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Promoção da Inovação Tecnológica e Empresarial

Parecer (técnico)

Promoção da Inovação Tecnológica e Empresarial

Ideias

2019-06-08 às 06h00

Vasco Teixeira Vasco Teixeira

A aposta no investimento no conhecimento científico e na inovação tem-se revelado uma importante alavanca para o crescimento socioeconómico e o desenvolvimento sustentável. Segundo dados da Comissão Europeia, cerca de dois terços do crescimento económico da Europa nas últimas décadas foram impulsionados pela inovação. Portugal deve continuar a reforçar a sua aposta no investimento no Conhecimento e na Inovação como alavanca para o crescimento socioeconómico e o desenvolvimento sustentável.
A OCDE avaliou a situação atual portuguesa (2016-2017) relativamente ao sistema de ciência, tecnologia, inovação e ensino superior. O estudo da OCDE mostra que Portugal continua a ter doutorados a menos, sobretudo nas empresas. O relatório refere que as universidades públicas têm um "financiamento instável", que não está ajustado às suas necessidades e objetivos, criticando mesmo as "frequentes cativações" do Orçamento do Estado para as universidades e politécnicos.
A avaliação realizada consubstancia algumas recomendações para uma estratégia para o Conhecimento Científico e Inovação para Portugal, que é necessário implementar de forma efetiva, que visam atingir os seguintes objetivos:
a)Reforçar a capacidade de I&D e de inovação em estreita articulação com o ensino superior, garantindo uma estreita ligação ao território e o impacto na criação de emprego qualificado em Portugal num contexto internacional;
b)Estimular a diversificação do sistema de ensino superior, juntamente com a diversificação das atividades de I&D, designadamente alargando, modernizando e reforçando o âmbito de atuação do ensino politécnico em termos de formação superior de natureza profissionalizante e de atividades de I&D baseadas na prática;
c)Reforçar as condições de emprego científico e o desenvolvimento de carreiras académicas e científicas, juntamente com a responsabilidade institucional em rejuvenescer e reforçar essas carreiras;
d) Estimular a internacionalização dos sistemas de ciência, tecnologia e ensino superior. A Estratégia Nacional de Inovação e Empresarial (para o período 2018-203) tem como principais objetivos:
1 - Alcançar um investimento global em I&D de 3% até 2030, com uma parcela relativa de 1/3 de despesa pública e 2/3 de despesa privada, correspondendo a um investimento global em I&D de 1,8% do PIB até 2020 (foi 1,3% em 2016).
2 - Alcançar um nível de 60% dos jovens com 20 anos que frequentem o ensino superior em 2030, com 40% dos graduados de educação terciária na faixa etária dos 30-34 anos até 2020 e 50% em 2030 (foi de 35% em 2016).
3 - Alcançar um nível de liderança europeia de competências digitais até 2030, em associação com acesso e uso da internet, bem como a procura pelos mercados, desenvolvimento de negócios e desenvolvimento de competências especializadas.
4 - Aumentar as exportações de bens e serviços, ambicionando-se atingir um volume de exportações equivalente a 50% do PIB na primeira metade da próxima década.
Um dos vetores estratégicos de ação da Estratégia de Inovação Tecnológica e Empresarial é reforçar o apoio e a capacitação da rede de Centros Interface e de Laboratórios Colaborativos, promovendo maior financiamento, maior colaboração a nível nacional e internacionalização. Os Laboratórios Colaborativos (CoLAB) deverão dinamizar a “colaboração entre o SCTN e as empresas, promovendo atividades de Investigação, Desenvolvimento e Inovação, a valorização e o emprego de recursos humanos qualificados e o desenvolvimento de novas áreas de competências com forte potencial de exportação de bens e serviços de maior valor acrescentado”. Esses Laboratórios devem atuar em áreas como: i) floresta e fogos; ii) espaço, clima e oceanos; iii) transformação digital; iv) investigação e inovação em regiões de montanha; v) vinho e vinha na região do Douro e vi) valorização de algas no Algarve.
O Laboratório Colaborativo tem como objetivo principal criar, direta e indiretamente, emprego qualificado e emprego científico em Portugal através da definição e implementação de agendas de investigação e de inovação orientadas para a criação de valor económico e social. É da responsabilidade da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no âmbito do Programa Nacional de Reformas, do Programa Interface e da Agenda “Compromisso com a Ciência e Conhecimento”, em colaboração com a ANI - Agência Nacional de Inovação o processo de constituição e operacionalização da criação de Laboratórios Colaborativos.
FCT já aprovou mais de uma dezena de projetos de Laboratórios Colaborativos, que têm um financiamento garantido nos próximos cinco anos. Será uma verba total de 50 milhões de euros para financiar os 20 Laboratórios colaborativos distribuídos pelo país nos próximos 5 anos. O que resulta na execução de projetos de investigação desenvolvidos em parceria entre empresas, autarquias e instituições de ensino superior. Um projeto com grande interesse industrial estratégico nacional é liderado pela Universidade do Minho. O Laboratório Colaborativo em Transformação Digital “DTx - Digital Transformation CoLab - Experiencing the Future”, centrado na transformação digital na indústria (Indústria 4.0) liderado pela Universidade do Minho tendo como parceiros, entre muitos outros, as empresas Bosch Car Multimedia, Embraer, IKEA, NOS, Celoplás, TMG Automotive, o Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEIIA), a Universidade de Évora e o INL (Laboratório Internacional Ibérico de Nanotecnologia).

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