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Pistas para reduzir glifosato

Uma Justiça que é tão cega

Pistas para reduzir glifosato

Escreve quem sabe

2019-04-06 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

Os únicos dados disponíveis sobre a contaminação por glifosato nos portugueses decorrem de análises à urina realizadas pela iniciativa da Plataforma Transgénicos Fora, da qual a Quercus é parceira, e que revelaram níveis de contaminação e deteção elevados. Como a maior parte do glifosato que inalamos ou ingerimos é eliminado em menos de 24 horas pela urina, estes resultados demonstram que há uma exposição recorrente ao herbicida.
Isto deve, no mínimo, fazer-nos pensar e tomar importantes decisões na nossa vida e agir para que o uso do glifosato, assim como outros herbicidas que por ventura até possam ser mais tóxicos, se reduza significativamente, e protegermo-nos da exposição e dos danos do glifosato.

Para nos ajudar nesse caminho, a Plataforma Transgénicos Fora tem no seu site uma brochura com pistas e conselhos úteis. Eis alguns deles:
Para reduzirmos a exposição a primeira coisa a fazer é deixar de usar. Deve mesmo procurar métodos mais naturais para produzir os seus alimentos e cuidar do seu jardim. Se mora em zonas rurais, afaste-se ou mantenha-se dentro de casa com janelas fechadas enquanto algum vizinho estiver a pulverizar pesticidas.
Há ainda muitas autarquias que usam herbicidas nos espaços públicos, por isso se vem da rua, ou esteve a passear num jardim público descalce os sapatos e lave as mãos. Se quiser ir mais longe: pergunte à sua câmara municipal ou junta de freguesia porque é que ainda não abandonou os herbicidas sintéticos.

Prefira alimentos biológicos, e evite mesmo produtos de origem animal não biológicos (carne, leite, ovos e derivados), porque a maior parte dos transgénicos cultivados são incorporados nas rações, e a maior desses transgénicos são resistentes ao glifosato e por isso estão ainda mais contaminados! Ou, pelo menos, opte por produtos de animais criados em pastagens e portanto que comam menos rações.
Evite também ao máximo batatas e cereais (e derivados, como o pão, massas, cereais de pequeno almoço) não biológicos, porque muitos são pulverizados com herbicida antes da colheita, uma prática conhecida por dessecação) está autorizada em Portugal na batateira e muitos países permitem-na em culturas de cereais, isto para quê? Para facilitar a colheita, o que é uma aberração, porque não se está a olhar para os impactos no ambiente e muito menos para a nossa saúde.

A transição de uma dieta convencional para uma biológica, em que pelo menos 80% dos alimentos são de origem biológica, reduz cerca de 90% da exposição aos pesticidas, imaginem, e isto em apenas uma semana. Por isso vale mesmo a pena optar por esses alimentos, o mais possível. A saúde é o nosso bem mais precioso. Com a redução do consumo de carne e peixe, mais refeições vegetarianas, e se possível cultivar uma horta e/ou recoletar alimentos silvestres vai conseguir poupar algum dinheiro e investir em ingredientes de melhor qualidade!

Para reduzir os efeitos do glifosato que entre no nosso organismo temos vários alimentos que nos ajudam. Devemos comer regularmente produtos ricos em manganês, como batata-doce, frutos secos oleaginosos, grão-de-bico e sementes, porque o glifosato liga-se ao manganês, ou seja é quelante de manganês, e é por causa dessa ação que o glifosato consegue causar danos nas células, das plantas… e não só.
O glifosato tem também ação antibiótica, desregulando o nosso microbioma, importante para a nossa saúde global, por isso devemos comer alimentos probióticos, é o caso de alimentos fermentados, como o iogurte simples, chucrute, picles, kombucha, miso... e que não tenham sido aquecidos demais ou pasteurizados.

Devemos ainda comer alimentos ricos em enxofre como os alhos, cebolas, couves, nabos e outras hortícolas desta família, e alimentos ricos em soro de leite, como o requeijão, para potenciar e facilitar a produção de glutationa, uma molécula com função antioxidante que protege o organismo dos danos.
Se quer ir mais longe não dispense a consulta desta importante brochura e veja mais algumas informações e conselhos úteis.

*Alexandra Azevedo, em co-autoria

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