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Poluição luminosa (conclusão)

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Escreve quem sabe

2013-03-09 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

As consequências destes desperdícios inúteis são múltiplas. A energia consumida em excesso tem outros custos indiretos: muita dela provém de centrais térmicas, poluidoras, que assim têm de consumir mais recursos fósseis (não renováveis e com as consequentes perdas de divisas) e lançando mais gases com efeito de estufa na atmosfera, acentuando as alterações climáticas; alterando e desequilibrando os ecossistemas (prejuízos ambientais); além disso somos incomodados pela luz mal direcionada e em excesso que nos prejudica nas vias públicas e até mesmo no interior das nossas casas (prejuízos sociais. Não são poucas as pessoas que, para conseguirem dormir, têm de fechar os estores porque a luz do candeeiro da rua entra pela janela, apesar desta se encontrar acima desse candeeiro).

A variedade das condições ambientais contribui para uma maior biodiversidade. Alguns processos naturais só podem acontecer durante a noite na escuridão, como por exemplo, repouso, reparação, navegação celestial, predação ou recarga dos sistemas. A escuridão é indispensável para um funcionamento saudável dos organismos e de todo o ecossistema. A perturbação dos padrões naturais de luz e escuridão influência vários aspetos do comportamento animal (de alimentação, reprodução ou migração). A PL pode confundir a navegação animal, alterar interações de competição, relações entre presas/predadores e afetar a fisiologia do animal.

A atração que muitos insectos têm pela luz, o desregular do descanso durante a noite dos animais que vivem durante o dia, ou mesmo as espécies que vivem à noite podem ver o seu comportamento alterado pela forte e mal direcionada iluminação. Muitos investigadores relacionam o declínio de muitas populações de borboletas noturnas e de anfíbios com a PL. Além disso, algumas espécies, como os pirilampos, comunicam por sinais luminosos … Outro efeito negativo da PL é a alteração do ritmo biológico, tendo sido observadas aves a construir o ninho e a desenvolver comportamentos reprodutores no Outono em vez da Primavera, com efeitos desastrosos no seu sucesso reprodutor. A PL é responsável por desequilíbrios que podem afetar ecossistemas inteiros.

A PL produz também riscos nas plantas. Com a excessiva proximidade dos candeeiros à folhagem, esta pode ser queimada, alterar a sua taxa fotossintética e, o fato de a luz estar acesa toda a noite, pode alterar o crescimento das espécies e os seus ciclos vegetativos.
O estudo sobre a poluição luminosa ainda se encontra no início e por isso os impactos deste problema não são, ainda, totalmente compreendidos. No entanto, os sistemas de iluminação inadequados afetam o sistema biológico humano (que necessita de períodos de escuridão para efeitos reparadores e equilíbrio emocional).

A iluminação artificial pode produzir efeitos fisiológicos no ser humano, alterando a produção de hormonas responsáveis pelo ciclo dormir-acordado. A disrupção deste ciclo está associada a problemas como insónia, depressão, cancro, asma e mesmo ataques cardíacos. Além disso a PL já foi por diversas vezes responsável pelo encandeamento de condutores, provocando acidentes.

O que fazer para mudar a situação atual? Quando muitas pessoas estiverem sensibilizadas para o problema, talvez então as autarquias se sintam pressionadas a efetuar um melhor planeamento da iluminação pública. Outras atitudes que poderiam ajudar seria arborizar o máximo possível avenidas, parques etc.; instalar ‘timers’ para cortar a iluminação onde ela não é necessária na segunda metade da noite; evitar iluminar fachadas de edifícios e monumentos... não os iluminar de baixo para cima, iluminando o espaço!

Um bom indicador de baixa PL num local é a escuridão do céu, o que se traduz na maior abundância de estrelas visíveis a olho nu. Não se deve aceitar que o progresso nos afaste cegamente da Natureza. O céu noturno é Património da Humanidade e uma das maiores maravilhas que podemos contemplar. Devemos preservar esse espetáculo!

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