Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Somos todos heróis

Uma carruagem de aprendizagens

Escreve quem sabe

2018-12-02 às 06h00

Joana Silva

Crescemos a escutar “ Não chores! Não chores senão bato-te! " , Somos educados/as para estarmos sempre bem, mesmo que a felicidade seja de aparência. É um contrassenso moral rir quando apetece chorar. Mas na verdade, expressamos alegria, quando nos sentimos tristes. Socialmente mostra-se uma felicidade utópica, porque consideramos que estar triste é mau, é desagradável, não é bonito. É muitas vezes em casa, e no refúgio do quarto que se tira a máscara para se ser o/a próprio/a. Chora-se desgostos (ex.: abandono emocional por parte do/a companheiro/a ou filhos) e injustiças (ex.: Quando nos esforçamos e não dão o valor.). Chora-se expectativas defraudadas do que se deseja tanto com o coração e pelos infortúnios da vida, não permitem que se alcance o que se tanto se quer. Perde-se forças e desesperança toma conta da alma. Nem mesmo as palavras numa primeira abordagem conseguem sossegar o coração. Como se de uma espécie de “alergia linguística” se tratasse a formas de consolo tais como: “É complicado”, “Quem desespera sempre alcança.”, “Lamento”, “Tudo vai melhorar.” etc.
Tal como diz o ditado popular, “Palavras leva-as o vento.”.
O sofrimento transforma as pessoas. Aquele/a que sofre por não aguentar mais nenhuma decepção tende a afastar-se até das pessoas significativas que desejam o bem-estar. A tristeza não pode ser a má da fita. A tristeza permite ter um conhecimento mais integro e honesto de nós próprios/as. Chorar é a linguagem da tristeza e as lagrimas as palavras. É a conexão empática mais sincera e genuína quando nos identificamos com a história verídica de um filme, de alguém que sofreu muito no seu percurso de vida e depois venceu. As memorias tristes, mostram o que somos e para onde vamos.
Confunde-se atualmente depressão com tristeza. E muitas pessoas são diagnosticadas ou até mesmo auto diagnosticam-se como depressivas quando na realidade estão com humor deprimido que é o mesmo que dizer , “Estar triste”. Existem algumas diferenças. A tristeza é passageira, como por exemplo, estar triste uns dias ou até alguns meses pela perda de algo. É basicamente um luto emocional que se faz .A pessoa apesar de se sentir triste, chorosa consegue apesar da desmotivação realizar as rotinas ou atividades do dia-a-dia , isto é, ir trabalhar, estar com os amigos mesmo que lhe custe ou que não lhe apeteça. A pessoa apenas triste, tende a procurar apoio emocional junto das pessoas mais significativas para si. É muitas vezes este alento que reforça a esperança em dias melhores e novas oportunidades de recomeçar. A depressão é pelo contrário mais intensa tanto na sintomatologia como na duração no tempo. Convém clarificar que existem vários tipos de depressão, desde leve a severa. Alguém com uma sintomatologia depressiva, tende ao máximo a evitar o contacto com as pessoas e tendem a guardar exclusivamente o sofrimento para si. Não se abrem com ninguém e perdem-se nos seus próprios pensamentos numa espécie de recusa de viver. Por tudo o quanto referido anteriormente, pode-se dizer-se que a tristeza nem sempre necessita de um acompanhamento especializado. Não tenha vergonha de sentir-se ou mostrar-se triste. Só os autênticos heróis e heroínas é que conseguem fazê-lo. Pela tristeza podemos tirar grandes ilações da vida. Pode não ser o caminho que desejamos mas por vezes são essas emoções menos boas que tornam-nos mais fortes e voltados para a conquista e alcance do que queremos.

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