Correio do Minho

Braga, quinta-feira

PME portuguesas no radar da Moody’s

Encontrão Ambiental

Ideias

2016-04-30 às 06h00

Vasco Teixeira

As pequenas e médias empresas (PME) são, particularmente para a economia europeia, a mais importante fonte de criação de emprego e de dinamização dos negócios e da inovação.
São cerca de 21 milhões de PME que representam 99,8% do total das empresas na Europa, dando emprego a 87 milhões de trabalhadores e representando cerca de 58% do valor acrescentado bruto total do segmento de mercado não financeiro.
O enorme peso das PME na economia nacional também se traduz numa significativa contribuição destas empresas para o PIB. Segundo dados do INE, em Portugal as PME representam 67% do total do valor criado na economia.
O dinamismo demonstrado pelas PME portuguesas assim como o seu forte contributo para o emprego e crescimento leva a que detenham um papel muito relevante no futuro da economia portuguesa.
Na maior parte das vezes as PME portuguesas são referidas com bom posicionamento em rankings europeus e relatórios de instituições (por exemplo, na inovação, competitividade, casos de sucesso de empreendedores, entre outros). No entanto, esta semana as nossas PMEs foram referidas num relatório da agência Moody’s como sendo as que apresentam a menor taxa de sobrevivência da Europa. O relatório Moody's analisa em detalhe seis mercados europeus: Portugal, Espanha, Itália, Bélgica, Reino Unido e França. Mas deve-se salientar que no período em estudo Portugal, estando sobre o programa de assistência e tendo vivido uma situação económica e financeira grave, é comparado com outros países que não estavam em idêntica situação.
A agência analisa os indicadores reais como uma das medidas de risco para avaliar as emissões de dívida garantida por empréstimos às PME. No relatório pode ler-se As PME portuguesas continuarão a mostrar o pior comportamento entre os mercados estudados neste relatório. A mais baixa taxa de sobrevivência na União Europeia confirma-o: só 25% das micro-empresas registadas em 2008 sobreviveram até 2012, menos de metade da taxa verificada na Bélgica'.
Uma das possíveis explicações para os problemas sentidos pelas PME é a reduzida diversificação geográfica das vendas. Isto porque, observa a Moody’s, o grosso das exportações é feito não pelas PME mas pelas grandes empresas e numa proporção maior que em outros países da Europa.
'As dez maiores empresas exportadoras dominam 20% do total das exportações nacionais, comparado com 16% em Espanha. O número de empresas exportadoras permanece em torno de 5% desde 2006', refere o relatório.
Se analisarmos os dados nacionais, por exemplo, o do relatório do INE sobre as PME em 2012, contata-se que os principais indicadores revelaram uma contração da atividade económica em 2012 com exceção das empresas exportadoras. Em 2012 mais de 50% das sociedades apresentaram resultados líquidos negativos.
Tomando 2008 como ano de referência, em cuja parte final se iniciou a crise financeira internacional, os principais indicadores do setor empresarial português revelaram um decréscimo da atividade económica. Registe-se que entre 2008 e 2012 o valor acrescentado bruto (VAB) gerado decresceu de forma menos acentuada no setor não financeiro que no setor financeiro (com taxas de variação média anual de -4,4% e -6,0%, respetivamente). Ainda assim, o contributo do setor institucional não financeiro para o VAB total da economia portuguesa cresceu, passando de 54,3% em 2008 para 57,0% em 2012.
Eis alguns dados sobre a taxa de criação e sobrevivência de PME portuguesas. Em 2008 foram criadas 32 585 novas sociedades (e 148 549 empresas individuais).
A taxa de mortalidade após 1 ano da criação é da ordem dos 90% para as sociedades (nos anos de 2008 a 2011). Para as empresas individuais é de 65%.
A taxa de mortalidade após 2 anos é da ordem dos 79% para as sociedades (nos anos de 2008 a 2010). Para as empresas individuais é de 42%.
A taxa de mortalidade após 3 anos é da ordem dos 68% para as sociedades. Para as empresas individuais é de 30%. Após 4 anos a taxa de mortalidade é da ordem dos 59% para as sociedades, enquanto para as empresas individuais é de 23%.
De facto, a conjuntura económica que Portugal tem atravessado nos últimos anos demonstra que cada vez mais as empresas devem procurar reduzir a dependência que têm do mercado interno e a apostar mais no mercado internacional. A aposta na internacionalização e na inovação deve ser considerada pelas PME portuguesas como uma resposta necessária e indispensável para os desafios atuais que enfrentam, assegurando, assim, a sua sustentabilidade no futuro.
Mesmo sendo inevitável o encerramento de PME como resultado da crise espera-se que, no longo prazo, isso possa se traduzir num crescimento económico e mais empregos, já que, uma vez recuperada a economia, novas empresas entrarão com mais qualidade e inovação do que as que saíram durante a crise. Estudos em outros países mostram que novas PME, em geral, geram um nível maior de concorrência, o que leva a um efeito positivo no crescimento de empregos num período de cinco a oito anos depois.
As empresas portuguesas, e em particular as PME, enfrentam desafios significativos para o futuro e têm ainda muitas oportunidades por explorar.
Entre outros desafios as PME portuguesas enfrentam os da internacionalização, recurso inteligente aos instrumentos para os fundos nacionais e europeus, procura de investimento/financiamento e adaptarem-se a nova era da economia digital e integração dos seus produtos industriais nos novos conceitos da Indústria 4.0 (serem participantes ativos na nova revolução industrial).

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