Correio do Minho

Braga,

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Políticas locais... e um pedido

Datas que não podem ser esquecidas durante todo o ano

Ideias

2015-10-30 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Devido às mudanças havidas neste país de brandos costumes e cultura milenar mas onde vêm vingando os “aproveitadores” e “oportunistas” servindo-se de leis a jeito e suas lacunas, cada vez mais confortados com as ausência e quebra de valores ancestrais e de uma cultura de formação, carácter e respeito, temos vindo assistindo às mais diversas anomalias e tropelias, mormente por parte de quem se julga senhor e detentor do poder e do dinheiro, que, afinal, de uma ou outra forma, sempre aparece, com todos a “babarem-se” em democracia e a “arrotar postas” de direitos e liberdade. Há liberdade para tudo, até para fazer asneiras e... conseguir escapar por entre as malhas de leis elaboradas muito a propósito.

Já integrando uma fase etária que por regra se considera “fora do prazo de validade”, o certo é que tão só se vem tendo direito a algumas prioridades nos supermercados, em certos lugares nos parques de estacionamento e em transportes públicos, ainda que conectado a um painel de figuras grávidas, com crianças ao colo e com bengala, porquanto a grande realidade é que muitas das vezes vimos arrostando com políticas locais de esquecimento e desinteresse que vêm “chutando para escanteio” alguns não pequenos e reais problemas do dia a dia. Certamente porque mais preocupadas com certos amiguismos, confrades partidários e quejandos, e mais interessadas em todo um “folclore” que lhes traga mais votos e o uso do “chapéu do poder” para passar a receber “chapeladas” dos outros.

Claro que por dieta recomendada pelo médico, e também ditada pela situação do país, não vimos alinhando em jantaradas e em encontros de reformados e outros que tais, tudo à borla, claro, nem concordamos com passeios a Fátima ou a outros locais, que tão só envolvem esconsos interesses e mais um voto no dia de amanhã, eventos que por norma são muito usuais e organizados por certos e conhecidos detentores dos poderes locais, mas que realmente são pagos por todos nós, com o dinheiro vindo de impostos, taxas, taxinhas, derramas, licenças, IMIs, IRSs, etc..

Um dinheiro que parece ser “curto” para certas coisas e para as medidas que se impõem, mas demasiado “comprido” para outras menos relevantes, desnecessárias, inúteis, ridículas e até incompreensíveis, até porque enformam mero folclore, revelam desatino e falta de sensatez e deixam entrever intenções perversas e astuciosas da área da política, de que aliás são exemplo certos projectos pseudo-culturais e desportivos, campos de futebol com relva sintética e polidesportivos em locais e zonas de nula premência, utilidade e até absurdos.

E que são de um ridículo atroz, irritante e parvo, porque contrários e alheios ao que na vida real e concreta mais preocupa o cidadão local, como um caminho a abrir, uma ponte a restaurar, um piso em degradação, casas ao abandono e a ruir, depósitos para lixos, outras comunicações e mais facilidades nos transportes, etc., dando-se-lhes outras e melhores condições de vida.

Daí que sintamos uma profunda saudade do Augusto Canicinho, presidente da junta da nossa freguesia natal que, à borla, sem qualquer ordenado e lutando com falta de meios, lá ia resolvendo os problemas dos seus conterrâneos e minorando suas dificuldades, esfalfando-se em idas à Câmara para conseguir uns dinheiritos para arranjar uns caminhos, sempre a desdobrar-se num trabalho útil, sério, sem folclore, compadrios ou “abcessos” partidários, como aliás também o era o do sr. Matos, um regedor que com dois cabos mantinha o respeito e a ordem na vida na aldeia, muito mais, diga-se, do que as actuais Polícias municipais ou outras de questionáveis actuação e resultados.

Saudades e profundas, refira-se, porque o seu trabalho em prol dos conterrâneos não era sequer remunerado, ao contrário do que se passa com o actual regime autárquico, a desenrolar-se e a desenvolver-se de uma forma muito onerosa para os cidadãos e com gravoso dispêndio de dinheiros públicos, pois passou-se a “viver” encaixado em esquemas de vencimentos, senhas de presença e outras alcavalas, “rodopiando-se” entre as “franjas” de colorido partidário, os amiguismos, os jeitos, as promessas, as conveniências e numa “porosidade osmótica” de incontornáveis obscuridade e perigosidade, naturalmente ao arrepio dos reais problemas e aspirações dos viventes locais.

Gostando-se de se ter praças e jardins floridos e bonitos, de ver assinalados em placas com textos apelativos e esclarecedores os monumentos a visitar, o certo é que de modo nenhum se pode silenciar a existência de certas ruas sujas e com detritos, onde cães e gatos se multiplicam e proliferam graças a restos de comida que alguns indivíduos (partidários ou não do PAN) deixam às portas dos vizinhos (claro!) nos mais improvisados recipientes, nem esquecer e “calar” os habituais “passeios” de cães levados por donos que se alheiam da sujidade produzida por eles, não recolhem os seus detritos e permitem que “marquem território” em paredes, portas de prédios e pneus dos carros, debitando mijadelas, deixando sinais e cheiros de urina. Para já não falarmos noutros “panistas” que exibem cães sem a mínima segurança (“são mansos, não fazem mal”) e permitem que perturbem o descanso ou o mesmo o sono dos outros, latindo, ganindo e até uivando durante a noite, ... mesmo dentro de prédios.

Isto em cidades e localidades com história e passado memoráveis, quiçá já património mundial de qualquer coisa, mas onde uma pessoa tem de ver onde põe o pé para não se sujar e procurar passeios menos esventrados, sem lombas, pedras soltas ou desnivelados onde todo um equilíbrio é sempre precário e problemático. Sobretudo perante pavimentos degradados e em rotura onde à sucapa “emergem” perigosos restos dos antigos “palitos” de metal que vetavam o estacionamento, e hoje só provocam tropeções e quedas.

Como, ao que nos foi dito, aconteceu há dias a uma senhora que descia a Rua do Sardoal, uma rua de forte declive perto do centro urbano e social, seguindo pelo passeio do lado esquerdo, onde, refere-se, já terão tropeçado e caído outros transeuntes.
Pessoas que pagam os seus impostos, licenças, derramas e taxas, para além dum oneroso IMI, e que muito naturalmente estão muito mais interessadas em que se tenha mais atenção a tais problemas de degradação e mais zelo e preocupação pela saúde, segurança e bem estar dos cidadãos do que numa viagem a Santoinho, em passeios a Fátima ou a outro local ou mesmo num qualquer evento ou almoço de confraternização à borla, de reformados ou outros.

Compreende-se que o mundo e a vida de hoje está para os “espertos”, os “políticos” e os “partidos, já que é assim que se ganha dinheiro e se alçança posição social e “penacho”, até porque cada voto tido em eleições, para além duma eventual subvenção anual, dá sempre dinheiro aos partidos. Daí que seja natural que neste país, sempre a “babar-se” em direitos, liberdades e democracia, se viva sobretudo para e das políticas, partidos e da caça ao voto e ao poder.
Mas, por favor, não esqueçam os cães e gatos, as ruas sujas, as ervas que “vegetam” aqui e ali, e mesmo nas juntas de prédios, as casas em ruína e os degradados e perigosos passeios causadores de trambolhões a quem já vem tendo falta de mobilidade, equilíbrio e de saúde.

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