Correio do Minho

Braga, terça-feira

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Produtos Verdes

Opções muito discutíveis

Escreve quem sabe

2010-11-05 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

Quando falamos de produtos verdes, estamos a falar de produtos desenvolvidos como parte de uma acção de marketing socialmente responsável, isto é, são produtos ambientalmente correctos, que não agridem o meio ambiente e a saúde humana. Assim, ao conceber os produtos verdes, as empresas devem ter conta alguns aspectos, nomeadamente:

- tornar os produtos menos complexos e mais úteis;
- reduzir a variedade de matérias-primas;
- evitar materiais tóxicos e artificiais;
- reduzir o tamanho e o peso;
- optimizar o processo de fabrico;
- desenvolver embalagens na fase de desenvolvimento do produto;
- desenhar produtos com vista ao upgrade futuro;
- criar produtos modulares, com um design duradouro e de qualidade superior;
- reutilizar o produto aquando do seu fim de vida;
- utilizar materiais reciclados, recicláveis e biodegradáveis.

Os meios de comunicação social foram, a partir dos anos 80, utilizados para promover uma nova forma de vender os produtos, através de um discurso ambiental. O desafio principal da comunicação verde passa pela educação do consumidor em relação aos atributos ecológicos dos produtos, o seu real impacto no ambiente, divulgando o que tem vindo a ser feito em prol do ambiente e procurar sensibilizá-lo para que também participe neste processo, já que a responsabilidade de preservar os recursos escassos é de todos. Contudo, o mercado tem sido inundado por uma grande variedade de produtos com apelos ecológicos diferentes o que pode provocar confusão, frustração e inacção por parte dos consumidores. A sobrecarga de produtos com apelo ecológico reduziu a efectividade das campanhas verdes. Muitas das mensagens estão longe de cumprir os propósitos de sensibilização e educação do consumidor.

Neste sentido, foi elaborada uma lista, a que os consumidores devem estar atentos:
- linguagem evasiva;
- contra-senso “produtos verdes” versus “empresas com política ambiental inexistente”;
- imagens sugestivas;
- atributos irrelevantes;
- mensagem arrogante;
- credibilidade;
- utilização de especificações demasiado técnicas;
- certificações ambientais;
- ausências de provas;
- atributos ecológicos simplesmente inexistentes.

Muitos produtos estão a proclamar-se como ambientalmente correctos, mas em quase todos se verifica que, pelo menos uma das reivindicações, não cumpre os pressupostos que um produto verde deveria respeitar, isto é, aquilo que deveria ser um compromisso com o ambiente é, para muitas empresas, uma questão de “moda”; aquilo que em inglês se designa greenwashing. Estas mensagens fraudulentas têm o potencial de prestar um enorme descrédito à causa ambiental, pois confundem os consumidores gerando cepticismo.

Nos últimos anos têm vindo a proliferar inúmeros rótulos ambientais para certificar a conformidade ecológica de um produto. Para receber essa rotulagem, o produto tem de passar por um processo de normalização regulado pelas normas ISSO 14020 e 14021. Um dos rótulos mais populares em Portugal é a EU flower, um Sistema Comunitário de Rótulo Ecológico.

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