Correio do Minho

Braga, quarta-feira

SISU!

Da falta que as tentações nos fazem

Voz às Escolas

2018-05-16 às 06h00

João Graça

No âmbito do Programa Erasmus+ quatro professores da Escola Secundária de Vila Verde participaram no curso "Structured Educational Visit to Schools/Institutes &Training Seminar in Finland", na cidade de Helsínquia, de 15 a 21 de abril.
No decurso do referido curso foi-nos dado a conhecer o sistema educativo finlandês, com recurso a seminários e visitas a diversas escolas dos ensinos básico, secundário e profissional. As visitas permitiram a perceção de todas as dinâmicas escolares, da sua estruturação e observação de aulas.
Julgo que as questões mais prementes que se colocam a quem visita o sistema educativo Finlandês são:
Como se estrutura o sistema educativo? A educação é obrigatória dos 7 aos 16 anos.
A organização, criação e manutenção dos ensinos básico, secundário e profissional, está a cargo dos municípios. A repartição dos custos de funcionamento das escolas nestes três níveis de ensino é feita entre o Estado (57%) e município (43%). Todas as universidades finlandesas são estatais. O seu financiamento é por isso assegurado quase na totalidade pelo orçamento de Estado. Assim, O material escolar é gratuito para os estudantes e os municípios garantem o transporte àqueles que vivem a mais de cinco quilômetros da instituição escolar que frequentam.

O sistema de ensino finlandês está divido em três etapas de educação formal:
Ensino Fundamental que é obrigatório e comum a todos, com duração de nove anos (dos 7 aos 16).
Ensino Médio que possui um enfoque académico, visando o ingresso na universidade ou profissional direcionado ao mercado de trabalho). Dura de três a quatro anos e não é obrigatório.
Ensino Superior que é ministrado nas universidades garantindo uma formação predominantemente académico e as escolas politécnicas com caráter mais prático). Na universidade, são realizados cursos de graduação (três ou quatro anos) e, na sequência, pós-graduações (de dois a três anos).

Um aluno pode ter no seu horário semanal em média 19 a 30 aulas, dependendo do nível de ensino e da escolha de disciplinas do aluno. Cada aula tem a duração de 45 minutos. Existe maleabilidade na escolha das disciplinas, existindo um tronco comum a todos os alunos.
A docência baseia-se num sistema de ensino personalizado. A partir dos primeiros anos, intervém-se no processo de aprendizagem de cada aluno, enfatizando a superação de fraquezas e dificuldades que possam existir. Isto garante que os potenciais problemas sejam diagnosticados a tempo e que os diferentes ritmos de aprendizagem sejam respeitados.

Recentemente, os resultados do PISA deixaram a Finlândia em alerta geral. Um sistema educativo que se dizia perfeito, tem fragilidades. Os desempenhos de 2006, o melhor de sempre, ao mais recente PISA 2015, observa-se uma queda de, em média, 30 pontos nas três áreas: leitura, matemática e ciências. Aqui identificam-se 3 problemas: alheamento dos rapazes, em que as raparigas apresentam melhores resultados nas três áreas. Um segundo problema identificado é o acesso à tecnologia móvel e outras que condiciona e prejudica os níveis de leitura e de concentração dos alunos. Em terceiro lugar, o facto de os alunos do interior apresentarem piores resultados do que os de Helsínquia, que apresentaram melhorias.

Até aqui não há grandes diferenças com o nosso sistema educativo:
Estrutura do sistema educativa em tudo semelhante ao sistema Português.
Diferenças de resultados em função do género;
A ubiquidade da tecnologia móvel que é estimulante, em que a escola apresenta dificuldade de se ajustar a esta portabilidade do conhecimento e de a integrar no modelo convencional de aulas.

Neste momento está em curso uma reforma em que o conceito de aprendizagem está associado a colaboração e de satisfação do aluno no ato de aprender, em que se repensa o conceito de escola e a interação com a comunidade e, por fim, os conteúdos das disciplinas. O que se pretende é pensar o que se ensina, como se ensina e qual o papel da escola neste processo.
Pois, estes são os pilares da nossa Flexibilização Curricular.
Contrariamente a Portugal os professores finlandeses são muito respeitados pela sociedade finlandesa, estão muito motivados e bem formados, com uma grande autonomia pedagógica. Da mesma forma é dada enorme importância à escolarização e ao conhecimento.
Importa recordar que em novembro de 1939, a Rússia declarou guerra à Finlândia. Nesta luta desigual de 800 000 soldados finlandeses frente a 2,5 milhões de soldados russos, depois de um ano de resistência finlandesa foi firmada a PAZ. Ai surgiu o termo Sisu que faz referência àquela força que o ser humano possui e que quase sempre temos adormecida.
Parece-me evidente que é esta resiliência, este querer, este acreditar, que se impõe na nossa sociedade.

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