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Só pensam nos votos

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Só pensam nos votos

Ideias

2018-03-29 às 06h00

José Manuel Fernandes José Manuel Fernandes

OGoverno de António Costa e da esquerda radical é imbatível na propaganda. Distribuem em vez de governar, assumem os louros do trabalho que não fazem, passam as culpas dos seus próprios erros, não assumem os seus fracassos, não pedem desculpas pelas falhas e ausências nas tragédias dos fogos florestais.
Na semana em que se conheceu um relatório técnico sobre os incêndios de 2017, altamente crítico para o Governo, tivemos a coincidência de assistir a uma ação de propaganda de António Costa em que ele próprio, devidamente equipado e de roçadeira nas mãos, dedicou menos de sete minutos para uma ação de limpeza da floresta. Convém relembrar que o relatório independente afirma que a Proteção Civil pediu vários reforços de meios aéreos e humanos, antes dos incêndios de 15 de Outubro, e muitos não foram autorizados "a nível superior". Nesse mesmo relatório conclui-se que, perante as condições meteorológicas anunciadas, não houve prevenção e as diferentes instituições do Estado não puseram em marcha medidas que pudessem "minimizar" o impacto de fogos. Porque é que o Governo não assume as falhas graves? Porque é que não pede desculpa aos portugueses?

A boa herança recebida, o forte crescimento da economia europeia e mundial e o crescimento do turismo em Portugal permitem a criação de emprego e o crescimento da economia. Os portugueses, as famílias e as empresas têm sido uns verdadeiros heróis. O crescimento não se deve às políticas do Governo. Um Governo que não cumpre com as suas promessas e que reduziu o investimento público praticamente a zero! Como é possível termos menos investimento público do que no tempo da Troika? Como é possível que as condições de funcionamento dos serviços de saúde se tenham degradado tanto? O Governo não faz sequer a manutenção e conservação de infraestruturas do Estado, algumas delas cruciais para a segurança dos portugueses.

Este é um Governo que não governa! Limita-se a distribuir rendimentos. Não apresenta propostas para modernizar Portugal, diminuir a burocracia ou apoiar o investimento. Os anos de governação socialista são anos de oportunidades perdidas. Deveríamos estar a diminuir a dívida pública. Um país com uma dívida pública sustentável tem a soberania reforçada e é um país solidário com os mais pobres e com as novas gerações. Sabemos que, quando os juros se tornam insustentáveis, são sempre os mais pobres os mais atingidos e ficamos nas mãos dos credores, perdendo autonomia e capacidade de decisão.
O défice de 2017 apregoado até à exaustão como o mais baixo da nossa democracia ficou afinal nos 3% do PIB, atingindo mais de 5.700 milhões de euros, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Este é o défice real, o que efetivamente será pago pelos contribuintes. Ao contrário do que sempre afirmou convenientemente o Primeiro-Ministro, o montante de quase 4.000 milhões de euros utilizados na operação de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos conta para o cálculo do défice.

O Governo insistirá este ano que o défice de 2017 é de 1%. No entanto, aposto que no final do próximo ano dirá que foi de 3%, para dizer que o baixaram muito. Mais uma vez fazendo propaganda e escolhendo os números que dão jeito ao Governo.
O insuspeito INE também veio informar que a carga fiscal aumentou para 37% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, face ao peso de 36,6% que tinha na economia em 2016. Em 2017 tivemos a maior carga fiscal dos últimos 22 anos!!! Afinal, ao contrário do que afirma a propaganda, os portugueses pagam mais impostos, a austeridade aumentou!
O Governo faz propaganda e gestão corrente. Prega a solidariedade e defende o princípio da coesão territorial, social e económica, mas, na prática, na ação, faz o contrário! O Governo vai reprogramar os fundos do Portugal 2020. A lógica seria a de ajudar o interior e as regiões mais pobres. Mas António Costa vai desviar dinheiro destinado às regiões mais pobres para dar às mais ricas! A linha de Cascais e o metro de Lisboa vão ser os privilegiados com centenas de milhões de euros. É lá que está a maioria dos seus votos... E o Governo só pensa nos votos.

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