Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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Política e caciquismo

Portugal de pernas para o ar!

Ideias

2018-01-25 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Sentimo-nos envergonhado com as palavras e “explicações” dadas à TV pelo presidente da Câmara de Ovar, sede do nosso concelho, sobre a votação e “processos” de “militância” do PSD aquando das eleições disputadas entre Santana Lopes e Rui Rio, de quem Salvador Malheiro foi director de campanha. Um figurante político que não conhecemos, nem tal nos perturba, mas a quem já “apontam”o lugar de vice-presidente do partido (cada vez mais «partido»), e que bem “tentou” explicar o anómalo das votações de “militantes (!?)” da sua zona de acção com um arrazoado que não convence os mais estúpidos, mesmo que não conheçam a zona, nem os “crédulos” em matéria de política.
Claro que o “fenómeno” ocorrido, além de gargalhadas pela sua comicidade, deu azo a um comentário oportuno, perspicaz e irónico de José Diogo Quintela nos seus «Fúteis epitáfios” (C.M.18.1.18), que aliás não anda a dormir na forma e vem tendo “olhinhos” para o que se vem passando. Mas com o Malheiro à frente da “empreitada” do Rui Rio, que há tempos se afirmou apologista e defensor de um “banho de ética”, já estamos a vê-lo de sandálias e calções a percorrer os areais e pinhais do Furadouro e os “desertos” de antigos palheiros e pescadores da arte xávega a destilar “arrazoados” partidários e a esgaravatar “militantes”. E, claro, a resolver os problemas de habitação com um “sistema que permite alojar 8 militantes do PSD de Ovar numa casa que não existe”, sendo que, com tal sistema “genial”, segundo Quintela, ficará resolvido “o problema da habitação no país” sem recurso a bancos e sem hipótese de acusar alguém “de ceder aos interesses das grandes construtoras”, às mudanças de Planos Directores, a compadrios, etc.. E quanto a transportes, “há-de aparecer sempre um bemfeitor com uma Ford Transit que adora dar boleias a desconhecidos”, desde que haja eleições partidárias em barda.
Anotando-se as “explicações” do Malheiro, e mais o que se “viu” e se “percebeu” através da TV, afinal em tal “banho de ética”, tão apregoado pelo novo líder do PSD, não será usado sabão nem sabonete mas tão só um já conhecido e famoso champô denominado “caciquismo”, aliás um produto que, ao que se crê, se produz e desenvolve muito na zona de Ovar, onde tal Malheiro figura como brilhante “industrial”.
E se os portugueses tinham a esperança de uma mudança em política em termos de verdade, seriedade, honestidade e realidade, tudo ficou “esclarecido” nestas campanha e votações de umas eleições partidárias, impondo-se concluir que a política é um “sorvedouro” de gente reles, não fiável nem recomendável, onde todos são iguais, e uns até mais iguais do que outros. Aliás ainda temos na memória umas eleições em Coimbra para a concelhia ou Distrital do PS em que muitos “militantes” surgiram alojados em casas que não conheciam e onde nunca viveram, e em locais “impensáveis” como as conhecidas “esdadarias monumentais”!...
Tudo a bem da democracia, política e esconsos interesses partidários, impondo-se seguir os exemplo e sistema do Malheiro, uma figura na órbita de Rui Rio, aliás como sugere Quintela no seu «Primeiro Ovar e depois o país”, resolvendo-se assim os graves problemas da habitação e transportes. Sem reversões, sindicatos, greves, Arménios e outros que tais, e ... sem amontoar processos e queixas por peculatos, burlas, falcatruas, corrupções e mais ilegalidades geradas pela política.
E daí que sejam compreensíveis as dúvidas de F. J. Viegas (C.M. 18.1.18) quanto aos políticos e sua exclusividade em tal actividade porque se é um facto “a política precisar, cada vez mais, de perguntas vindas de fora do sistema partidário e da sua rede de negócios, pressões, apoios e especialidades”, um qualquer sistema de “políticos consagrados aos corredores do parlamento e dos seus recantos e comissões (e, pior, da sua má gramática e dos seu lugares-comuns), que não conhecem a vida das empresas e sabem das pessoas aquilo que os «contactos políticos» permitem”, tem inconvenientes, como a tendência para se formar uma casta de figuras com poder, isoladas e incomunicáveis, sem experiência e conhecimentos, numa oligarquia de influências e procedimentos.
Pelo que, seguindo Viegas, importa obstar a que “a política seja um trampolim para o mundo do mau dinheiro e do favorecimento de grupos e corporações”, sendo um risco “privilegiar os que há mais de uma década só têm um lado do cérebro a funcionar, e que sofrem de analfabetismo disfuncional”(id). Aliás as actuais “gentes” da política, pelos seus vícios, loucuras e passados, nada de bom auguram para o povo e o país, pois que, afogadas num mar de descrédito e sem fiabilidade, há muito perderam os valores da honra, verdade e honestidade no viver e ... o sentido das realidades. E preocupa e assusta-nos aquele “deve vender a alma ao diabo», um conselho da Ferreira Leite do PSD, pois logo nos traz à memória os seus almejados «seis meses sem democracia» (C.M. 21.1.18).

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