Correio do Minho

Braga, terça-feira

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Saboaria e cosmética natural

Opções muito discutíveis

Escreve quem sabe

2016-10-22 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

Já imaginou a sua vida sem sabões e outros produtos de higiene? Logo pela manhã, assim que acordamos, normalmente, das primeiras coisa que fazemos é lavar a cara com sabão. Usamos também o sabão para, lavar roupas, louças, etc. Lavamos as nossas mãos e corpo com sabões. Enfim, existe uma infinidade de utilidades para o sabão que o seu uso tornou-se uma questão de higiene e até de bem-estar.

Mas como surgiu o sabão?
O sabão surgiu de forma gradual, ao longo da história da humanidade, e sua produção é uma das atividades mais antigas realizadas pelo ser humano. Os primeiros registos de um material semelhante ao sabão atual foram encontrados numa placa de argila de aproximadamente 2800 a.C., na região da antiga Babilónia, hoje Iraque.
A produção do sabão segue uma regra básica: é uma reação entre um ácido gordo (gorduras e óleos de origem vegetal ou animal) e um material alcalino, isto é, de caráter básico (normalmente, hidróxido de sódio NaOH).
Assim, os primeiros sabões eram misturas de gorduras de animais, com cinza de madeira, que possui substâncias alcalinas. Se não houvesse cinza, evaporava-se a água de rios que costumavam ser alcalinas, como a água do rio Nilo, no Egipto.
A partir da segunda metade do século XX, à medida que os novos detergentes e sabonetes industriais foram tomando conta do mercado, foram-se perdendo todos os conhecimentos deixados pelos nossos antepassados, passando a utilizar-se substâncias químicas cada vez mais agressivas para a pele, apenas com o objetivo de reduzir os custos de produção, aumentando assim os lucros. Como exemplo temos a utilização, em quase todos os produtos, da substância sodium laureth sulfate - SLS, possível cancerígeno, apenas por razões económicas.

Atualmente e perante as crescentes certezas dos prejuízos causados pelo excesso de químicos recebidos pelo nosso organismo através da utilização dos variadíssimos sabonetes, géis de banho, champôs e tantos outros produtos cosméticos e de higiene pessoal, produzidos e disponibilizados pela indústria químico-farmacêutica, há um retorno às coisas simples, às origens.

A elaboração de cosméticos naturais e produtos de limpeza como sabões, cremes, bálsamos, pasta de dentes, ambientadores, velas, entre outros, utilizando como matérias-primas ervas medicinais, frutas, sementes, óleos e essências medicinais além de ser extremamente fácil de realizar em casa, de forma independente, prática e segura, dão-nos a liberdade de escolha na elaboração dos produtos de higiene pessoal e dos produtos de limpeza da casa. E são vários os benefícios associados a utilizar os produtos por nós elaborados. Além de termos o prazer de ser parte do processo, podemos escolher os vários odores, a textura, economizamos e não contribuímos para a utilização de produtos fabricados em massa nem para o desperdício desmedido de materiais.

Podemos poupar em harmonia com o ambiente, utilizando de forma consciente e sustentável os recursos naturais do planeta, em equilíbrio com nosso ritmo diário, de forma sustentável e respeitando as reais necessidades de cada um. Por exemplo, a maioria das pastas de dentes vem com uma embalagem de cartão a que não damos qualquer uso pois a sua razão de ser está ligada à publicidade e acomodação no transporte, armazenagem e nas prateleiras da loja em causa, assim, logo que chegamos a casa é descartada.

Devemos dar sempre preferência aos produtos que usam componentes renováveis. Quanto mais artesanal e natural o produto, menor será a agressão ao meio ambiente.
Quando falamos no tratamento diário da pele, a Natureza tem todas as respostas, por isso, não deixe de procurar alternativas ao convencional, em tudo na vida, elas sempre existirão, basta curiosidade e força de vontade para iniciar a reforma íntima transformadora!

Se pretender aprender o básico sobre estas matérias inscreva-se na Oficina de Saboaria e Cosmética Natural, organizada pelo Núcleo de Braga da Quercus, que terá lugar sábado, 5/11, das 9h30 às 12h30, na Quinta Pedagógica, por 25€/sócio e 30€/não sócio (www.braga.quercus.pt).

*Em co-autoria com Tiago Moreira

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