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Ideias

2018-09-14 às 06h00

Carlos Alberto Cardoso

Na passada semana tive a honra de participar, a convite da organização, no 28.º Fórum Económico de Krynica (Polónia), a maior conferência internacional da Europa Central e Oriental, e que reuniu mais de seis mil pessoas em três dias de debate.
Entre os vários temas em discussão, interessou-me, particularmente, o dedicado à Silver Economy, dado que abre novas perspetivas e dinâmicas de impacto na economia, na política e na vida social europeia.
É sabido que a esperança média de vida está a aumentar e também é do conhecimento global que o espaço digital e as tecnologias modernas estão a redesenhar o mundo. Ora, a questão é saber como, na construção de uma sociedade de conhecimento, se pode conciliar o crescimento da população idosa com o desenvolvimento de tecnologias modernas. Que medidas devem ser tomadas para conferir aos idosos mais acesso às novas tecnologias, serviços e bens, que são projetados para facilitar a vida quotidiana. Como eliminar as diferenças na sociedade, que afetam o nível de exclusão digital (e-exclusão) de idosos?

Um dos principais desafios para a Europa é o envelhecimento da população. É um desafio social importante, em termos de fundos públicos, emprego, competitividade e qualidade de vida; mas também representa uma grande oportunidade para a criação de novos empregos e crescimento económico.
Ora, a Silver Economy abrange novas oportunidades de mercado derivadas tanto do gasto público quanto do consumo privado, relacionadas com o crescimento da população com mais de 50 anos. A Merrill Lynch, um dos maiores bancos do mundo, estima que a Economia de Prata crescerá, globalmente, 7 trilhões de dólares por ano para atingir 15 trilhões em 2020. As despesas públicas da UE em matéria de envelhecimento da população atingem 25% do PIB e 50% das despesas das administrações públicas, com um aumento de 4% do PIB até 2060.

Várias direcções-gerais da Comissão Europeia já estão a trabalhar em iniciativas políticas centradas na Economia Prateada, como no domínio do envelhecimento ativo e saudável, turismo para idosos ou alojamento adaptado. Para otimizar as sinergias e o impacto, há uma série de ações de acompanhamento que estão a ser desenvolvidas para levar adiante a Estratégia para a Economia Prateada na Europa:
- A iniciativa “Casas Amigas dos Idosos” foi publicada em março de 2016, com o objetivo central de criar um quadro de referência europeu para lares digitais, que sejam amigos dos idosos;
- O "Plano de Inovação Digital para o envelhecimento da sociedade da Europa no século 21" está em andamento e mobilizará um ecossistema europeu inovador em torno de uma visão compartilhada para facilitar o caminho da inovação digital emergente para o mercado, promover o acesso ao financiamento para inovadores ativos na Economia de Prata, e apoiar a mobilização de fundos estruturais através do especialização inteligente.

Mas onde está uma ideia realmente nova?, Ela surge quando Peter Nowak, senior account manager da emprsa alemã BKK VBU levanta a questão na sala: “Alguém aqui me diz qual é a diferença entre um boa ideia de negócio de um reformado e de um jovem licenciado?” E continua. “Uma boa ideia de um reformado pode ou não ser uma excelente ideia de negócio, dado que ele tem mais experiência, a vida resolvida e a família organizada?. A verdade é que não há idade para ter uma excelente ideia de negócio, mas um reformado tem mais probabilidades de apostar nela com sucesso”.
É aqui que encontro a novidade! Efetivamente, os reformados, os seniores, a terceira idade, podem ser mais que públicos-alvos ou consumidores. Estes homens e mulheres podem ser o motor da nova economia, como criadores e aceleradores de ideias de negócio.

Perante esta realidade, propôs-se no Fórum Económico algumas iniciativas, que os países e o poder local podem e devem implementar, como forma de se prepararem para as realidades que se avizinham: a criação de incubadoras para ideias de negócio seniores; a concessão de apoios à criação de empresas de gerência sénior; e o desenvolvimento de Centros de apoio às famílias que estejam a desenvolver ideias de negócio. Afinal, a família apresenta-se como célula responsável pelas boas ideias de negócio, tanto de um jovem, como de um reformado, pois em ambas é a sua base de apoio.
Do ponto de vista da política, é preciso pensar a família como um todo. Os governos deviam ter um Ministério da Família e as autarquias deviam definir um pelouro da Família, agrupando tudo o que lhes diz respeito. No fundo, é voltar à base, onde a família é a célula da sociedade. E se queremos uma sociedade sólida, moderna e desenvolvida, ela começa na família!

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