, nem sequer justificáveis na sua luta contra “cartéis” e “sociedades” de advogados e magistrados, ainda que caiam no goto do povoléu e de causídicos principiantes e (ou) “pé rapado”.

Usando um “verbo” populista, comicieiro e agressivo, todo este “messianismo” perde valência e credibilidade ao deixar entrever recalcamentos, sentimentos pessoais, despeitos, sanha persecutória grosseira e uma rude agressividade que, desaguando no insulto fácil, até sugere uma esconsa mas assumida militância política.

Aliás a projecção pública e a nobreza do cargo não se compaginam com tanto desaforo e vociferação no discurso, sendo certo que toda uma classe, caracterizada por desenvolver uma acção digna, nobre, responsável, cordata, de mútuo respeito e cordial, não “comunga” das suas tricas pessoais com a ministra e magistrados, não convive com os desaforos deste seu Pinto ou o acompanha nas “guerras” que comprou.

Aval, a tê-lo, aliás, será tão só de uns “minoristas” sem estatuto e estaleca.

O outro, o Monteiro, vem desempenhando apenas o papel que lhe pediram no concreto de uma muito questionável acção. Nunca tendo sido brilhante nem uma figura de incontornável respeito, desde sempre denotou manifestas inépcia e inabilidade e todo um notório desenquadramento ante as vivências da magistratura do MP e suas estruturas. Suspirando-se desde há muito pelo fim do seu “reinado”, tão só se admite que tenha sido vítima de perversos aconselhamentos e de uma “corte” deficiente, mal sã, vaidosa, endeusada, ciosa de projeccão mediática e a tresandar a incompetência, insensatez e arrogância.

Nunca tendo tido, nem sabido ter, a coragem de se distanciar devidamente da política, demarcando-se, não só alimentou como mesmo evidenciou suspeitosas dependências, e consequentemente viu as suas acção e posição “enlameadas” por casos de total descrédito e incontornável suspeição, que inquinaram e macularam toda uma classe e destruiram a sua imagem. Sem estaleca para a função, mal aconselhado, a sua tão dúbia e muito discutível “independência” tem, felizmente, os dias contados.

Aliás, diga-se, a sua última entrevista à SIC de modo nenhum serviu para “lavar” uma imagem e limpar o “cinzentismo” de um mandato que se desenrolou e desdobrou em dúbios e perversos avais e inacções, e até ... certo servilismo político.

O Nogueira, do Porto, numa entrevista corajosa e sem papas na língua como desde há muito nos habituou, fez uma ligeira amostragem dos podres da justiça, das perversas intromissões do poder e do “protectorado” lisboeta que logo se instalou com o outro Pinto, o Monteiro, deixando entrever os males da política nas leis e não só, e toda a podridão de uma justiça que vem sendo apenas compaginável com certa corte de advogados e os poderosos com dinheiro, aliás uma justiça enrodilhada e amarfanhada por leis que os políticos aprovaram e mantêm.

Quanto ao desaforo das equipas especiais, à denúncia da “concepção castrense do procurador-geral” quanto ao MP, à importância do “respeito pelos direitos, liberdades e garantias porque estamos a deixar de ser um Estado de Direito”, à perversa maquinação de um sistema centralizado em Lisboa onde os problemas se discutem ao arrepio dos interesses da província e restante país, sem dúvida alguma que incondicionalmente o acompanhamos, ainda que de todo não compreendendo por que motivo não se demitiu a quando das ofensivas e absurdas “ingerências” do MP de Lisboa na área da sua jurisdição.

E a finalizar, só nos resta formular votos de que o novo PG seja realmente competente, de todo independente e não “castrador” da acção do MP nortenho e da província, e que não o mine nas suas honra, competência, dignidade e independência funcional, retirando-lhe “forais”, enfeudando-o à Rua do Politécnico ou “enfiteuticando-o” em outros e mais “morgadios”, “coutadas” e “fazendas”. Num inaceitável protectorado colonizador e medievo.

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