Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Prioridades

A Casa de Chocolate

Ideias

2013-04-10 às 06h00

Analisa Candeias

Nas últimas semana te-mos assistido (mais uma vez) a mudanças e alterações naquilo que consideramos ser a vida política e económica do nosso panorama nacional. É quase impossível escaparmos a estas variações e contínuas transformações e considero que, em função do que tenho observado, as próprias pessoas e comunidades começam a estranhar (apresentando uma forma estranha este estranhar…) se não existir nada de novo a nível das decisões governamentais.

Assim, de igual modo, é quase impossível não refletirmos sobre as possíveis consequências que estas modificações poderão trazer às diversas facetas que compõem a nossa sociedade - e no que diz respeito ao meu espaço profissional específico, à faceta relativa da saúde das populações.
Diariamente atento em profissionais deste espaço que tentam dar resposta a estas alterações, esclarecendo as gentes que fazem usufruto dos seus serviços.

Porque é indispensável e obrigatória uma constante atualização (que se poderá tornar como que extenuante devido às dinâmicas dos dias que correm), tanto a nível profissional como a nível social, daquilo que é realmente importante manter e que se poderá preservar dentro do âmbito das boas práticas - algumas consideradas como básicas para a manutenção do bem-estar das populações.

Porque é urgente pensarmos e considerarmos as prioridades. Prioridades da cidadania, prioridades da economia, prioridades das regras sociais…E as prioridades que são necessárias em saúde. E para a saúde. Porque todas as transformações que possam ocorrer a nível político e governamental apresentam repercussões ao nível das escolhas provindas do que se considera priorizar. Escolhemos e selecionamos o mais importante e necessário de acordo, não só com aquilo que realmente queremos, mas em parte com o que nos é disponibilizado e se encontra acessível. E igualmente de acordo com o que conhecemos e sabemos.

Neste sentido, as populações, no dever de manutenção da sua saúde (tão fortemente celebrada no passado dia 7 de abril), possuem o direito a esse conhecimento e a essa sabedoria daquilo que os assiste e que lhes poderá ser proporcionado em caso de uma maior fragilidade.

E, embora conhecendo este direito que me assiste enquanto ser social (e dever a cumprir enquanto ser profissional), pergunto-me muitas vezes se, atualmente, a tão afamada conjuntura nos reserva espaço para esses direitos e deveres de informação e, de modo consequente, para uma tomada de decisão esclarecida. Neste âmbito, e de acordo com as conjunturas - em que obrigatoriamente participamos - quais são as nossas prioridades? O que é que se torna indispensável atingir? E, acima de algumas realidades (quiçá pessoais ou singulares de cada um de nós), qual a nossa envolvência e responsabilidade nesses rumos?

Não me compete, neste momento, dar algum tipo de resposta às perguntas formuladas, mas refletir nas mesmas e de forma a possibilitar (assim o espero!) o estimular de algumas questões relativas a temas tão sensíveis e continuamente apetecíveis que são os do âmbito da saúde. Pergunto-me ainda, na continuidade do que é, mais uma vez, apetecível “sovar” neste momento tão atual, quando e de que forma as diferentes comunidades despertam para os serviços que não se encontram a ser priorizados - ou, pelo me-nos, mantidos.

Resta-nos aguardar pelo que aí vem e pelas decisões que serão tomadas, no que serão estilos de mudança. Não são alturas fáceis, estas as que vivemos, propícias às resoluções precipitadas ou pouco fundamentadas. E, presentemente, podemo-nos questionar até que ponto existe tempo e lugar para este tipo de ações, derivadas de raciocínios apressados ou quiçá pouco empenhados no bem comum.

Porque é, no fundo, através das variações que as populações sentem e vivem que os profissionais do espaço da saúde po-derão igualmente desenvolver algo de novo. Este algo refere-se a desenvolvimento, progresso, novas prioridades e, quem sabe, novas formas de assistência aos que se apresentam com a tais fragilidades. No entanto, é necessário que todos estes envolvidos reconheçam essas transformações e que, de uma forma ou de outra, as saibam aceitar ou rejeitar - pelo bem da nossa saúde.

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