Correio do Minho

Braga, quarta-feira

- +

Plástico - Pequenos passos no caminho certo

Solidão

Escreve quem sabe

2018-11-03 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

As populações de aves marinhas reduziram cerca de 70% nas últimas décadas. A última coisa de que precisam é de plástico flutuante a encherem-lhes o estômago mas mais de 90% das aves marinhas têm plástico nas suas entranhas! E plástico a fazer parte do ninho! Tartarugas a confundirem sacos de plástico com alforrecas ou cachalotes a confundirem-nos com lulas, e animais enredados tais como focas bebés, é uma infeliz realidade nos oceanos!
Há plásticos ingeridos por todos os tipos de organismos, desde o minúsculo plâncton até às enormes baleias, entrando na cadeia alimentar a todos os níveis! Quanto mais subimos na cadeia alimentar maior será a probabilidade de haver acumulação de toxinas e de estas se tornarem mais nocivas – bioacumulação, pelo que maior é a probabilidade do surgimento de doenças e de infertilidade, devido ao mercúrio, PCB, etc. pois o plástico funciona como uma esponja absorvendo os tóxicos. Há, portanto, uma preocupação crescente da parte das entidades de saúde pública com a presença de plástico nos alimentos.

Há uma grande dificuldade de avaliação da quantidade de plástico no mar devido:
- ao desconhecimento sobre que tipos de plásticos flutuam (e dão à costa) e quais os que afundam;
- invisibilidade, ex. microfibras e microplásticos;
- dimensão do oceano.

Um estudo da Ocean Conservancy juntamente com Mckinsey Center for Business and Environment aponta para que haja 150 milhões de toneladas de plástico no mar, isto é entre 4,8 milhões a 12,7 milhões de toneladas de plástico/ano que vão parar ao mar (1 camião de lixo/minuto) e poderá triplicar nos próximos 10 anos.
De onde vem? 80% tem origem em terra:
- cursos de água (ex. microfibras ao lavar a roupa),
- aterros no litoral.
Cerca de 1/3 dos resíduos de plástico não passam pelo sistema de recolha e reciclagem de lixo.

A produção de plástico subiu vertiginosamente nos últimos 20 anos (320 milhões de toneladas em 2015 – superior ao peso da população humana!) e deverá duplicar nos próximos 20 anos. Apenas 14% de todo o plástico produzido foi recolhido para reciclagem e só cerca de 5% é que foi mesmo reciclado.
Apontar o dedo a países que aumentam a quantidade de plástico no mar devido à exportação de resíduos, falta de água potável, infraestruturas destruídas por condições climatéricas adversas, falta de investimento, ex. Filipinas (saquetas de champô e hidratante de plástico e alumínio, da Unilever, Procter & Gamble) não é justo pois está associado à carência de recursos em populações fragilizadas.
Decorreram cerca de 111 anos desde que o plástico foi inventado e 53 anos desde que ocorreu a produção do saco de plástico. Os sacos de plástico duram em média 15 minutos e Calcula-se que demorem 500 a 1000 anos a decompor-se!

Marrocos era o 2.º maior consumidor de plástico (depois dos EUA) e entrou em vigor a proibição dos sacos plásticos no verão de 2016. Em Nairobi, em dezembro de 2017, 193 países reuniram-se para discutirem o problema dos plásticos e 39 países prometeram tomar medidas. A sociedade civil já lançou várias iniciativas tais como a “Julho sem plástico” levada a cabo por mais de 2 milhões de pessoas em mais de 150 países.
Viver sem plástico pode não ser possível devido a: tempo, dinheiro e localização geográfica, etc. mas pode-se reduzir. Ver sugestões em #BreakFreeFromPlastic.

Apenas algumas ideias: andar com saco e garrafa/copo reutilizável. Deixar de usar sabonete líquido, gel de banho e champô (optar pelo sólido). Optar por dentífrico em pó ou produzi-lo. Na cozinha usar bicarbonato de sódio e bórax. Um casaco polar pode ser responsável por libertar mais de 250.000 microfibras pelo que devemos preferir roupa de cama e pessoal de fibra natural (lã, algodão, linho, seda), lavar poucas vezes (arejar pois por vezes é suficiente), usar água fria e ciclos curtos.
O peso de todo o plástico produzido por 1 pessoa comum da Europa Ocidental ou da América do Norte é maior do que o seu próprio peso. A mudança começa com as pessoas ou pequeno grupo! Não faça tudo de uma vez. Vá aos poucos, passo a passo!

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.