Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Por um Natal contínuo

Cancro do Pulmão – de que morrem os portugueses

Ideias

2018-12-04 às 06h00

Jorge Cruz

“Uma boa consciência é um Natal contínuo”. (Benjamim Franklin)

1. No primeiro dia deste mês de Dezembro, a Câmara Municipal de Braga procedeu à inauguração da iluminação de Natal, “cerimónia mágica” que também envolveu o arranque da animação de cariz cultural e lúdico, relacionada com a temática natalícia. Foi um momento de rara beleza, presenciado e aplaudido por milhares de bracarenses e que, tudo indica, continuará a atrair visitantes.
Com epicentro na Arcada, local onde se encontra a tradicional árvore de Natal, e cuja fachada foi decorada com uma “inovadora iluminação interactiva”, as iluminações estendem-se por um conjunto de artérias, em particular no centro histórico, abrangendo ainda os “principais monumentos” e “rotundas do concelho”. Aliás, com estas iluminações natalícias, o Município prometia “surpreender e fazer as delícias dos Bracarenses e dos milhares de visitantes que passam por Braga nesta época festiva”, o que, a julgar pelos primeiros dias, parece estar a ser conseguido.
Para além da cintilação das luzes decorativas, a cidade oferece até ao final do mês um “vasto programa cultural” denominado “Braga é Natal 2018”, e que engloba diversas vertentes, designadamente música, dança, teatro, circo, literatura, cinema, exposições e gastronomia, num total de mais de 200 espetáculos e animações.
“Foi uma aposta que efectuamos no reforço da atractividade deste período, seguindo o mote de que Braga é um destino natural para o período natalício e que este deve viver-se na rua”, asseverou Ricardo Rio na apresentação do programa.
Julgo poder afirmar que a maioria dos bracarenses exulta sempre que a sua cidade se mostra capaz de atrair visitantes. Também quando ela é mediatizada por bons motivos. Quanto a isso não tenho quaisquer dúvidas. Mas creio ser oportuno lembrar a Ricardo Rio que o slogan “juntos damos mais brilho e luz à nossa cidade” só fará sentido quando todas as artérias citadinas estiverem iluminadas. E não me estou a referir, especificamente, às iluminações no período natalício…

Constata-se, de facto, que uma boa parte da cidade está deficientemente iluminada, quer por inexistência ou falha de luminárias, quer porque a luz se desperdiça, não conseguindo passar através dos “altos ramos de árvores frondosas”, como diria Pessoa, através do seu heterónimo Ricardo Reis.
E esta circunstância, absolutamente anómala e potenciadora de situações perigosas, como quedas e assaltos, vive-se todo o ano em diversas artérias, algumas centrais, outras nem tanto. Ora, mesmo sabendo que em alguns casos a culpa não poderá ser assacada exclusivamente ao Município, a verdade é que, também nesses casos, os autarcas não se podem eximir das suas responsabilidades.

2. Entretanto, na Assembleia da República continuam a ocorrer factos deveras estranhos, que contribuem para descredibilizar a Democracia. E já nem falo das inqualificáveis atitudes daqueles deputados que, no exercício das funções para que foram eleitos, se comportam como vulgares falsários. Esses, espero que as autoridades competentes, primeiro, e os eleitores, numa fase posterior, os metam na ordem.
Recentemente, e no âmbito da discussão na especialidade do Orçamento de Estado para 2019, a decisão de incluir três novas vacinas no Plano Nacional de Vacinação abriu um perigoso precedente, de consequências imprevisíveis. Tratou-se de uma intromissão política numa área que não é da competência do Parlamento, é tal aconteceu à revelia da Direcção-Geral da Saúde, que não recomendou a universalização daquelas vacinas.
A proposta do PCP, que foi apoiada pelo PSD e BE (o PS votou contra e o CDS absteve-se), é profundamente errada, sob o ponto de vista político, e incompreensível, sob o ponto de vista científico, conforme já foi denunciado por diversos especialistas. O próprio Bastonário da Ordem dos Médicos não deixou de lembrar que “é fundamental que todas as vacinas do PNV tenham uma análise e um acordo baseado na evidência científica”, enquanto a ministra da Saúde, recordou que "cabe à Direcção-Geral da Saúde (DGS) e à comissão técnica [que a integra] fazer a avaliação e a recomendação” das vacinas a incluir ou não no programa nacional.

Mas o Parlamento foi palco para outros confrontos, outras lutas, como a inacreditável dissonância entre António Costa e Carlos César a propósito do IVA para as touradas. Com outros contornos, mas não menos surpreendentes, serão as contrições públicas dos partidos que implementaram medidas de enorme sofrimento para os portugueses e que agora agem como se nada tivesse acontecido.

Exemplo flagrante foi a discussão sobre a justa reposição das progressões salariais dos professores. A deliberação da Assembleia da República vai no sentido de instar o Governo a regressar às negociações com os sindicatos mas o curioso é que a decisão foi tomada também com os votos do PSD e do CDS, os partidos do governo que defendeu e implementou os cortes. Ou seja, os responsáveis pela redução de rendimentos dos trabalhadores, que incluiu subsídios de férias e de Natal, e de outras malfeitorias, como o congelamento das progressões nas carreiras, apresentam-se agora como timoneiros da defesa dos direitos dos trabalhadores. E o curioso é que a postura do PSD e do CDS acontece depois de o governo do PS ter reposto rendimentos, designadamente os subsídios cortados, de ter baixado acentuadamente o desemprego, de ter acabado com as penalizantes taxas especiais, enfim, depois do governo ter corrigido muitos dos erros cometidos por Passos Coelho e, dessa forma, ter melhorado substancialmente as condições de vida dos portugueses.

* O autor escreve em total desacordo e intencional desrespeito pelo dito Acordo Ortográfico, declarando-se objector do mesmo.

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